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quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Masculino em descontrole

*Por Jorge Miklos

Segundo o Instituto Patrícia Galvão, no Brasil, a cada 9 minutos uma mulher é vítima de estupro. Houve um crescimento de 8,4% de casos de estupros de 2016 a 2017. Em números exatos, são 60.018 casos registrados. Já, diariamente, três mulheres são vítimas de feminicídio. A recorrência dos homicídios também aumentou: o ano de 2016 registrou 929 casos, e em 2017, ocorreram 1.133 casos, tendo um aumento de 6,1% de casos registrados. A cada dois dias, a cada 2 minutos uma mulher registra agressão sob a Lei Maria da Penha, isto é, 606 casos diários registrados. É válido apontar que aqui se trata somente de casos registrados, ainda existem muitos casos que as autoridades não tomam conhecimento.

Diariamente, três mulheres são vítimas de feminicídio | Foto: Freepik

É alarmante constatar que alguns homens autores de violência contra mulheres declaram que: “tem mulher que só aprende apanhando bastante" e que: “agiram bem” e que: “bateriam de novo”. Essas declarações reforçam a imagem de uma mulher submissa e que “tudo deve aceitar”. À essa naturalização da violência, acrescenta-se o fato de que “a culpa é da mulher” e que agredi-la é uma forma de “domesticá-la”.

O que leva os homens agredirem as mulheres e naturalizarem essa violência? Há muitas respostas para essa pergunta. Uma delas situa-se na “masculinidade tóxica”, um modelo de masculino que estimula a obsessão por poder, dinheiro e sexo e, sobretudo, a violência contra a mulher. Para não perder seu espaço, o homem precisa provar constantemente o seu capital viril e, quanto mais inseguro ele se sente, mais violento fica. Masculino em descontrole. Quando um homem agride uma mulher, ele está agredindo a si mesmo.

O caminho de mudança passa pela ressignificação do perfil de masculinidade. Passa pela ruptura, transformação e transição para um modelo de masculino que desenvolva a alteridade, o vínculo, a empatia e a resiliência.  A masculinidade tóxica é parte do problema; homens com coragem para mudar o seu lugar na história e na sociedade, rumo para a solução.

*Jorge Miklos é professor universitário, sociólogo e psicanalista. Atualmente investiga a respeito da contribuição da mídia na construção da masculinidade tóxica no Brasil. 

quinta-feira, 11 de julho de 2019

Dia Nacional do Homem alerta sobre os cuidados com a saúde

Redação

O Dia Nacional do Homem, comemorado em 15 de julho, foi criado no calendário da saúde para lembrar aos homens sobre a importância de cuidar da saúde. A psicóloga e membro do comitê científico do Instituto Lado a Lado pela Vida, Vera Bifulco, comenta que ao contrário das mulheres, que tem a essência do cuidar dentro delas, os homens não têm esse hábito na rotina.

O exame de toque retal deve ser realizado a partir dos 45 anos (para quem tem histórico familiar ou homens negros) e 50 anos aos demais | Foto: reprodução

"Dificilmente, eles procuram os médicos para fazer prevenção e, por vezes, quando isso ocorre, a doença já está em estágio avançado. A ida ao médico com objetivo de intensificar a prevenção deveria ser incorporada pelo público masculino. É uma mudança cultural necessária”, afirma Vera.
Claro, não é uma regra, porém alguns homens só vão ao consultório quando solicitado pela esposa, companheira ou filhos, mesmo sabendo que a chance de cura é maior em diagnósticos precoces.

Quando o assunto é exame do toque retal, fundamental para diagnosticar o câncer de próstata, cuja recomendação se dá a partir dos 45 anos (para quem tem histórico familiar ou homens negros) e 50 anos aos demais, o tabu é ainda maior.  Embora a conscientização esteja aumentando, desde o lançamento da Campanha Novembro Azul, criada pelo Instituto Lado a Lado pela Vida, muitos homens ainda têm medo. Além disso, dentre os que fazem, há aqueles que não comentam no trabalho que fizeram por vergonha.

"O preconceito que permeia o exame de toque é proveniente de uma cultura machista. Ao longo dos tempos a região anal fora associada à sexualidade promiscua e o uso dessa região para obtenção de prazer foi deslegitimado aos homens. Infelizmente, esta ideia ainda está bastante arraigada em nossa cultura, o que faz com que muitos homens se recusem a realizar o exame em uma tentativa quase irracional de 'preservar' a masculinidade", explica a psicóloga.

Apesar da cultura, os médicos já têm observado um aumento da procura dos homens pelos consultórios, sobretudo pela força da Campanha Novembro Azul, e por parte do público mais jovem. "Hoje, vemos uma geração mais preocupada com a saúde, que se alimenta melhor, realiza exercícios físicos e está mais atento aos cuidados pessoais", analisa Vera.

Entretanto, no seu entender, enquanto a mulher tem a essência do 'cuidar' dentro dela, o homem se volta para o trabalho e a realização profissional, o que explica a presença mais feminina nas consultas médicas.

Saúde do homem está entre as bandeiras do Instituto Lado a Lado pela Vida 
Por causa desse histórico, o Instituto Lado a Lado pela Vida foi criado, em 2008, com a missão de levar informação sobre saúde do homem. O objetivo das ações é conscientizá-los sobre a importância da mudança de hábitos para a adoção de um estilo de vida mais saudável, sempre destacando ações de prevenção e conscientização, com alertas principalmente para as doenças cardiovasculares e oncológicas, em especial aos cânceres de próstata, pênis, testículo, pele/melanoma e pulmão.

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Aumenta a procura por tratamentos estéticos no público masculino

Por Vivian Silva

Foi-se o tempo que cuidar da aparência e beleza era algo ligado ao universo feminino. Os homens estão, cada vez mais, vaidosos e procuram também tratamentos estéticos variados. Uma pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) aponta que para 61,9% dos homens cuidar da beleza é uma necessidade e não um luxo.

De olho neste mercado que não para de crescer, a proprietária do Centro Estético andreense que leva o seu nome, Leila Amaral, conta que há uma equipe especializada e salas individuais, para cuidar deste público, que de modo geral é mais discreto.

Homens contam com salas individuais e equipe especializada | Foto: divulgação 
Entre os serviços mais procurados pelos homens no Leila Amaral Centro Estético estão: depilação (com cera quente), podologia e massagens.  Além destes serviços, o local oferece tratamentos estéticos facial e corporal, micropigmentação, cabeleireiro – com visagista – e consulta com cirurgião plástico.

Leila Amaral Centro Estético conta com diversos serviços como, por exemplo, podologia | Foto: divulgação  

“O meu diferencial é o atendimento com os clientes, isso é uma das coisas que eu mais prezo e tento passar para toda a equipe”, afirma Leila, que está no mercado de beleza há dez anos e ressalta que atua com preços acessíveis.

Noiva pode montar o próprio pacote estético | Foto: divulgação  
Dia da noiva
Com uma equipe de 15 pessoas, Leila ressalta que as noivas têm atendimento personalizado: “Um diferencial da clínica é que a própria noiva monta o pacote dela”. Então, além do espaço exclusivo, ela escolhe os serviços que deseja ter neste dia. Além do cabelo e maquiagem, pode optar por limpeza de pele, depilação, massagem, entre outros cuidados disponíveis no day spa.

O Leila Amaral Centro Estético fica na Rua Joaquim Távora, 292, Vila Assunção, em Santo André. O horário de atendimento é de terça a sábado, das 9h às 18h. Tel.: 4438-6018.




quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Muitos homens não sabem o que é andropausa e sofrem com o problema

Da redação

Mais da metade dos brasileiros desconhecem o fato de que, com o passar dos anos, ocorre uma queda na produção do hormônio masculino, a testosterona, levando a sintomas como sensação de cansaço, depressão, alterações no humor, perda de massa muscular e o aumento da gordura corporal – principalmente no abdômen – além de disfunções sexuais. A constatação foi feita por meio de estudo da Sociedade Brasileira de Urologia, divulgada recentemente. Na pesquisa, foram ouvidos 3,2 mil homens em oito capitais.

Entre os entrevistados, 51% disseram nunca ter ido ao médico, 30% atribuíram os sintomas da andropausa ao excesso de trabalho e ao estresse do dia a dia, e 68% disseram não saber a diferença entre terapia de reposição hormonal e o uso de estimulante sexual.

É mais comum se ouviu falar em reposição hormonal entre as mulheres, já entre os homens é um tabu, muitos não sabem nem o que significa andropausa, muito menos como tratá-la, disfunção que também é tratada por meio de hormônios, com orientação médica. Mas se falarmos em testosterona para crescimento muscular e tratamento estético, muitos conhecem e usam de forma totalmente indevida.

A testosterona é encontrada no corpo dos homens e mulheres, mas os homens têm cerca de 10 a 15 vezes mais testosterona. Assim como outros andrógenos, o hormônio é mais famoso pelos seus efeitos nas características sexuais. Simplificando, a testosterona é o hormônio que representa as características masculinas, conforme explica o andrologista e cirurgião vascular e presidente do Instituto Paulista, Carlos Araujo Pinto.

"Ela estimula o crescimento do órgão genital masculino e é fator decisivo na produção de esperma, fortalece cordas vocais, aumenta a taxa de crescimento de pelos faciais e corporais, causa impactos no corpo, controla a distribuição de gordura, e simplesmente faz os homens mais viris, porém somente deve ser administrado com prescrição medica”, ressalta o médico.

A Testosterona age desde o nosso couro cabeludo, até as pontas dos dedos do pé. Ela é uma hormona esteroide de 19 carbonos produzidos principalmente pelas células de Leydig dos testículos (nos homens) e nos ovários (em mulheres). E pequenas quantidades são produzidas nas glândulas supra-renais de ambos os sexos.

Segundo o especialista, a testosterona (hormônio mais utilizado) em excesso pode sobrecarregar as funções do fígado e até provocar o desenvolvimento de câncer. "Os medicamentos compostos por hormônios só podem ser consumidos com receita e acompanhamento médico, embora seja comum a automedicação, o que é, de fato, muito perigoso", alerta. Ainda ressalta uma questão muito importante, as alterações no corpo são definitivas, mesmo após a suspensão das substâncias.

O uso da testosterona sem prescrição médica preocupa cada vez mais a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). Para a entidade a estimativa é de o consumo indiscriminado nesse hormônio tenha aumento até 100 vezes nos últimos 30 anos e chama atenção para os problemas que o consumo sem acompanhamento médico pode causar.

Os hormônios são substancias fabricadas pelo sistema endócrino (conjunto de glândulas) e que ajudam a sinalizar funções especificas. São fundamentais para o correto funcionamento do corpo e, caso a produção seja acima ou abaixo do necessário do necessário, ocorre a disfunção hormonal. "A reposição é indicada para os homens e mulheres e para os transexuais, porém sempre com acompanhamento médico”, diz o Araujo Pinto.

Testosterona baixa é algo mais comum do que se imagina
Vários fatores podem influenciar nos baixos níveis de testosterona. Eles vão desde a alimentação ao estilo de vida, consumo de produtos que usam embalagens com bisfenol, própria genética, entre outros.

Atualmente, os homens, em geral, estão com níveis de testosterona mais baixos que as gerações anteriores. Alguns sintomas podem indicar a falta de testosterona:

•Perda de massa óssea e aumento do risco de fraturas;
•Perda de força;
•Dificuldade em ganhar massa muscular magra;
•Ganho de gordura corporal com facilidade;
•Diminuição do apetite sexual (libido);
•Redução da fertilidade;
•Sensação de fadiga;
•Aumento da resistência à insulina e do risco de diabetes;
•Depressão;
•Irritabilidade;
•Comprometimento das funções cognitivas;
•Dificuldade de ereção;
•Diminuição do volume de sêmen;
•Alteração de humor;
•Diminuição da produção de glóbulos vermelhos.

Assim, reposição hormonal masculina é indicada para tratamento da andropausa – o distúrbio hormonal causado pela baixa produção de testosterona no organismo, durante a fase de envelhecimento. Vale ressaltar que é fundamental procurar um médico, antes de começar qualquer tipo de tratamento com hormônios.



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