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segunda-feira, 13 de maio de 2019

Ortopedista comenta mitos e verdades sobre a hérnia de disco

Redação
 
Uma em cada seis pessoas no mundo sofre de algum tipo de problema causado pela hérnia discal, lombar, cervical e dorsal. O ortopedista Maurício Marteleto Filho, membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), esclarece as dúvidas mais comuns sobre o problema, que é uma das principais causas de afastamento do trabalho no Brasil. 

Fatores genético, mecânico, degenerativo, nervoso, vascular, imunológico, infeccioso e biológico podem causar a hérnia de disco | Imagem: reprodução

Existem várias causas para a hérnia, que pode ser evolutiva e envolver fatores genético, mecânico, degenerativo, nervoso, vascular, imunológico, infeccioso e biológico. 

Para o ortopedista, alguns casos de hérnia discal podem causar adormecimento e perda de função motora do membro e, em situações extremas, até a paralisia. "Os sintomas variam entre dor lombar, cervical e dorsal, além da ciática, da braquialgia e da dor intercostal, que se transmitem no trajeto da raiz nervosa inflamada na coluna até a extremidade do membro", explica.

Segundo o especialista, repouso e uso de analgésicos são os tratamentos iniciais para quem tem hérnia de disco. Exames mais detalhados vão auxiliar no diagnóstico. "Uma análise cuidadosa e regular da saúde em geral e um tratamento adequado da causa da hérnia discal podem ajudar bastante a minimizar ou sanar as dores, que causam inúmeros transtornos para a vida do paciente", afirma Marteleto Filh, que comenta abaixo o que é mito e o que é verdade sobre a doença.
 
Toda hérnia de disco precisa ser operada?  
Mito.
 
Hérnia de disco pode causar formigamento, ou dormência nos membros superiores e inferiores?  
Verdade: com o desgaste do disco intervertebral, o nervo pode ficar comprimido e ser lesado pela fricção, causando o formigamento ou dormência. 
 
Só pessoas acima do peso ou obesas têm hérnia de disco?  
Mito: pessoas magras também podem sofrer o desgaste do disco intervertebral. 
 
Fazer exercício físico de forma errada pode causar hérnia de disco?  
Verdade: procure um especialista para auxiliá-lo na prática esportiva. Repetir movimentos de forma errada pode lesar a cartilagem, que existe entre as vértebras e acarretar em uma lesão. 
 
Apenas pessoas idosas podem ter hérnia de disco?  
Mito: adultos e jovens também podem sofrer deste mal. 
 
Tratamentos alternativos podem aliviar a dor e até tratar o problema?  
Verdade: sessões de fisioterapia, acupuntura, compressas quentes ou frias e ozonioterapia podem aliviar o desconforto. 
 
Hérnia de disco pode causar dor de cabeça?  
Verdade: se a hérnia for cervical, a dor pode irradiar para a região craniana. 

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Hérnia de disco é uma das principais causas de dor nas costas

Da redação
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 70% a 85% da população tem ou terá um episódio de dor nas costas no decorrer da vida. Uma das principais causas de quadros dolorosos relacionados à coluna é a hérnia de disco. Estima-se que a hérnia discal lombar afeta de 2% a 3% da população. A prevalência é de 4,8% em homens e 2,5% em mulheres.

As hérnias de disco costumam aparecer entre os 40 e 50 anos | Foto: Reprodução
Segundo o neurocirurgião e especialista em cirurgia da coluna, Iuri Weinmann, as hérnias de disco lombar e cervical costumam aparecer entre os 40 e 50 anos, havendo outros picos de incidência entre 25 e 35 anos e, menos frequentemente, entre 50 e 60 anos. Em 76% dos casos, a pessoa tem um antecedente de dor lombar até uma década antes.

Fatores de Risco
“Hoje, há fortes indícios de que a genética tem mais influência no desenvolvimento da hérnia de disco do que os fatores ambientais. Porém, hábitos como carregar muito peso (principalmente exercendo esforço intenso de forma súbita), sedentarismo, excesso de atividades que demandem muito da coluna, má postura, tabagismo e processo natural de envelhecimento são importantes fatores de risco”, explica Weinmann.

Como começa
“Na coluna se encontram os discos intervertebrais, estruturas que ficam entre as vértebras cuja principal função é amortecer o impacto de um osso no outro. Quando há desgaste desses discos eles podem romper-se e pressionar os nervos mais próximos, levando à dor. A hérnia de disco pode atingir a região cervical ou a região lombar, sendo esta última a mais comum”, explica o especialista.

Segundo o especialista, normalmente, a hérnia de disco lombar começa como uma lombalgia, uma simples dor nas costas. Mas, em geral, essa dor evolui para uma lombociatalgia, que ocorre quando a dor lombar está associada à irradiação para os membros inferiores (pernas e pés) devido à compressão da raiz do nervo, como a do ciático. 

A hérnia de disco cervical começa com uma dor no pescoço que irradia para os ombros ou braços, causando fraqueza muscular e formigamento quando há compressão da raiz nervosa. “É importante entender que nem toda hérnia de disco vai causar dor. A herniação, degeneração do disco e a estenose (compressão) do canal espinal não são responsáveis individualmente pela dor. É preciso levar em conta a compressão mecânica e as mudanças inflamatórias que ocorrem no disco e na raiz nervosa”, explica o neurocirurgião.

Cirurgia minimamente invasiva
Após o diagnóstico da hérnia de disco, o médico irá realizar o tratamento conservador, que pode incluir repouso, medicamentos anti-inflamatórios, analgésicos, acupuntura, fisioterapia e fortalecimento muscular. Na maioria dos casos, a evolução é boa. Porém, cerca de 5% a 10% dos pacientes vão precisar de cirurgia para tratar a hérnia de disco, especialmente se for grande e estiver comprimindo os nervos.

“Há vários tipos de cirurgias que podem ser feitas. Entre elas a microcirurgia e discectomia tradicional, empregando a microtécnica microcirúrgica; a microsdiscectomia tubular, com ou sem auxílio endoscópico, e a microdiscectomia totalmente endoscópica. Contudo, buscamos cada vez mais realizar procedimentos minimamente invasivos devido aos seus comprovados benefícios, como recuperação mais rápida, menor risco de infecções e menor tempo de internação hospitalar,”, diz o neurocirurgião. As técnicas cirúrgicas que reúnem estas vantagens são as duas últimas (microsdiscectomia tubular com ou sem auxílio endoscópico e a microdiscectomia totalmente endoscópica). 

As vantagens desse procedimento quando comparadas aos da cirurgia clássica de hérnia de disco são inúmeras. “É usada anestesia local com sedação em vez de anestesia geral. Isso permite, por exemplo, operar pacientes que não poderiam se submeter a uma sedação geral. O corte na pele é menor, o sangramento é mínimo, há menos dor no pós-operatório e a recuperação é mais rápida. Todos os benefícios desse tipo de cirurgia são importantes para que o paciente retorne às atividades cotidianas, especialmente ao trabalho”, finaliza o médico.


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