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segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Podemos evitar 30% dos cânceres

*Por Ramon Andrade de Mello 

A população mundial vive um novo tempo onde a longevidade vem se tornando um fator presente em várias nações. Já vivemos mais do que nossos avós e os nossos netos provavelmente terão uma outra perspectiva de existência. Porém, o corpo humano tem suas próprias limitações impostas pela nossa natureza. As células humanas não possuem capacidade organizada de replicação durante o processo de senescência. Enfim, há um limite para a reprodução celular. Isso quer dizer que temos um ponto finito para enfrentar as doenças.

Tabagismo, uso do álcool, obesidade, sedentarismo, exposição à radiação solar continua ou radiações ionizantes são fatores de risco para o câncer, além dos fatores herdados geneticamente | Foto: Freepik

Assim, a perspectiva de longevidade com qualidade de vida ainda esbarra em alguns padrões que mantemos no nosso cotidiano. São hábitos que se tornam vilões no desenvolvimento de tumores. Vale lembrar que encontramos os fatores de risco herdados, mas outros podem ser modificados como tabagismo, uso do álcool, obesidade, sedentarismo, exposição à radiação solar continua ou radiações ionizantes.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), em 2004, foram 7,4 milhões de pessoas atingidas pela doença. Uma estimativa da instituição revela que o envelhecimento da população, somada a hábitos nada saudáveis e o convívio em ambientes cada vez mais artificiais, deve fazer com que cerca de 11 milhões de pessoas no mundo todo terão de enfrentar o problema até 2030.

Considerada uma das enfermidades cada vez mais comum, a casualidade do câncer tem assustado muitas pessoas no mundo todo. Mas isso pode ser diferente. Ter um estilo de vida mais saudável e evitar a exposição a substancias ocasionais é o objetivo primordial para que a doença não se desenvolva, mas há também a prevenção secundária correlacionada à infecção por HPV ou cânceres assintomáticos iniciais.

Com as estratégias certas, podemos combater essa dura realidade. Portanto, é sempre importante procurar assistência especializada, caso note qualquer anomalia em seu corpo. Um check-up anual também cai bem.

Por isso, muitas vezes as nossas próprias escolhas são o melhor fator de proteção; escolha ser saudável!

*Ramon Andrade de Mello é oncologista, professor da disciplina de oncologia clínica da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e da Escola de Medicina da Universidade do Algarve (Portugal). 

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Oncologista comenta sinais que podem indicar câncer de mama masculino

Redação

Neste início de outubro, o empresário Mathew Knowles, pai da cantora Beyoncé, revelou em entrevista ao programa de TV Good Morning America que foi diagnosticado com câncer de mama no meio deste ano. Apesar de raro, estimativas indicam que 1% dos casos da doença afetam homens.

Homens que estão no grupo de risco para desenvolver o câncer de mama, precisam realizar o autoexame  | Foto: reprodução 

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o Brasil somará cerca de 60 mil novos casos de câncer de mama em 2019, número que corresponde a 28% de todos os diagnósticos da condição registrada no país. E apesar do Outubro Rosa ser o mês de conscientização sobre a questão voltada, principalmente, às mulheres, é preciso lembrar que um dos grandes mitos da saúde é que o câncer de mama não afeta homens. Das 16.254 pessoas que morreram em decorrência de câncer de mama no país no ano passado, 185 eram homens.

O oncologista Daniel Gimenes, do Centro Paulista de Oncologia (CPO), explica que homens também apresentam glândulas mamárias. Apesar da baixa incidência, o câncer de mama masculino pode se manifestar e existe um alto percentual de mortalidade. Em cerca de 100 casos da doença, apenas um ocorre no sexo masculino. Nos Estados Unidos, por exemplo, foram registrados 1.910 casos e, na maioria das vezes, o diagnóstico é tardio, já que homens não costumam realizar a mamografia anualmente.

“Existe um problema muito comum que faz com que os homens não procurem um médico por questões de machismo, pois não passa pela cabeça de ninguém que o homem pode desenvolver um câncer de mama. Por isso, qualquer mudança suspeita na região mamária, é preciso procurar um especialista para que o câncer não seja descoberto tarde demais”, explica Gimenes.

O tratamento e os sintomas são os mesmos. Nos homens, o diagnóstico costuma ser mais rápido pelo fato de que eles têm menor tecido mamário, facilitando a visualização de um nódulo. Mas a identificação também é feita através de mamografia. “Há, é claro, além de uma desinformação, um preconceito em relação a este tipo de incidência. Apesar de não encararmos dados alarmantes no quesito, é fundamental que a população em geral, independente do gênero, esteja alerta. O diagnóstico precoce é fundamental para as chances de recuperação dos pacientes”, ressalta o médico.

O oncologista frisa adicionalmente que em muitos casos, o câncer de mama em um homem é um indício sugestivo de que o paciente seja portador de uma mutação genética hereditária no gene BRCA, sendo recomendada em todos os casos a realização do teste molecular mesmo que não haja histórico de câncer na família.

Abaixo, Gimenes destaca os cinco principais fatores que podem ser importantes na hora de detectar um câncer de mama no homem:

Genética
Se existir um caso de alguma mulher (tia, mãe, avó) com câncer de mama na família, as chances de o homem desenvolver aumenta discretamente, mas se for relacionado à mutação do BRCA, os riscos são significantemente maiores. Para isso, é recomendável que o homem faça uma pesquisa de mutação para saber se terá chances de desenvolver a doença. Além disso, existe uma síndrome genética, associada ao alto nível de estrogênio, uma condição que aumenta o índice câncer de mama em homem, principalmente quando tem a mutação do gene BRCA. Se, por exemplo, um homem no qual a irmã/mãe teve câncer de mama, as chances são maiores, por isso, é preciso ser feito um acompanhamento mais de perto.

Hormônios
 O principal motivo pelo qual as mulheres apresentam câncer de mama com mais frequência do que os homens são os hormônios. A mulher produz muito mais estrógeno do que o homem. A maioria dos cânceres de mama femininos se desenvolve por conta de hormônios sensíveis. O homem apresenta uma baixa taxa se estrógeno no corpo, contendo mais testosterona, que não leva a este tipo de câncer.

Caroço na área do tórax
 Como os homens não tem o costume de realizar exames mamários frequentemente é preciso que se atentem a alguns sintomas suspeitos. Caroço na área do tórax é dos principais sintomas do câncer de mama masculino, que pode ser acompanhado de inchaço nos linfonodos axilares.

Retração na pele
Em situações mais avançados da doença, também pode ocorrer uma retração do mamilo, ou seja, um inchaço significativo ou distorção da pele, em alguns casos acompanhados de sangue na região. Quando estes sinais são detectados, é imprescindível que se procure um médico para saber o diagnóstico correto.

Cirrose, alcoolismo e obesidade
Pacientes com distúrbios do fígado (cirrose, alcoolismo e obesidade) correm mais risco de desenvolver câncer de mama e, quanto mais velho o homem for, maior a possibilidade de a doença aparecer. Na maioria das vezes, o homem com câncer de mama não procura uma orientação quando a neoplasia ainda está no começo, o que dificulta o tratamento. Quando mais cedo o câncer é diagnosticado, maiores são as chances de cura. Por isso, já que a mamografia masculina não é recomendada como um exame de rotina, homens que estão no grupo de risco para desenvolver o câncer de mama, precisam realizar o autoexame.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Novembro Azul vai além da prevenção do câncer

Da redação

Aquela preocupação típica e precoce das mulheres no cuidado com a saúde, nem sempre é a mesma dos homens, talvez, por uma questão, mas muitos médicos e profissionais da Saúde tentam mudar esta realidade, por meio de campanhas como, por exemplo, a "Novembro Azul".  De acordo com a médica oncologista Grazielle Cristina Felippe, a ideia é ir além do trabalho de orientação sobre o câncer de próstata. 

Em caso de histórico de câncer de próstata na família, ou mutações genéticas, ida ao urologista deve ser por volta dos 35 anos, afirma a oncologista Grazielle | Foto: divulgação
"Na verdade, o Novembro Azul segue mais ou menos o princípio do Outubro Rosa. Ele é um momento em que a gente chama a atenção das pessoas para cuidarem de si mesma. Eu não estou dizendo pra você que é preciso um cuidado apenas com câncer de próstata, eu estou pedindo para que você olhe para você e cuide de você", destaca.  

Ainda segundo a oncologista da Clínica Neoplasias, em Itajaí, esta é uma oportunidade para tentar fazer com que os homens reflitam sobre a importância de cuidar da saúde, já que existe um envolvimento coletivo e uma abordagem de campanhas na mídia, médicos, enfermeiros e especialistas.

Nestas abordagens, os médicos conseguem realizar também um trabalho de desmistificação dos mitos que cercam o exame de próstata e as possibilidades de tratamento em um diagnóstico precoce.  "Em alguns casos você pode inclusive não tratar. Você pode observar e indicar o tratamento quando for efetivamente necessário. Em um dos protocolos que temos aqui na Clínica existem pacientes nesta situação. Nós estamos observando, cuidando deles para evitar os efeitos colaterais. Mas isso só é possível, por causa do diagnóstico feito em uma fase precoce", afirma a médica.

Já sobre os temidos mitos, os médicos aproveitam o mês de novembro para negar que a vasectomia aumenta o risco de câncer de próstata, reforçar que o exame de toque é indolor ou que o tratamento deixa o paciente impotente. Mitos que devem ser deixados de lado quando o assunto é a qualidade de vida e a saúde dos homens. Por causa dos receios, existe um alto índice de diagnóstico tardio, principalmente na população mais carente, onde os efeitos colaterais são maiores.

A orientação da oncologista para reverter os índices gira em torno do conhecimento que o homem deve ter do seu corpo e organismo. Se o jato de urina está mais fraco, se existe alteração no aparelho urinário, sensação de peso na pelve é preciso procurar um urologista. Além destes sintomas, histórico familiar deve ser levado em conta. "A partir dos 50 anos o homem deve procurar um urologista e se existe um histórico de câncer de próstata na família, ou casos de mutações genéticas, esse homem deve antecipar a consulta, já por volta dos 35 anos", finaliza a médica.

Segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca), neste ano devem ser registrados 61,2 mil novos casos de câncer de próstata no Brasil. Dados do Ministério da Saúde indicam que 14.484 homens morreram em decorrência da doença no país em 2015. No Brasil, o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens, atrás apenas do câncer de pele não melanoma.



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