Segundo dados da Fundação Oswaldo Cruz, (Fiocruz), uma em cada quatro mulheres sofrem com a depressão pós-parto. A situação também acomete os homens: de 10% a 15% dos pais passam pelo problema, após o nascimento dos filhos, que pode levar, em casos extremos, ao suicídio. A ginecologista e obstetra Mariana Rosário - membro da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (Sogesp) ) e do corpo clínico do Hospital Albert Einstein - explica comportamentos que podem indicar a situação.
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| É preciso que os casais estejam atentos aos sintomas de ambos – e não apenas da mulher, recomenda a ginecologista Mariana Rosário |
Os sintomas da depressão pós-parto são caracterizados como tristeza, apatia, desalento e pode ou não ocorrer a rejeição ao bebê. As causas fisiológicas mais comuns do quadro depressivo pós-parto são as alterações hormonais bruscas que ocorrem com a mulher, ou casos apenas emocionais.
Porém, raramente se fala sobre a depressão masculina, após o nascimento do filho. A ginecologista explica que a mudança de vida causada pela chegada do bebê pode trazer ao homem incertezas e inseguranças – as mesmas que são causadas à mulher.
"Assim como muitas mulheres não estão preparadas para ser mães, diversos homens não se veem no papel de pais e um turbilhão de emoções toma conta de suas vidas. É aí que eles não dão conta do momento. Além disso, a nova rotina, o dividir a esposa com o bebê nem sempre são momentos fáceis de encarar. Muitos precisam de ajuda e, não a encontrando, desenvolvem a depressão”, explica Mariana.
A médica já presenciou casos em consultório, que a deixaram impressionada. "Alguns começam com o afastamento do homem da família. Muitos se enterram no trabalho, deixando as atividades familiares totalmente de lado. Depois, vem a depressão, a fadiga, o esgotamento físico e mental", detalha a especialista.
O diagnóstico para a depressão "pós-parto" masculina, muitas vezes, se dá no consultório obstétrico, apesar do tratamento ser realizado com a combinação de atendimento psiquiátrico e psicológico.
"Quando o casal vem em consulta, é comum que a paciente se queixe do esposo e, numa conversa rápida, conseguimos detectar o problema. É aí que orientamos o casal a procurar ajuda", diz Mariana.
O alerta, portanto, deve ser feito: é preciso que os casais estejam atentos aos sintomas de ambos – e não apenas da mulher – na chegada do bebê, afinal, a saúde de toda a família é importante para este momento de tanta alegria e a depressão pode ser precursora do suicídio, tema da campanha do Setembro Amarelo.


