sexta-feira, 7 de julho de 2017

Inibidores de apetite: efeitos colaterais são maiores do que a perda de peso

*Por Daniela Müller

Semana passada, a Câmara dos Deputados liberou três inibidores de apetite muito populares no Brasil: anfrepramona, femproporex e mazindol. Essas substâncias tinham sido vetadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa, em 2011, sob a alegação de que os riscos à saúde são maiores que os benefícios. Agora o assunto volta à tona e, ao que parece, questões políticas parecem se sobrepor aos interesses dos maiores prejudicados com essa decisão: os pacientes.



A obesidade é um dos problemas mais graves da atualidade. Estima-se que uma em cada três pessoas no mundo esteja acima do peso. São cerca de 2,1 bilhões de pessoas. O número de obesos ou com sobrepeso cresceu 70% em três décadas. O Brasil é o quinto país mais “pesado” do mundo, com 26,2 milhões de pessoas, sendo 11,7% dos homens e 20,6% das mulheres. Um nicho e tanto para as indústrias farmacêuticas fazerem riqueza com substâncias que prometem um emagrecimento rápido e livre de sacrifícios.

Contudo, o que parece milagre logo revela efeitos colaterais devastadores. Quem conhece alguém que já tomou inibidores de apetite sabe que uma das maiores reclamações é o efeito rebote. O paciente, sem fome, reduz drasticamente a ingestão de calorias e perde peso rapidamente. No entanto, quando o tratamento é interrompido, o ganho de peso é quase que imediato e, na maioria das vezes, os ponteiros na balança tendem a subir ainda mais. Em vez de perder peso, a médio prazo, o paciente acaba é ganhando.

Além disso, esse tipo de medicamento pode induzir a doenças cardiovasculares e transtornos psicológicos, já que essas substâncias afetam diretamente o sistema nervoso central. Os prejuízos são tão grandes que o manzidol está suspenso nos Estados Unidos e na Europa desde 1999. O femproporex jamais foi autorizado nos Estados Unidos e está banido da Europa também desde 1999. A anfepramona ainda é permitida nos Estados Unidos, mas está proibida na Europa.

O grande cerne da questão é que a obesidade precisa ser levada mais a sério tanto pelos pacientes quanto pelos médicos e autoridades competentes. Ter um corpo saudável requer cuidados com alimentação e atividade física permanentes. Lógico que há produtos que atuam como importantes coadjuvantes nessa luta, como é o caso dos suplementos alimentares nutracêuticos. Baseados em pesquisas científicas e novas tecnologias, eles são compostos por extratos de plantas, frutas, algas e sementes com princípios ativos capazes acelerar o metabolismo de forma natural e muito mais saudável.

Como não são “milagres” da poderosa indústria farmacêutica, esses suplementos tem resultados um pouco mais lentos que as anfetaminas, porém com a vantagem de ser uma eliminação permanente e não uma perda momentânea. Se com anfetamina um paciente consegue emagrecer cerca de dez quilos por mês, com os nutracêuticos associados à uma pequena reeducação alimentar e uma curta rotina de exercícios físicos, é possível eliminar de forma definitiva em torno de cinco quilos por mês.

O caminho pode ser mais longo, mas a recompensa, sem dúvida, é muito maior. O paciente ganha saúde e não apenas perda de peso. Com simples mudanças de hábito é possível ganhar não apenas um corpo mais bonito como muito mais saudável, livre dos efeitos colaterais das anfetaminas. Quando as pessoas finalmente entenderem que saúde se conquista no dia a dia, esse tipo de medicamento não terá espaço nas casas de quem procura qualidade de vida de verdade.  

*Daniela Müller é farmacêutica da Idealfarma, empresa que dedica-se à fabricação e distribuição de extratos nutracêuticos, fitoterápicos, cápsulas gelatinosas e suplementos.

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