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quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Neurologista fala sobre esclerose múltipla

Redação

"Como será a minha vida daqui pra frente?" é a principal dúvida dos pacientes recém- diagnosticados com Esclerose Múltipla (EM). Com isso, o neurologista do Hospital São Luiz unidade Morumbi, Glauco Filellini, esclarece abaixo questões comuns sobre a doença.

O Dia Nacional de Conscientização da Esclerose Múltipla, em 30 de agosto, busca conscientizar as pessoas sobre o problema | Foto: reprodução

A esclerose múltipla é autoimune e atinge o sistema nervoso central causando a destruição da mielina, proteína essencial para o funcionamento do mesmo, além da medula e do nervo óptico, o que, eventualmente, resulta em problemas no movimento muscular, visão e equilíbrio. Segundo a Federação Internacional de Esclerose Múltipla existem cerca de 2,5 milhões de pessoas com EM ao redor do mundo, sendo 35 mil apenas no Brasil, uma incidência de 15 casos para cada 100 mil habitantes.

Embora tenha uma alta incidência, a doença ainda é um desafio não só para os pacientes e seus familiares, como também para muitos médicos e pesquisadores, pois ainda não se sabe o que causa a EM. O Dia Nacional de Conscientização da Esclerose Múltipla, em 30 de agosto, busca conscientizar as pessoas sobre o problema.

Como identificar a esclerose múltipla?
Como é uma doença autoimune, ou seja, causada pelo próprio organismo, o sistema imunológico ataca por engano a mielina, formando anticorpos contra a proteína, fazendo com que o sistema nervoso desenvolva uma inflamação. Segundo o neurologista, ainda não se sabe a causa dessa atividade anômala, mas existem algumas teorias. "Acreditamos, até então, que a EM pode ser causada por uma possível infecção viral ou até mesmo uma tendência genética", afirma Filellini.

Os sintomas variam de acordo com o local do cérebro que foi lesionado. Por exemplo, alterações visuais, déficit motor ou sensitivo, e alteração de marcha e equilíbrio. Há também alguns sintomas relacionados às lesões da medula, como alteração da bexiga/intestino e fadiga. Existem várias formas da doença, classificadas conforme o estágio de evolução. Quando ela se manifesta em crises, com sintomas agudos intercalados por período de silêncio, é chamada de esclerose múltipla recorrente-remitente. Quando os sintomas são permanentes e tendem a evoluir cada vez mais é chamada de progressiva primária. E, por último, existe a progressiva secundária, quando a forma remitente se torna progressiva.

Como é feito o tratamento?
O tratamento consiste, basicamente, em atenuar os efeitos e desacelerar a progressão da doença, e se divide em duas fases. A primeira, tratando as crises com corticoides. A segunda é o tratamento preventivo, no qual o objetivo é impedir a atividade anômala do sistema imunológico. Essa prevenção pode ser feita com o uso de medicamentos e mantendo uma boa qualidade de vida. "Existe uma relação direta entre a doença autoimune e estresse. Portanto, uma dieta balanceada, exercícios físicos, uma boa noite de sono e terapia emocional-comportamental podem impactar na evolução da doença", explica o neurologista.


Por que a doença acomete geralmente jovens e em sua maioria mulheres?
Como a causa da doença ainda é desconhecida, não se sabe também porque a doença incide mais em mulheres e mais jovens. Estudos ao redor do mundo relacionam a diferença entre os gêneros, incluindo fatores como o sistema imunológico, a influência de hormônios, genética e exposições ambientais.

Como a esclerose múltipla impacta a vida dos portadores?
O neurologista alerta que o impacto da doença na vida dos portadores depende de uma série de fatores, mas mesmo que não haja uma cura, a EM pode ser controlada. "O impacto depende muito do tipo da doença, costumamos dizer que cada paciente tem a sua esclerose múltipla. Tudo depende da incidência das crises, da precocidade do diagnóstico e do tratamento, do acesso aos medicamentos e exames, entre outros", finaliza.

terça-feira, 30 de julho de 2019

Disfunção cognitiva é indício importante de esclerose múltipla

Redação

Segundo dados da National Multiple Sclerosis Society, entidade americana dedicada a estudar e difundir pesquisas sobre a esclerose múltipla, mais da metade de todas as pessoas com esclerose múltipla poderão desenvolver problemas com a cognição. Aliás, esse pode ter sido, inclusive, o primeiro sintoma de esclerose nos portadores da doença. Apesar de não ter cura, o diagnóstico precoce é o maior aliado do paciente, já que com o tratamento, a evolução da doença pode ser controlada, garantindo uma vida social mais ativa.

Cognição refere-se a uma gama de funções cerebrais de alto nível, entre elas, a capacidade de aprender e lembrar informações, organizar, planejar e resolver problemas | Foto: reprodução

Cognição refere-se a uma gama de funções cerebrais de alto nível, incluindo, mas não limitado a capacidade de aprender e lembrar informações, organizar, planejar e resolver problemas, concentrar, manter e desviar a atenção, entender e usar a linguagem, perceber com precisão o ambiente e realizar cálculos.

A neurocientista e neuropsicóloga Carina Spedo trabalha justamente na identificação precoce da disfunção cognitiva e neuropsiquiátrica dos pacientes e no diagnóstico precoce/progressão da esclerose múltipla, bem como dos aspectos relacionados a empregabilidade e reabilitação neuropsicológica da doença.

"Combinando a clínica, exames de imagem tradicionais e exames neuropsicológicos, é possível avançarmos no diagnóstico precoce, garantindo melhor qualidade de vida para os pacientes – dado que hoje temos à disposição tratamentos transformadores do curso natural da doença", afirma Carina.

Nas doenças desmielinizantes, como é o caso da esclerose múltipla, as lesões cerebrais características podem ser sutis no primeiro momento, e o paciente pode não apresentar qualquer comprometimento físico e motor, porém, é possível que já haja algum prejuízo cognitivo. Alguns sinais podem ser alterações de humor, diminuição da velocidade de processamento de informações, falta de atenção/memória, e habilidade reduzida de recordar sequências numéricas e organizar materiais. Esses sinais são geralmente imperceptíveis por grande parte dos pacientes e familiares, principalmente no início da doença.

Como exemplo, a neuropsicóloga citou um estudo brasileiro, com 35 pacientes com menos de três anos de doença e quase sem incapacidade, no qual o teste cognitivo mostrou ser uma característica mais significativa da presença de esclerose múltipla. Os problemas cognitivos não são diretamente relacionados as outras características da doença – o que significa que alguns indivíduos podem apresentar limitações físicas/ motoras, mas sem qualquer comprometimento cognitivo, e vice e versa.

De acordo com Carina, apesar do comprometimento cognitivo na esclerose múltipla possuir taxas de prevalência de 43% a 70% e ser importante aliado no diagnóstico precoce e qualidade de vida para o paciente, mais estudos se fazem necessários.

"Avançamos a um ponto em que não precisamos de uma bateria extensa de exames neuropsicológicos. Protocolos de triagem enxutos, simples e direcionados colaboram atualmente para o auxílio diagnóstico da esclerose múltipla. Devemos avançar com essa abordagem, pois quem ganha é sempre o paciente", conclui a neuropsicóloga.

O reconhecimento, avaliação e tratamento precoces são importantes, porque as alterações cognitivas – juntamente com a fadiga – podem afetar significativamente a qualidade de vida, relacionamentos, atividades e o emprego de uma pessoa. Os primeiros sinais de disfunção cognitiva podem ser sutis – quando notados, primeiro pode ser pela pessoa com esclerose múltipla, ou por um membro da família ou colega. Geralmente, a fadiga, as dificuldades cognitivas e emocionais podem acometer o emprego, o desempenho de certas atividades sociais e diárias. Esses podem ser os primeiros indícios de que é necessário buscar também por tratamento não medicamentoso e conversar com o empregador sobre a possibilidade de obter ajustes no emprego.

Esclerose múltipla
A esclerose múltipla é uma doença autoimune, na qual os anticorpos atacam o sistema nervoso central (cérebro e medula espinhal). A doença é caracterizada por um processo de inflamação crônica que pode causar desde problemas momentâneos de visão, falta de equilíbrio até sintomas mais graves, como cegueira e paralisia completa dos membros.

Então, a doença está relacionada à destruição da mielina – membrana que envolve as fibras nervosas responsáveis pela condução dos impulsos elétricos do cérebro, medula espinhal e nervos ópticos. A perda da mielina pode dificultar e até mesmo interromper a transmissão de impulsos nervosos. A inflamação pode atingir diferentes partes do sistema nervoso, provocando sintomas distintos, que podem ser leves ou severos, sem hora certa para aparecer.

A doença geralmente surge sob a forma de surtos recorrentes, sintomas neurológicos que duram ao menos um dia. A maioria dos pacientes diagnosticados são jovens, entre 20 e 40 anos, o que resulta em um impacto pessoal, social e econômico considerável por ser uma fase extremamente ativa do ser humano.

Já a progressão, gravidade e especificidade dos sintomas são imprevisíveis e variam de uma pessoa para outra. Algumas são minimamente afetadas, enquanto outras sofrem rápida progressão até a incapacidade total. É uma doença degenerativa, que progride quando não tratada. É senso comum entre a classe médica que para controlar os sintomas e reduzir a progressão da doença, o diagnóstico e o tratamento precoce são essenciais.

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Agosto laranja: alerta para a esclerose múltipla

Da redação

Pesquisa realizada pelo instituto Datafolha aponta que moradores do estado de São Paulo estão desinformados sobre a esclerose múltipla, doença sem cura, na qual as células de defesa do corpo atacam o sistema nervoso central. Entre os entrevistados, 43% associam a condição às pessoas acima de 60 anos e 12% deles dizem que não depende da idade. Somados,55% dos paulistas não vinculam a doença ao grupo mais afetado: jovens adultos de 20 a 40 anos sendo, principalmente, mulheres, numa frequência de 2 a cada 1 homem afetado. Para alertar sobre o problema 30 de agosto foi instituído como o Dia Nacional de Conscientização da Esclerose Múltipla. 

O Dia Nacional de Conscientização da Esclerose Múltipla é 30 de agosto | Imagem: reprodução
Outros dados relevantes levantados pela pesquisa, encomendada pela Roche Farma Brasil, líder mundial em inovação em saúde, são que: 60% se consideram pouco ou nada informados e 38% sequer conhecem a esclerose múltipla, cenário preocupante, já que o diagnóstico precoce depende da familiaridade com a doença e seus sintomas que incluem, mas não se limitam a , fadiga imprevisível ou desproporcional à atividade realizada, visão dupla ou embaçada, problemas de equilíbrio e coordenação, sensação de queimação ou formigamento, perda da memória, ainda que seja um sintoma tardio, transtornos emocionais e problemas sexuais, como perda de libido e sensibilidade.

O neurologista da Santa Casa de São Paulo, Guilherme Olival, comenta que “muitos dos sinais da esclerose múltipla são vinculados a outras doenças, como o estresse e o cansaço, ambos fatores extremamente presentes nos jovens da cidade que não dorme".

 A pesquisa aponta ainda que 68% dos paulistas nunca foram a um neurologista, especialidade referência para o diagnóstico mais assertivo. A desinformação vai além disso: 38% dizem não saber qual médico procurar, alguns citaram o clínico geral ou mesmo um psiquiatra como especialidades referência para esses sintomas, afirmações que reforçam o desconhecimento sobre a doença.

O preconceito é outro tema que tem de ser debatido entre os paulistas, já que 60% dos respondentes acreditam que a pessoa com esclerose múltipla deve parar de trabalhar. "Essa declaração só contribui para a vergonha do paciente ao assumir sua doença e tratamento, o que não tem justificativa. Na Europa, por exemplo, cerca de 75 a 85% dos pacientes com esclerose múltipla continuam suas atividades normais de trabalho. No Brasil, não temos este dado”, conclui Olival.


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