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segunda-feira, 13 de maio de 2019

Três em cada cinco mulheres sofrem violência em um relacionamento afetivo

Redação

No Brasil, a taxa de feminicídio é a quinta maior no mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Os dados apontam que três em cada cinco mulheres já sofreram, ou sofrem, violência física ou moral em um relacionamento afetivo. Não é à toa que cerca de 40% dos casos de violência acontecem dentro de casa. Só em 2018, 536 mulheres foram agredidas fisicamente por hora no Brasil.

Enxergar e sair de um relacionamento abusivo nem sempre é simples, em alguns casos, passam-se anos até a mulher perceber que algo está errado, que não é normal o que ela vive e que ela precisa se afastar, comenta a psicóloga Mariete Duarte | Imagem: reprodução

Desse modo, saber identificar e enxergar relacionamentos abusivos e tratar a saúde emocional da mulher vítima desse tipo de violência é fundamental. Falar sobre o assunto, principalmente em um contexto atual tão preocupante e alarmante, é cada vez mais importante, de acordo com a psicóloga da Clínica Maia, Mariete Duarte.

"Muitas vezes, a mulher que está vivendo em um relacionamento abusivo vai ao longo do tempo se afastando de familiares e amigos mais próximos e convivendo com um intenso estado de tensão e vigilância, sem saber ao certo o por que se sente assim. Evita marcar encontros com amigos ou pessoas próximas, porque seu companheiro não se sente bem com isso e, sem perceber, passa a ter um relacionamento altamente estreito, em que o foco de vida torna-se apenas ele", explica Mariete.

Segundo a especialista, enxergar e sair de um relacionamento abusivo nem sempre é simples, em alguns casos, passam-se anos até a mulher perceber que algo está errado, que não é normal o que ela vive e que ela precisa se afastar. Isso porque esse tipo de relação nunca começa com uma agressão física, na verdade, inicia-se com traços de dominação psicológica, como a diminuição da autoestima, dependência financeira e, por fim, a agressão. Em vários momentos, o parceiro não se mostra sempre violento, sendo também gentil, sensível e carinhoso; é aquilo: "a mão que afaga e a mesma que agride", ressalta a psicóloga.

A profissional dá algumas dicas importantes. "Você entrega suas senhas ou partilha a mesma conta nas redes sociais com o seu parceiro? Isto não é algo que faz parte de um relacionamento saudável.  Acredita que o ciúmes em excesso do companheiro é sinal de cuidado? É um erro. É um fator perigoso e está ligado à insegurança do outro e controle. Há falta de diálogo ou mesmo resolução de brigas sem uma boa conversa? Isso é algo que pode trazer prejuízos psicológicos", comenta.
Entre outras questões que podem existir, segundo a psicóloga, é o parceiro utilizar o fator financeiro para persuadir a mulher a permanecer na relação, ou mesmo forçar relações sexuais, e existir chantagens emocionais.

As vítimas do problema, no tratamento, conseguem se sentir capazes e confiantes para seguir um novo caminho e se blindar, sem ficar na sombra de outra pessoa novamente. "A terapia permite à mulher voltar a se socializar sem medo, e a ter pessoas queridas fazendo parte de sua vida de novo. Saber identificar relações abusivas, a fim de evitá-las no futuro, é também um dos grandes focos do trabalho psicológico", conta Mariete.

O relacionamento abusivo pode acarretar consequências sérias à saúde mental. Se houver humor deprimido ou irritadiço por um período prolongado; quando conquistas e elogios já não fazem sentido, como se sentisse estar num estado "automático"; é importante procurar auxílio, pois o agravamento desses sinais pode resultar em um nível elevado de estresse, atingindo significativamente a qualidade de vida e podendo desencadear uma depressão profunda. Então, o tratamento é feito através de psicoterapia individual e em grupo, conforme cada caso.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Relacionamento abusivo: os primeiros sinais e como superá-los

*Por Uranio Bonoldi

O assunto de hoje é extremamente delicado e importante a todos que se dedicarem à leitura do texto. Vivemos em um país que o ocupa o quinto lugar no ranking de feminicídio, de acordo com a ONU Mulheres. No Brasil, cerca de 41% dos casos de violência acontecem dentro de casa. Além disso, segunda a mesma organização, três em cada cinco mulheres sofreram, ou sofrem, violência física ou moral em um relacionamento afetivo. E é por isso que hoje precisamos falar de relacionamento abusivo.

Três em cada cinco mulheres sofreram, ou sofrem, violência física ou moral, em um relacionamento afetivo | Foto: reprodução
Apesar de estes dados alarmantes refletirem a realidade das mulheres brasileiras, também é importante ressaltar que homens também podem ser vítimas dessa situação. Antes de começar a citar alguns exemplos de sinais de relacionamento abusivo, eu gostaria que você respondesse alguma questões que podem te ajudar a enxergar melhor, caso você esteja vivendo esse tipo de inconveniência dentro da sua relação. Responda rapidamente: esse relacionamento tem mais momentos felizes ou tristes? Você sente que se doa muito mais do que recebe? É comum o sentimento de culpa e de preocupação com a relação?

Caso as respostas sejam sim, ou você teve alguma dúvida para respondê-las chegou a hora de refletir melhor sobre sua relação.

Compartilho aqui cinco sintomas que você pode estar vivendo, que te ajudará a identificar, se você pode estar vivendo um relacionamento abusivo ou não. São eles:

1 – Oscilação de humores

Seu companheiro(a) ora é muito gentil e delicado(a), ora muda de humor repentinamente. Fica rude e rancoroso(a), criando sempre um ciclo-vicioso de expectativas, insegurança e aquela dúvida na parceira/parceiro: como será que ele(a) vai estar hoje? Será que vai acordar bem? Vai estar bem à noite? E a sensação que fica é que você sempre tem que fazer alguma coisa para melhorar a situação, e não o seu companheiro(a).

2 – Humilhação em público

Te constrange e humilha na frente dos amigos e da família. Evita que você fique perto dos amigos e de parentes, enfim, te força a se distanciar de qualquer pessoa que possa te dar apoio. Diz que você não é nada e nem ninguém sem ele/ela.

3 – Controle de roupas e finanças

Faz com que você se sinta incapaz de tomar decisões. Passa a interferir no seu estilo de vida, de roupas que usa, penteado, comportamento etc. Tira os seus próprios objetos de você e controla as suas finanças. Não estimula os seus sonhos e diz que nada do que você fizer pode dar certo. Te desautoriza de quase tudo.

4 – Você precisa implorar para o que quer

Seu parceiro/parceira não faz uma coisa que sabe que você gosta para que você precise 'implorar pelo o que quer. É manipulador. Quer mostrar quem manda, te colocando em situações extremamente desconfortáveis.

5 – Transferência de culpa

Passa horas te ignorando com caráter punitivo e injustificado. Se você pergunta por que ele ou ela está assim, a resposta é sempre algo como: 'você sabe muito bem o motivo de eu estar assim' – mesmo que você não tenha a menor ideia do que ele ou ela possa estar se referindo.

Como vocês notaram, uma relação abusiva não necessariamente envolve violência ou agressão física. A agressão psicológica pode ser a grande protagonista dessa relação e isso destrói a autoestima de qualquer pessoa. A agressão psicológica, pode sim, ser o início do que pode terminar em violência física.

E como sair dessa situação?

Procure ajuda especializada para identificar a melhor saída para seu caso, de forma muito bem refletida e planejada, já que devemos evitar piorar as coisas e não permitir qualquer risco à sua integridade física. A saída deve ser escolhida de forma a trazer o menor prejuízo, seja psicológico, físico ou moral para todos os envolvidos. A vida é muito curta para mantermos uma relação tóxica. Decida por sair desta situação o mais rápido possível.


*Uranio Bonoldi é professor de MBA de Tomada de Decisão da Fundação Dom Cabral, consultor em gestão, governança corporativa, planejamento estratégico, liderança e processos de decision making. 

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