*Por Tatiana Pimenta
Na atualidade, muitas pessoas acreditam que a sua saúde mental está em risco. Isso porque encontramos muitos empecilhos e desafios em nosso cotidiano, os quais nem sempre conseguimos resolver facilmente.
A carga de trabalho e as expectativas profissionais podem pesar sobre nossos ombros. Precisamos ser perfeitos, rápidos, produtivos, coesos, comunicativos o tempo inteiro para satisfazer os requisitos de nossas carreiras. Para completar o cenário, também precisamos ser presentes, compreensivos, compassivos e amigáveis em nossos círculos sociais. Assim, surge a ansiedade para fazer jus a todos esses critérios.
Além das obrigações rotineiras, há também uma gigantesca carga de informações dos meios de comunicação, muitas vezes conflituosas e desgastantes. Os noticiários na TV, as redes sociais, os vídeos, os áudios… Mesmo em casa, após o expediente ou em um dia preguiçoso, não conseguimos descansar a mente completamente.
Ela está sempre trabalhando, absorvendo informação e nos forçando a tirar conclusões sobre assuntos os quais não nos dizem respeito. Consequentemente, o nosso bem-estar vai sendo afetado até que, um dia, percebemos problemas emocionais que antes não existiam.
Por que é importante cuidar da saúde mental?
Quando foi a última vez que você se permitiu ficar em paz, sem se preocupar com o trabalho, problemas familiares, de relacionamentos ou seus afazeres para o dia seguinte? Por acaso, você já parou, respirou e refletiu sobre como anda sua saúde mental? Ainda há estigmas na sociedade sobre reservar momentos para cuidar de nós mesmos.
Embora a percepção geral tenha melhorado por conta da popularização de temas como saúde emocional, síndrome de burnout, distúrbios psicológicos, entre outros, as pessoas ou estão ligadas demais às suas obrigações ou não acreditam na seriedade dos transtornos mentais.
Elas não conseguem se distanciar delas nem dos problemas que as assolam para vê-los de longe, como um observador. Pelo contrário: se identificam com suas perturbações ou as perturbações alheias, se jogando de cabeça nelas. Só depois percebem as consequências negativas dessa atitude impulsiva.
Somos ensinados a sempre persistir, nunca olhar para trás, permanecer fortes diante de desafios. Parece que somente para sobreviver precisamos ser fortalezas impenetráveis, não é? Respirar fundo em meio ao caos também é importante. Na verdade, é ainda mais importante do que a persistência cega. Quando não desaceleramos danificamos a nossa saúde mental.
As pessoas tendem a não prestar atenção nisso porque mesmo quando cultivamos hábitos danosos conseguimos funcionar por um tempo. É só quando um transtorno psicológico, como a depressão ou ansiedade , aparece que tomam consciência de seus atos. É na calmaria que conseguimos coletar pensamentos e traçar planos de ação. Quando nos tratamos bem e cuidamos de nós mesmos, podemos ultrapassar qualquer obstáculo.
Nossos relacionamentos são melhores, nossos esforços profissionais são reconhecidos e nos valorizamos como deveríamos. Porém, ainda não somos ensinados a desacelerar.
Mas, então, como devo cuidar da saúde mental?
Como devemos resolver nossos problemas? De que maneira devemos nos comportar no trabalho ou diante de grandes expectativas? Como agir nas redes sociais para não nos sentirmos sobrecarregados com tamanho fluxo de informação? Como aproveitar as coisas boas da vida?
Primeiramente, você não precisa fugir de todos os seus compromissos e obrigações. Até porque, na maioria dos casos, são etapas essenciais para conquistarmos um objetivo maior. Apesar de estressantes, precisamos passar por elas para progredir. Exatamente por isso que é tão necessário aprendermos a cuidar da nossa saúde mental. Devemos encontrar uma maneira saudável, manejável e, de preferência, prazerosa para balancear o lado bom e ruim da vida. Essa busca leva tempo e muita tentativa e erro para encontrar a sua fórmula.
Em seguida, essa fórmula precisa se tornar um hábito. Ela precisa se tornar parte integral de sua lista de afazeres, mas não ser uma obrigação. Senão, fica chato e ninguém gosta de coisas chatas. Logo, você começará a procurar outras fórmulas para substituí-la.
Dicas para cuidar da saúde mental
Para cuidar de nossa saúde mental, precisamos compreender que não há nada de errado em voltar o olhar para si mesmo de vez em quando. Nossas mentes e corpos são ferramentas vitais para o nosso funcionamento. Então, é natural cuidar deles para termos uma vida feliz e com mais qualidade.
Quando você estiver imerso naquele projeto longo do trabalho ou em um problema familiar difícil, lembre-se de parar para respirar por alguns instantes. Se quiser dar uma volta para clarear os pensamentos, tudo bem. É possível voltar à pendência mais tarde, quando estiver pronto.
1. Encontre a felicidade além das redes sociais
Sua vida não está toda nas telinhas, mas, sim, na realidade. Abandone as redes sociais por alguns minutos de seu dia para descansar a mente. Não passe horas no Instagram maravilhoso daquela pessoa que você acredita estar muito feliz. Procure encontrar a sua felicidade também.
De acordo com uma pesquisa realizada pela instituição de saúde pública do Reino Unido, Royal Society for Public Health, e do Movimento de Saúde Jovem, o compartilhamento excessivo de fotos no Instagram influencia negativamente a autoimagem, prejudica o sono e aumenta o medo de não estar vivendo tudo o que a vida tem para oferecer.
Reserve um tempo em sua agenda semanal para desconectar das redes sociais. Deixe o celular longe, em outro cômodo, e foque em coisas que realmente importam para você.
2. Reflita sobre a sua vida atual
Você tem um sonho e faz de tudo para realizá-lo. Todos os dias, você se esforça, faz sacrifícios e procura ser a melhor pessoa possível para aproveitar aquele sonho.
Por estar muito focado, você não se dá muito bem com frustrações . Você se culpa quando algo dá errado, pois irá tornar a sua jornada mais lenta. Mesmo doente e cansado você continua firme.
Preservação é uma virtude extraordinária. Quem a domina é capaz de fazer grandes mudanças em sua vida e na dos outros. Porém, você já parou para pensar que, talvez, não queira realmente aquele sonho? Muitos dos conflitos das pessoas estão associados a viver uma falsa vida ou deixar a qualidade do seu presente de lado para perseguir o futuro. Quem sabe você não está perseguindo um ideal que, na verdade, não é seu?
Sempre que possível, reflita sobre sua vida. Questione se você está feliz ou se acredita que a felicidade está em outro lugar. Essa auto percepção irá ajudá-lo a tomar decisões que condizem com seus verdadeiros interesses.
3. Faça meditação
A meditação é uma técnica excelente para nos manter presentes, conscientes e calmos sobre pressão. Devido a sua popularização, já existem meditações para problemas específicos como ansiedade, pensamentos ruins e falta de prosperidade.
Com a mente quieta e silenciosa conseguimos administrar as situações cotidianas com coerência. Não trazemos as emoções negativas de uma discussão ou uma fechada no trânsito para nós, por exemplo.
Dormimos melhor. Aprendemos a controlar nossos pensamentos, separando o que é bom e ruim.
Com tranquilidade, podemos realizar atividades multitarefas e permanecer em ambientes estressantes por mais tempo. Tudo isso porque a meditação constrói uma espécie de camada protetora ao redor da nossa mente. Desse modo, não deixamos qualquer coisa passar por lá.
4. Pratique exercícios com frequência
A prática de exercícios físicos estimula a liberação do hormônio da felicidade - a dopamina - em nosso corpo. Além disso, atividades físicas também podem agir como pequenos períodos de refúgio de nossa vida caótica.
Quando nos exercitamos nos focamos em nossos movimentos e respiração ou acabamos fazendo o movimento errado. Não sobra tempo para pensar nos problemas do dia a dia. A yoga, por exemplo, é uma atividade física que retoma a atenção para o momento da prática.
5. Consulte um psicólogo
Em meio ao turbilhão de obrigações, o psicólogo pode nos ajudar a organizar nossas vidas e administrar nossas emoções. Com o acompanhamento psicológico, descobrimos detalhes sobre nossa personalidade e porque somos do jeito que somos.
Dessa forma, podemos melhorar o nosso desempenho profissional, fortalecer relacionamentos e desenvolver o amor-próprio, entre muitos outros benefícios para a saúde emocional.
Assim que você perceber que algo não está certo, que você não se sente tão bem como antes, procure um profissional para ajudá-lo a encontrar as causas para o seu desconforto. Não hesite, pois é mais fácil fazer um tratamento eficaz logo no início.
6. Seja um pouco egoísta
Pense em você. O que te faz bem? O que te faz mal? Traga para sua vida apenas positividade. Se permita fazer algo que lhe traga felicidade com frequência. Afaste as pessoas tóxicas, os problemas insolúveis e a preocupação excessiva. Não se sinta mal por se distanciar.
Popularmente fala-se que cuidar de você é um ato de egoísmo, mas, na real, é um ato de amor. Apenas você sabe o que é melhor para você mesmo. Se sentir a necessidade de desconectar de tudo e todos, faça isso por algumas horas ou um fim de semana.
Desacelerar não quer dizer ignorar seus problemas e se distrair com atividades mais prazerosas. Isso se chama procrastinação . Desacelerar é encontrar a melhor maneira possível de lidar com as complicações do cotidiano para não afetar a sua saúde mental e física.
*Tatiana Pimenta é CEO e fundadora da Vittude , plataforma que conecta psicólogos e pacientes. Faz psicoterapia pessoal há quase 7 anos, sendo apaixonada por psicologia e comportamento humano.
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terça-feira, 10 de dezembro de 2019
terça-feira, 29 de outubro de 2019
Ambiente de trabalho pode ser gatilho para transtornos mentais
Redação
De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), as doenças e transtornos mentais afetam mais de 400 milhões de pessoas no mundo. Cerca de 75% a 85% das pessoas que sofrem desses males não têm acesso a tratamento adequado, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). A neuropsicóloga Marcella Bianca Neves, do Instituto do Cérebro e membro da Sociedade Brasileira de Neuropsicologia (SBNP), alerta que as doenças mentais mais comuns que estão relacionadas ao ambiente de trabalho são depressão, transtorno de pânico, ansiedade e síndrome de Burnout.
Então, a solução para os transtornos mentais vai além de oferecer medicamentos e internação. "O acompanhamento psicológico frequente é fundamental para uma vida mais saudável e produtiva. Precisamos repensar as questões do suicídio, da medicalização e do aumento de cerca de 500% no consumo de Ritalina, nos últimos anos. Temos que mudar o paradigma de que a psicoterapia serve apenas para pessoas com graves problemas psicológicos. A psicoterapia é fundamental para todas as pessoas e cuidar da saúde mental não é frescura".
A especialista destaca que alguns estudos provam que o trabalho está totalmente associado ao estado emocional das pessoas, pois jornadas intermináveis, cobrança desenfreada, falta de reconhecimento, metas abusivas, suportar desaforos e não conseguir impor limites são algumas situações que favorecem o esgotamento emocional. "Uma pesquisa realizada pela Universidade Nacional Australiana concluiu que ter um emprego estressante é pior para a saúde mental dos indivíduos do que não ter emprego. Segundo o artigo, os profissionais desempregados estavam em melhores condições do que aqueles que se sentiam sobrecarregados, inseguros e mal remunerados", comenta.
Muitos pacientes relatam ter insônia, acordar mais cedo do que o habitual, apresentar dor de cabeça constante, mau humor, desânimo, cansaço excessivo, falta de concentração, angústia quando o domingo termina, mal-estar e aperto no peito.
Segundo a neuropsicóloga, o estilo de vida pode desencadear os transtornos mentais, com isso, é importante desenvolver estratégias: “Como reconhecer que os pensamentos e sentimentos são apenas pensamentos e sentimentos - e não fatos; buscar auxílio especializado; manter o local de trabalho organizado; fazer pausas; procurar o autoconhecimento; desfrutar de momentos de lazer com amigos e familiares e aprender a separar o trabalho do cotidiano", finaliza Marcella.
No Brasil, a estimativa é de que 23 milhões de pessoas passem por tais problemas, sendo ao menos 5 milhões em níveis de moderado a grave.
De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), as doenças e transtornos mentais afetam mais de 400 milhões de pessoas no mundo. Cerca de 75% a 85% das pessoas que sofrem desses males não têm acesso a tratamento adequado, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). A neuropsicóloga Marcella Bianca Neves, do Instituto do Cérebro e membro da Sociedade Brasileira de Neuropsicologia (SBNP), alerta que as doenças mentais mais comuns que estão relacionadas ao ambiente de trabalho são depressão, transtorno de pânico, ansiedade e síndrome de Burnout.
Então, a solução para os transtornos mentais vai além de oferecer medicamentos e internação. "O acompanhamento psicológico frequente é fundamental para uma vida mais saudável e produtiva. Precisamos repensar as questões do suicídio, da medicalização e do aumento de cerca de 500% no consumo de Ritalina, nos últimos anos. Temos que mudar o paradigma de que a psicoterapia serve apenas para pessoas com graves problemas psicológicos. A psicoterapia é fundamental para todas as pessoas e cuidar da saúde mental não é frescura".
A especialista destaca que alguns estudos provam que o trabalho está totalmente associado ao estado emocional das pessoas, pois jornadas intermináveis, cobrança desenfreada, falta de reconhecimento, metas abusivas, suportar desaforos e não conseguir impor limites são algumas situações que favorecem o esgotamento emocional. "Uma pesquisa realizada pela Universidade Nacional Australiana concluiu que ter um emprego estressante é pior para a saúde mental dos indivíduos do que não ter emprego. Segundo o artigo, os profissionais desempregados estavam em melhores condições do que aqueles que se sentiam sobrecarregados, inseguros e mal remunerados", comenta.
Muitos pacientes relatam ter insônia, acordar mais cedo do que o habitual, apresentar dor de cabeça constante, mau humor, desânimo, cansaço excessivo, falta de concentração, angústia quando o domingo termina, mal-estar e aperto no peito.
Segundo a neuropsicóloga, o estilo de vida pode desencadear os transtornos mentais, com isso, é importante desenvolver estratégias: “Como reconhecer que os pensamentos e sentimentos são apenas pensamentos e sentimentos - e não fatos; buscar auxílio especializado; manter o local de trabalho organizado; fazer pausas; procurar o autoconhecimento; desfrutar de momentos de lazer com amigos e familiares e aprender a separar o trabalho do cotidiano", finaliza Marcella.
No Brasil, a estimativa é de que 23 milhões de pessoas passem por tais problemas, sendo ao menos 5 milhões em níveis de moderado a grave.
segunda-feira, 14 de outubro de 2019
Transtornos mentais atingem 20% da população, aponta estudo
Redação
Tema recorrente em alguns setores da sociedade, a saúde mental esteve cercada de tabus e preconceitos ao longo de décadas, mas nos últimos anos ganhou visibilidade e se tornou pauta obrigatória em debates sobre qualidade de vida e bem-estar. Atenta à questão, a Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) realizou no último dia 9 9, em sua sede em São Paulo, um workshop com a participação do presidente do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), Wagner Gattaz.
Logo no início, o médico apresentou dados alarmantes de um estudo, do qual ele é um dos pesquisadores, realizado com 5 mil pessoas de diferentes situações socioeconômicas, em São Paulo. A pesquisa mostrou que 20% dos indivíduos participantes tinham transtorno de ansiedade, 11% depressão e 4% abusavam de álcool e drogas. O especialista informou ainda que a depressão atinge o cérebro do enfermo, diminuindo consideravelmente sua atividade.
Focado no ambiente corporativo, Gattaz trouxe gráficos comprovando que 2/3 dos custos referentes às doenças psiquiátricas são indiretos, isto é, não ocorrem por conta do tratamento. "Cerca de 40% das pessoas com depressão não sabem que têm a doença, isso acarreta uma série de consultas com especialistas errados por conta de alguns sintomas como indisposição e, consequentemente, haverá custo com exames para investigar essa possível doença física que não existe", ponta. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), foram gastos 2,5 trilhões de dólares com doenças mentais em 2010, e esse valor deve chegar em 6 trilhões em 2030.
Mas vale ressaltar que a depressão tem tratamento e programas de saúde mental costumam dar um retorno rápido. "Após três semanas de tratamento, o indivíduo já é capaz de retornar às atividades normais, voltar ao trabalho, aos estudos e afins", afirma Gattaz, que na sequência abordou o Burnout e explicou que a doença é uma versão da depressão causada por questões laborais que, consequentemente, acarreta a perda de prazer e produtividade neste e em outros ambientes.
Após a explanação sobre doenças mentais, três hospitais apresentaram seus projetos voltados aos colaboradores em prol de uma melhor qualidade de vida no trabalho. O coordenador médico do trabalho do Hospital Tacchini, Miguel Schmiedel, contou que a instituição tem avaliado os níveis de estresse e autoestima dos colaboradores por meio do projeto Bem Cuidar Ocupacional, e criou o "Acolher", em 2018, programa de escuta promovido pelo serviço de psicologia a todos os setores do hospital.
Já a psicóloga e gerente de Gestão de Pessoas do Hospital Albert Sabin, Raquel Oliveira, falou sobre a ronda diária feita pelo departamento de Recursos Humanos da instituição: "Com o objetivo de criar um vínculo entre RH e colaborador, para que ele se sinta à vontade para falar e seja escutado sem finalidade hierárquica". Essa ação faz parte do projeto Lado a Lado, que pretende entender o significado do trabalho para o funcionário e saber quais são seus desejos dentro daquele ambiente, para que a instituição possa investir em projetos certeiros.
Já o gerente médico de Saúde e Qualidade de Vida do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Leonardo Piovesan, encerrou os cases com o projeto Saúde Integral, que conta com três modalidades de atendimento divididas em atenção primária a saúde (APS), saúde ocupacional, e qualidade de vida e bem-estar. As atividades oferecidas aos colaboradores vão desde aulas de yoga, pilates e balé, até coaching para gerenciamento de estresse e atendimento psicoterápico, este último podendo ser usufruído também pelo dependente, assim como a academia de ginástica da unidade Paulista do hospital.
Piovesan mostrou que a partir da implementação do programa houve redução de 31% nos níveis de estresse dos funcionários e contou que índices referentes à colesterol, hipertensão e até mesmo tabagismo diminuíram por meio dessas ações, reforçando a importância desse movimento em prol de um ambiente de trabalho mais saudável para todos.
Tema recorrente em alguns setores da sociedade, a saúde mental esteve cercada de tabus e preconceitos ao longo de décadas, mas nos últimos anos ganhou visibilidade e se tornou pauta obrigatória em debates sobre qualidade de vida e bem-estar. Atenta à questão, a Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) realizou no último dia 9 9, em sua sede em São Paulo, um workshop com a participação do presidente do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), Wagner Gattaz.
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| A pesquisa mostrou que 20% dos indivíduos participantes tinham transtorno de ansiedade, 11% depressão e 4% abusavam de álcool e drogas | Foto: Freepik |
Logo no início, o médico apresentou dados alarmantes de um estudo, do qual ele é um dos pesquisadores, realizado com 5 mil pessoas de diferentes situações socioeconômicas, em São Paulo. A pesquisa mostrou que 20% dos indivíduos participantes tinham transtorno de ansiedade, 11% depressão e 4% abusavam de álcool e drogas. O especialista informou ainda que a depressão atinge o cérebro do enfermo, diminuindo consideravelmente sua atividade.
Focado no ambiente corporativo, Gattaz trouxe gráficos comprovando que 2/3 dos custos referentes às doenças psiquiátricas são indiretos, isto é, não ocorrem por conta do tratamento. "Cerca de 40% das pessoas com depressão não sabem que têm a doença, isso acarreta uma série de consultas com especialistas errados por conta de alguns sintomas como indisposição e, consequentemente, haverá custo com exames para investigar essa possível doença física que não existe", ponta. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), foram gastos 2,5 trilhões de dólares com doenças mentais em 2010, e esse valor deve chegar em 6 trilhões em 2030.
Mas vale ressaltar que a depressão tem tratamento e programas de saúde mental costumam dar um retorno rápido. "Após três semanas de tratamento, o indivíduo já é capaz de retornar às atividades normais, voltar ao trabalho, aos estudos e afins", afirma Gattaz, que na sequência abordou o Burnout e explicou que a doença é uma versão da depressão causada por questões laborais que, consequentemente, acarreta a perda de prazer e produtividade neste e em outros ambientes.
Após a explanação sobre doenças mentais, três hospitais apresentaram seus projetos voltados aos colaboradores em prol de uma melhor qualidade de vida no trabalho. O coordenador médico do trabalho do Hospital Tacchini, Miguel Schmiedel, contou que a instituição tem avaliado os níveis de estresse e autoestima dos colaboradores por meio do projeto Bem Cuidar Ocupacional, e criou o "Acolher", em 2018, programa de escuta promovido pelo serviço de psicologia a todos os setores do hospital.
Já a psicóloga e gerente de Gestão de Pessoas do Hospital Albert Sabin, Raquel Oliveira, falou sobre a ronda diária feita pelo departamento de Recursos Humanos da instituição: "Com o objetivo de criar um vínculo entre RH e colaborador, para que ele se sinta à vontade para falar e seja escutado sem finalidade hierárquica". Essa ação faz parte do projeto Lado a Lado, que pretende entender o significado do trabalho para o funcionário e saber quais são seus desejos dentro daquele ambiente, para que a instituição possa investir em projetos certeiros.
Já o gerente médico de Saúde e Qualidade de Vida do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Leonardo Piovesan, encerrou os cases com o projeto Saúde Integral, que conta com três modalidades de atendimento divididas em atenção primária a saúde (APS), saúde ocupacional, e qualidade de vida e bem-estar. As atividades oferecidas aos colaboradores vão desde aulas de yoga, pilates e balé, até coaching para gerenciamento de estresse e atendimento psicoterápico, este último podendo ser usufruído também pelo dependente, assim como a academia de ginástica da unidade Paulista do hospital.
Piovesan mostrou que a partir da implementação do programa houve redução de 31% nos níveis de estresse dos funcionários e contou que índices referentes à colesterol, hipertensão e até mesmo tabagismo diminuíram por meio dessas ações, reforçando a importância desse movimento em prol de um ambiente de trabalho mais saudável para todos.
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