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sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Desfralde de criança autista requer planejamento e persistência

Da Redação 

Com a chegada do calor é hora de treinar seu filho para a retirada da fralda, um processo que requer paciência e parceria de família e escola. O processo é ainda mais complexo quando se trata de crianças e adolescentes autistas, que podem levar alguns anos até a adaptação completa, conforme alerta a terapeuta ocupacional Syomara Smidiziuk, do Centro de Excelência em Recuperação Neurológica (CERNE).

"Toda criança é capaz de sair das fraldas, desde que não haja uma patologia urológica", assegura a terapeuta ocupacional Syomara Smidiziuk | Foto: Freepik
"O prêmio é a independência e maior conforto para eles", afirma Syomara. A retirada da fralda para a pessoa com deficiência precisa seguir três etapas: a observação dos hábitos e preenchimento de uma tabela de horários de ida ao banheiro por no mínimo 15 dias, a análise da tabela e organização do plano de ação. Depois, é necessário persistir por, no mínimo, três semanas com o mesmo plano, sabendo que os escapes são normais.

Dicas práticas para o plano de ação envolvem a antecipação (levar a criança ao banheiro 10 minutos antes do horário marcado); proporcionar a familiaridade com o banheiro que será utilizado; apoiar os pés, usando um banquinho ou adaptadores, sentar a criança ereta e deixar que ela escolha a melhor posição; e estimular a bexiga com massagem, se necessário. A meta é levá-la seis vezes por dia ao banheiro, ficando no máximo cinco minutos cada vez.

"Não use o banheiro como uma brincadeira; não pergunte se ela quer ir, apenas conduza; e, muito importante: para crianças com dificuldade de comunicação, use gestos, sinais ou fotos", ensina Syomara. Outra sugestão é adotar uma recompensa exclusiva para a ida ao banheiro e manter as fraldas somente para dormir ou sair de casa.

É importante certificar-se que não existe uma explicação médica para a dificuldade na retirada, como o comprometimento da bexiga. As famílias que necessitarem podem contar com o auxílio da terapia ocupacional nessa importante transição.

É importante ainda que a escola esteja em sintonia com a família e o terapeuta, seguindo um plano de ação único. Caroline Fardoski Kloss conta que o trabalho para o desfralde do filho Octávio, de quase 4 anos, começou com a linguagem. "Usamos imagens numa sequência e coloquei no banheiro, mostrando os passos", conta. "Logo ele começou a entender".

Ainda falta completar o processo, porque, em alguns casos, quando sente vontade de ir ao banheiro, o menino se esconde. "As terapeutas do CERNE me ajudaram a saber como agir, a não repreender e sim parabenizar. Vejo que ele está mais independente do que era", comemora.  Outras dica é usar jogos e aplicativos para a família que ensinam a ir ao banheiro, como "Pepi Play" e "Potty Training".

Desafios
As maiores dificuldades enfrentadas pelas crianças autistas durante o desfralde costumam envolver quatro áreas: linguagem (entender o estímulo do adulto relacionado à ida ao banheiro); vestuário (demora ou incapacidade de retirar as roupas); o próprio medo de se sentar no vaso ou do barulho da descarga; e o conhecimento do corpo (ele pode não perceber a roupa molhada).

"Toda criança é capaz de sair das fraldas, desde que não haja uma patologia urológica", assegura Syomara. Além da independência proporcionada à criança ou adolescente, o desfralde previne casos de infecção urinária, mau cheiro e o desconforto do paciente. Outra vantagem é a menor quantidade de laxante necessário para o bom funcionamento do organismo.



quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Autismo: cinco fatos relevantes sobre o transtorno

Da redação

Dados do Centro de controle de doenças dos EUA, estimam que 1 a cada 59 crianças, em idade escolar, possuem algum tipo de autismo, aqui no Brasil, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), esse número ultrapassa a marca de 2 milhões. O autismo ou Transtornos do Espectro Autista (TEA) causa distúrbios no desenvolvimento da linguagem, nos processos de comunicação, na interação e comportamento social de crianças e adultos.

Quanto mais cedo o autismo for diagnosticado, há mais chance de ter uma melhor qualidade de vida | Foto: divulgação
O psicólogo Tiago Bara, mestre em ensino nas Ciências da Saúde do Centro de Recuperação Neurológica (CERNE)) e membro do Núcleo de Neurociências do Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe, explica que: “O transtorno não tem cura, mas pode ser tratado para que o paciente possa se adequar ao convívio social da melhor maneira possível, quanto antes ele for diagnosticado, melhores são os resultados do tratamento”. E para ajudar nessa tarefa, é importante saber estes cinco fatos, para conviver melhor com um autista.

1)   Antes de tudo, o autista é um ser humano
O autismo é um aspecto do funcionamento do cérebro, isto é, ele não define quem ele é. Assim como qualquer pessoa, o autista tem pensamentos, sentimentos, talentos e vontades. Apesar do TEA ser marcado por alterações do comprometimento da interação e comunicação social, ele é capaz, acredite!

2)   Quanto antes o autismo for diagnosticado, melhor é
O diagnóstico do TEA é clínico, feito a partir de critérios definidos pelo DSM-5 ou CID-10. Quanto mais cedo o autismo for diagnosticado, há mais chances de ter uma melhor qualidade de vida. Hoje, existem tratamentos relacionados à educação e terapias, com função comportamental que trazem ótimos resultados.

3)   Meu autismo não é sua culpa
Pessoas com autismo tem um transtorno heterogêneo do neurodesenvolvimento, com grande variação de manifestações cognitivas e comportamentais. Mas isso não tem relação com os seus cuidados em relação a mim.

4) Mantenha a vacinação em dia
Apesar de algumas pessoas acharem, o autismo não é provocado por vacinações. Aliás, você deve manter a vacinação em dia, como forma de proteção.

5) Ele consegue mais
Pessoas com autismo progridem sim. A chave para isso está no diagnóstico precoce e no tratamento adequado. Mas, leve em consideração as particularidades e explore os potenciais, por meio de uma intervenção multidisciplinar. Isso possibilita novos aprendizados e melhor prognóstico.

O psicólogo ressalta que cada autista tem seus trejeitos e seu estilo de vida. “Alguns podem permanecer minimamente verbais e não conquistarem a independência. Enquanto outros se tornarão estudantes universitários, jovens adultos que vivem de forma independente. Mas todos eles precisam de atenção e carinho para uma vida mais tranquila”, finaliza Bara.



quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Especialista fala sobre aprendizagem de crianças com Transtorno de Espectro Autista

Da redação

Cada pessoa tem um ritmo diferente de vida e de aprendizagem. A nossa capacidade de aprender algo novo é influenciada por diferentes fatores, como a cognição, personalidade, experiências de educação e oportunidades culturais. A dificuldade de aprender é bastante comum em diferentes crianças, mas torna-se ainda mais especial naquelas com Transtorno de Espectro Autista (TEA).

A TEA é um distúrbio do desenvolvimento que tem como características os prejuízos sociais e de comunicação, o interesse restrito a poucos temas e os comportamentos repetitivos e estereotipados. “O TEA é uma condição diagnosticada cada vez mais precocemente e as estatísticas apontam para uma a cada 100 pessoas em todo o mundo”, conta a fonoaudióloga Ana Lúcia Duran, que reforça a importância da capacitação de pais e professores para garantir a melhor aprendizagem e adequação da criança autista.

“É preciso focar nas peculiaridades desta criança. Ela aprende melhor quando é instruída de forma clara e quando as regras e expectativas são simples. As metodologias de ensino que focam na intuição para a aprendizagem não são indicadas a esses alunos, visto que eles têm dificuldade para entender a linguagem corporal, as expressões faciais e a entonação de voz das outras pessoas. São crianças muito literais e que não compreendem conceitos abstratos e piadas, por exemplo”, explica.

Em alguns casos parece difícil por ser pouco linear ou fluído, o aprendizado é totalmente possível e deve ser constantemente estimulado nas crianças com TEA. “Mesmo que pareça que ela não está evoluindo, deve-se insistir na transmissão do conhecimento repetidas vezes”, indica Ana Lucia. “As dificuldades não são permanentes e muitos alunos pulam etapas da aprendizagem, chegando a conseguir acompanhar seus colegas de sala que não têm TEA.”

Para facilitar a aprendizagem, é indicado ser claro e consistente nas explicações, dar dicas visuais, treinos com teatro e instruções curtas e claras.



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