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sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Diabéticos são mais propensos a ter olho seco

Redação

O diabetes é uma condição de saúde debilitante que deve atingir proporções epidêmicas nos próximos 20 anos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Já pesquisas recentes revelam que a doença do olho seco deve causar preocupação a todas as pessoas com diabetes - especialmente aquelas com tipo 2 - quando se trata de agravar a visão.

Pesquisa aponta que a Síndrome do Olho Seco é duas vezes mais comum no diabetes tipo 2 | Foto: reprodução

Existem dois tipos de diabetes: pessoas com tipo 1 são incapazes de produzir o hormônio insulina (do pâncreas), que está envolvido no controle dos níveis de açúcar no sangue. Pessoas com diabetes tipo 2 não produzem insulina suficiente ou seus corpos são resistentes a ela. Como resultado, ambos os tipos podem levar a altos níveis de açúcar no sangue, o que aumenta o risco de complicações dos diabetes.

O oftalmologista Virgílio Centurion, diretor do Instituto de Moléstias Oculares (IMO) e especialista em retina, comenta que complicações dos diabetes podem afetar a saúde ocular. “Uma dessas complicações é a doença da retina (retinopatia). Se os níveis de açúcar no sangue são constantemente altos em uma pessoa, isso pode danificar os vasos sanguíneos. Isso significa que o fluxo sanguíneo pode ser impedido ou bloqueado e, quando isso acontece, nos vasos sanguíneos que irrigam aos olhos, a retina não funciona adequadamente, levando a problemas de visão”, explica.

De acordo com a OMS, 108 milhões de pessoas em todo o mundo tinham diabetes em 1980; em 2014, esse número era de 422 milhões. Três anos depois, em 2017, 425 milhões de pessoas em todo o mundo estavam vivendo com a doença e esse número deve exceder os 629 milhões, em 2045.


O flagelo do olho seco
Pessoas com diabetes são mais propensas a sofrer com a Síndrome do Olho Seco. Mas essa condição é frequentemente negligenciada durante as avaliações oftalmológicas diabéticas, que se concentram na triagem de doenças da retina.

“O Síndrome do Olho Seco afeta aproximadamente 15% a 30% das pessoas com mais de 50 anos. Embora o olho seco pareça uma condição relativamente inócua, os sintomas podem ser muito angustiantes, incluindo visão embaçada, dor, queimação, coceira, secura, úlceras de córnea e em casos graves, cegueira. E como a boa visão está intrinsecamente relacionada à vida diária, a Síndrome do Olho Seco pode afetar a capacidade das pessoas de dirigir, ler, assistir TV e usar smartphones e computadores”, afirma a oftalmologista Sandra Alice Falvo, que também integra o corpo clínico do IMO.

Isso pode ter repercussões na qualidade de vida geral, com a Síndrome do Olho Seco prejudicando o bem-estar emocional, a produtividade no local de trabalho e outras atividades do dia-a-dia. Sabe-se que o olho seco tem um efeito negativo semelhante na qualidade de vida ao de pessoas  que vivem com angina, fraturas de quadril ou em diálise renal.

Apesar disso, a Síndrome do Olho Seco não é avaliada rotineiramente naqueles com diabetes, porque o monitoramento da doença da retina é considerado uma preocupação mais relevante e, portanto, o olho seco geralmente não é tratado. Para agravar o problema, existem poucas pesquisas investigando os efeitos da Síndrome do Olho Seco associada  ao diabetes na qualidade de vida dos pacientes. Também há pouca comparação da Síndrome do Olho Seco no diabetes tipo 1 e 2, que têm causas muito diferentes.

Novas descobertas
Um  estudo  recente de  pessoas com diabetes versus aquelas sem a doença buscou  descobrir quantas pessoas tinham sintomas da Síndrome do Olho Seco para  avaliar a gravidade desses sintomas. O  estudo  é o primeiro a avaliar o impacto da Síndrome do Olho Seco na qualidade de vida desses pacientes.

“A pesquisa apontou que a Síndrome do Olho Seco é duas vezes mais comum no diabetes tipo 2 (o tipo que representa 90% de todos os casos de diabetes) do que no tipo 1. Usando questionários que perguntavam aos pacientes se eles tinham sintomas de olho seco, descobriu-se que 55% das pessoas com diabetes tipo 2 tinham a Síndrome do Olho Seco, em comparação com 27% das pessoas com tipo 1 e 29% das pessoas que não tinham diabetes”, informa Sandra Falvo.

Também foi apontado pela pesquisa que a Síndrome do Olho Seco reduz drasticamente a qualidade de vida daqueles que portam olho seco e diabetes. Isso levanta grandes preocupações, não apenas sobre o subdiagnóstico da Síndrome do Olho Seco no diabetes, mas também sobre o bem-estar geral das pessoas com a doença.

“Os achados mostram, pela primeira vez, que o diabetes compromete consideravelmente a qualidade de vida dos pacientes e que a Síndrome do Olho Seco é uma condição ocular clínica significativa para pessoas com diabetes (principalmente no tipo 2). E como a Síndrome do Olho Seco é mais dominante no diabetes tipo 2, deve-se adicionar uma avaliação clínica da Síndrome do Olho Seco ao rastreamento da retina para beneficiar  as pessoas com essa condição”, defende a oftalmologista do IMO.

A longo prazo, o custo adicional da triagem pode superar a perda de produtividade e produzir benefícios econômicos na forma de melhoria geral do bem-estar e da saúde ocular. “Um estudo recente mostrou uma forte ligação entre depressão e sintomas de olho seco. O alívio da Síndrome do Olho Seco pode melhorar a qualidade de vida dos pacientes com diabetes do tipo 2, agregando benefícios sociais, físicos e psicológicos mais amplos, portanto, essa deve ser uma prioridade para os profissionais de saúde ocular e para os pacientes”, finaliza a especialista.

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Endocrinologista comenta mitos e verdades sobre os diabetes

Da Redação

Dia 14 de novembro é o Dia Mundial do Diabetes. Com isso, a endocrinologista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo (SBEM-SP), Andressa Heimbecher, afirma que o diagnóstico precoce da doença pode evitar complicações. Além disso, ela comenta abaixo alguns mitos que envolvem o diabetes. 

Em 2015, no Brasil, 42% dos diabéticos que morreram tinham menos de 60 anos | Foto: Freepik
"Quanto mais brevemente se controla o diabetes, melhor será a evolução do paciente, com menores complicações crônicas. É importante não deixar de rastrear o diabetes e o pré-diabetes naqueles pacientes com fatores de risco. E uma vez feito o diagnóstico, não se pode retardar o tratamento", afirma Andressa.

O diabetes Tipo 2 está frequentemente associado ao excesso de peso, bem como os casos de pré-diabetes (no Brasil há 11 milhões de pré-diabéticos). E os dados do Ministério da Saúde de 2015, indicam que, no Brasil, 53% da população está acima do peso ideal, sendo 18% os obesos e 35% os indivíduos com sobrepeso.

Confira sete mitos e verdades sobre os diabetes

Mito: comer doce leva ao diabetes. Verdade: para ter diabetes é preciso ter pré-disposição genética à doença e outras associações, como obesidade, sedentarismo e histórico familiar. Portanto, consumir açúcar exclusivamente, não leva à doença. Mas para quem tem diabetes, certamente há necessidade de moderar esse consumo.

Mito: é fácil saber os sinais do diabetes. Verdade: os sintomas do diabetes não são claros e variam de uma pessoa para outra. É importante fazer exames de rotina para saber os fatores de risco e obter diagnóstico preciso.

Mito: é possível curar o diabetes. Verdade: existem vários estudos sérios para achar a cura, mas nada ainda que possa ser afirmado. "Portanto, cuidado com falsas promessas disseminadas na internet", reforça Andressa.

Mito: diabéticos podem ter mais gripes e resfriados. Verdade: não há relação. O que os médicos indicam é que portadores de diabetes tomem a vacina, pois gripes e resfriados costumam dificultar o controle do diabetes, levando a complicações.

Mito: só obesos têm diabetes tipo 2. Verdade: embora o sobrepeso seja um fator, não é causa única. A doença também está associada ao histórico da família e idade. Muitas pessoas consideradas magras também são diabéticas.

Mito: diabéticos não podem comer pães, batata e massas. Verdade: não há restrições, o que se deve fazer é controlar a porção. Isso porque a alimentação saudável é a chave da boa saúde. Os diabéticos que precisam controlar a quantidade de carboidrato ingerida devem ficar atentos aos níveis de glicose, para saber a porção certa desses alimentos a ser ingerida.

Mito: frutas podem ser consumidas sem controle pelos diabéticos. Verdade: depende, pois, embora sejam muito saudáveis, elas contêm carboidratos e, por isso, devem obedecer ao planejamento alimentar e à contagem dos carboidratos.

"Para profissionais de todas as áreas envolvidos no controle da doença, a abordagem multidisciplinar como base de tratamento deve ser sedimentada para alavancar processo de melhora nos níveis glicêmicos. Para o paciente, o entendimento das causas do diabetes e a implementação de uma rotina de mudanças de hábitos de vida é o pilar para todo o tratamento", alerta a endocrinologista.

De acordo com o Atlas da International Diabetes Federation o Brasil tem cerca de mais de 12 milhões de diabéticos. Esse número representa quase 8% da população do nosso país, que é o 4º do mundo em números absolutos de portadores da doença. Globalmente, há 415 milhões de diabéticos, o que corresponde a uma pessoa em cada 11 habitantes.

O diabetes mata precocemente. Em 2015, no Brasil, 42% dos diabéticos que morreram tinham menos de 60 anos. No mesmo ano, 5 milhões de pessoas morreram no mundo por causa do diabetes, mais que a soma dos óbitos causados por AIDS, tuberculose e malária.




quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Obesidade infantil quadriplica risco para diabetes

Da Redação

De acordo com a Federação Mundial de Obesidade, em menos de uma década o Brasil deve registrar mais de 11,3 milhões de crianças obesas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que em 2021, caso não haja mudanças significativas de hábitos e o sobrepeso continue avançando, haverá mais crianças e adolescentes obesos do que com baixo peso. Essa população expõe-se, assim, ao alto risco de desenvolver doenças crônicas como diabetes tipo 2, dislipidemias e hipertensão arterial.

A prevenção do diabetes inclui o cuidado com alimentação | Foto: Freepik
A nutricionistaaTarcila Ferraz, do departamento de Nutrição da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), conta que, em 2015, uma em cada três crianças que saíram da escola primária foram consideradas acima do peso. "Por mais que o fator genético influencie é o ambiente ao qual o jovem está inserido que exerce maior impacto, especialmente considerando a alimentação e o sedentarismo. Desta forma, é fundamental cuidar da dieta desde cedo – quanto mais os pais, nutricionistas, pediatras e endocrinologistas se anteciparem e trabalharem conjuntamente para evitar ou reverter à obesidade na infância, melhor", atesta.

E essa condição tem uma relação direta com maior risco de doenças crônicas. "Estudos revelam que crianças obesas têm quatro vezes mais chances de ter diabetes tipo 2 aos 25 anos, quando comparadas com outras que não têm histórico de sobrepeso", diz Tarcila.

A prevenção, como a nutricionista já citou, passa pelo cuidado com alimentação. Por isso, a orientação aos pais deve ser para que conheçam e aceitem a saciedade da criança, sem impor ou exigir a ingestão total ou excessiva dos alimentos. O consumo de frutas, verduras e legumes deve ser estimulado; sempre se atentando ao tipo de gordura consumida. Além disso, é importante não pular refeições e nem substituí-las por lanches.

Atenção na hora do recreio

Na hora de preparar a lancheira, prefira lanches caseiros com proteínas magras, como frango, atum e queijo branco, associando com verduras e legumes – alface, tomate, cenoura e beterraba ralada, por exemplo. Na cantina, o Ministério da Saúde recomenda que estejam de fora dos cardápios os itens: balas, pirulitos, gomas de mascar, biscoitos recheados, salgadinhos e pipocas industrializados, refrigerantes, bebidas alcoólicas, sucos artificiais, fritura e alimentos industrializados cujo percentual de calorias provenientes de gordura saturada ultrapasse 10% das calorias totais.

Já entre os produtos indicados pelo MS às cantinas, estão pelo menos uma opção de fruta da estação, suco natural, bebidas lácteas e salgados assados. Para bebidas que precisam de adição de açúcar, a sugestão é de que sejam oferecidas ao consumo conforme a preferência do consumidor pela adição ou não do ingrediente.

A prevenção da obesidade com a manutenção de uma dieta balanceada é capaz de evitar o diabetes. Nesta quinta-feira (11) é comemorado o Dia Mundial de Combate à Obesidade.



terça-feira, 9 de outubro de 2018

Diabetes poderá ser vista como epidemia em 2045

Da Redação

Estudos e pesquisas recentes sobre o quadro da diabetes entre os brasileiros estão trazendo números muito alarmantes. Numa projeção mundial, até 2045 a estimativa é de que cerca de 630 milhões de pessoas sejam diagnosticadas com a doença, de acordo com a Federação Internacional de Diabetes (IDF, na sigla em inglês).

Houve um aumento de 10 milhões de pessoas com a doença ao longo de 2016 e 2017 | Foto: Freepik
O  médico Henrique Eloy - clínico geral, especialista em cirurgia e endoscopia bariátrica e gastroenterologia – destaca que é preciso ficar alerta aos sintomas da diabetes. “A diabetes é uma doença, digamos, traiçoeira. Ela ataca sorrateira e os sintomas aparecem aos poucos. Basicamente, o corpo humano começa a apresentar uma disfunção na produção da insulina – hormônio responsável pela absorção da glicose - através do pâncreas. A falta de glicose bem distribuída no organismo acarreta uma série de maus funcionamentos em vasos sanguíneos levando complicações a órgãos como rins e olhos, além de ocasionar má circulação de sangue em extremidades do corpo como a perna”, explica.

Diante disso, especialistas do mundo inteiro trabalham numa série de artigos conhecida por Atlas da Diabetes. Segundo os documentos, a Federação Internacional de Diabetes comprovou um aumento de 10 milhões de pessoas com a doença ao longo de 2016 e 2017. E essa mesma pesquisa avalia que em 2045, aproximadamente, 630 milhões de pessoas estejam dentro do diagnóstico de algum dos três tipos de diabetes.

Tantos casos, se comparados ao atual momento, representarão um aumento de 48%. Hoje são cerca de 310 milhões de registros no mundo, sendo a Índia o país com maior índice – 114 milhões de pessoas. O Brasil é o quarto desta lista, com pouco mais de 12 milhões de doentes. Já na projeção para 2015, deveremos descer uma posição. Seremos o quinto colocado, porém, devido ao suposto aumento, poderemos chegar a mais de 20 milhões de casos.

Todas essas pessoas serão 22% da população mundial. O que significa que ao menos dois a cada dez indivíduos serão portadores da doença. Num outro ponto de vista, temos a questão de quanto custará tratar todas essas pessoas. Em 2017, foram gastos US$ 727 bilhões no mundo com o diabetes. Se o custeio dos tratamentos acompanhar a projeção de doentes, serão gastos mais de US$ 1 trilhão apenas em 2045.

“Epidemia é quando há uma alta propagação de uma doença. Tais números podem sim significar uma epidemia do diabetes. E para melhorar esse quadro, o ideal é a prevenção. Principalmente de quem tenha histórico familiar. Consultas médicas periódicas, acompanhamento com especialistas e medicamentos adequados podem evitar que o diabetes seja um caos na saúde mundial”, conclui Eloy.



segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Cegueira na vida adulta pode ter relação com diabetes

Da redação

Uma pesquisa da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo (SBRV) em parceria com a Bayer, divulgada recentemente, aponta que metade dos brasileiros não sabem que a doença pode causar cegueira e 57% dos entrevistados que têm diabetes ou que têm familiares com a doença nunca ouviram falar sobre retinopatia diabética ou edema macular diabético (EMD).

No Brasil há cerca de 14 milhões de pessoas com diabetes | Foto: Reprodução 
O EMD é uma complicação da retinopatia diabética (RD) e, assim como ela, é causada pelo descontrole de açúcar no sangue como resultado direto do diabetes. A doença provoca alterações nos vasos sanguíneos da retina e causa danos à visão, conforme explica o oftalmologista Arnaldo Bordon, representante da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo. "No caso do EMD, as alterações são tão graves a ponto de ocorrer vazamentos de fluídos e proteínas dentro da mácula, região central da retina que é responsável por dar foco e nitidez às imagens”.

O fluído na região da mácula causa visão embaçada, distorção de imagens e alterações na visão de cores. Além disso, quando não detectado rapidamente, pode causar perda grave de visão ou levar à cegueira total.

"A EMD é uma das razões mais frequentes de perda severa da visão na população diabética. São muito importantes o acompanhamento dos níveis de açúcar e a realização do exame de mapeamento de retina, contando com a avaliação tanto do endocrinologista como do oftalmologista. Esses são fatores essenciais para diagnosticar a doença precocemente," adverte Bordon.

Importante na detecção de problemas oculares no geral, o exame de mapeamento de retina – que estuda o fundo do olho – é essencial para diagnosticar a RD e a EMD. Infelizmente, quase 38% das pessoas que tem diabetes ou algum caso na família afirmaram na pesquisa que seus endocrinologistas nunca pediram o exame. Isso se torna especialmente preocupante, uma vez que metade dos entrevistados diagnosticados com problemas oftalmológicos em decorrência do diabetes recebeu um diagnóstico tardio, quando os sintomas apresentados já eram graves. 

Com os avanços científicos, tornou-se possível o desenvolvimento de terapias que tem como papel principal impedir a formação de vasos sanguíneos frágeis e reduzir o vazamento de líquidos na região da mácula, promovendo recuperação parcial ou total da visão já perdida.

As opções terapêuticas atuais variam desde o uso de laser a injeções intraoculares de medicamentos antiangiogênicos, implantes de corticosteroides ou procedimentos cirúrgicos em casos específicos.

Para prevenir que o diabetes se desenvolva a ponto de afetar a qualidade da visão do paciente, seguir uma alimentação equilibrada e realizar exames regularmente são essenciais, para manter os níveis de açúcar aceitáveis e controlados. Além disso, para ter uma vida saudável e evitar o surgimento do diabetes tipo 2 é necessário combater o sedentarismo e manter o corpo sempre ativo e o nível de gordura corporal mais baixo. O recomendando pela Organização Mundial da Saúde são 150 minutos de exercícios durante a semana para os adultos, o que ajuda, também, a combater a obesidade.

De acordo com a OMS, o número de diabéticos no mundo subiu de 108 milhões em 1980 para 422 milhões em 2014, sendo que apenas no Brasil, cerca de 14 milhões de pessoas já sofrem com a doença, segundo o International Diabetes Foundation.



sábado, 11 de novembro de 2017

Diabetes: uma das principais causas de cegueira no mundo

Da redação

Em 14 de novembro, o Dia Mundial do Diabetes levanta diversas discussões sobre a doença que já atinge mais de 415 milhões de pessoas no mundo e causa mais de 5 milhões de mortes anuais. Considerada uma das epidemias do século 21, a estimativa é que em 2040 mais de 642 milhões de pessoas tenham a doença. Além disso,  o diabetes é capaz de afetar o olho por inteiro, desde a córnea passando pelo cristalino e formando as cataratas, que podem ser consideradas mais comuns em pessoas com diabetes.

O descontrole glicêmico é o principal fator de risco para surgimento da retinopatia | Foto: divulgação
Ainda com relação à saúde ocular, o diabetes induz também uma maior incidência de glaucoma e a mais temida de todas as complicações que, de acordo com especialistas, é sem dúvida a retinopatia diabética.

Atualmente as duas maiores causas de cegueira irreversível são glaucoma e a retinopatia diabética, conforme comenta o oftalmologista e presidente do CBV Hospital de Olhos, Márcio Ávila:  "Trabalhando há mais de 30 anos com diabéticos, a retinopatia é uma grande preocupação, por que apesar da gravidade, ela pode ser prevenida com acompanhamento médico, principalmente se tratada precocemente”. 

O descontrole glicêmico é principal fator de risco para surgimento da retinopatia. "Nós costumamos dizer que, caso aja negligência, o paciente diabético tem cerca de 30 vezes mais chances de se tornar cego e que 80% deles podem apresentar a retinopatia após cinco anos da doença. Se o diabetes está descontrolado, a chance de retinopatia se torna muito alta", ressalta Ávila. 

O controle glicêmico é fundamental. A velocidade do desenvolvimento da retinopatia pode ser lenta ou rápida, a depender deste controle realizado pelo paciente. Aqueles que mantêm o controle regular glicêmico e têm cuidados diários com a alimentação, além do uso adequado das medicações, apresentam chance muito menor de apresentar a retinopatia diabética – que é responsável por 5 a 8% de cegos no mundo.

Pacientes diagnosticados com o diabetes que possuem controle sobre a doença o indicado é ao menos uma visita anual ao oftalmologista. Quanto aos pacientes com baixo controle ou que já tenham a retinopatia, a consulta deve ser realizada de seis em seis meses, e a depender do caso, até mensalmente.

Retinopatia diabética: tratamento
Uma vez instalada esta doença ocular é considerada irreversível. Por isso o melhor tratamento ainda é a prevenção. Somente por meio de visita periódica ao oftalmologista é possível realizar o diagnóstico precoce da retinopatia, aumentando consideravelmente o tratamento e os resultados.

O tratamento inicial consiste na aplicação de raios lasers ou por meio da injeção intraocular de medicamentos antigênicos – desenvolvidos pela medicina moderna e que atuam diretamente nos vasos da retina que estão lesados, diminuindo sangramentos, a formação de gordura e impede a perpetuação da retinopatia diabética.



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