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quinta-feira, 18 de abril de 2019

Psiquiatra fala sobre consumo de álcool na adolescência

Redação

Um estudo realizado pela Pediatria do Hospital Universitário da USP apontou que 60% dos adolescentes, na faixa dos 17 anos, já faz uso de bebidas alcoólicas. A pesquisa foi feita em dez escolas de São Paulo. Segundo o psiquiatra Mario Louzã, nos últimos anos, foi sendo construído um senso comum entre os jovens de que a bebida alcoólica é o ponto alto dos encontros e das festas. Isso se aplica a ambos os sexos, diferentemente de décadas atrás, quando os problemas com o álcool eram mais frequentes entre os meninos.

“Casos graves (de alcoolismo) necessitam de internação, em geral, prolongada, para controlar os sintomas da abstinência", comenta o psiquiatra Louzã | Foto: divulgação
O consumo, segundo o estudo, começa por volta dos dez anos e, em 20% dos casos, o uso ultrapassa uma dose diária. Em menores de 18 anos, o uso intensivo e crônico de álcool pode levar à demência. E, em todas as idades, o consumo excessivo aumenta o risco de perda do volume cerebral, uma vez que afeta diversas áreas do cérebro, como córtex cerebral, sistema límbico, cerebelo, hipotálamo e glândula pituitária e medula.

 “O fato é que o adolescente precisa se sentir acolhido pelo grupo e fazer parte dele. Para isso, segue as regras do jogo, que inclui beber. Em muitos casos, há competições de quem consegue beber mais ou brincadeiras que sempre envolvem o álcool”, comenta a o psiquiatra.

Geralmente, este contexto está relacionado à insegurança típica da adolescência, período em que o jovem começa a se auto afirmar, a querer ganhar destaque e mostrar que pode tanto ou mais que seus colegas. De acordo Louzã, propagandas, séries e filmes também contribuem com o aumento do consumo da bebida, pois criam cenários que associam o álcool ao glamour, ao sucesso, à conquista e outras situações que estimulam ainda mais a enxergar que beber é legal.

O mais grave dessa história é que o alcoolismo começa justamente nessa fase. “Há uma predisposição na adolescência devida à defasagem entre o desenvolvimento de áreas do cérebro responsáveis pelo controle dos impulsos. Estas áreas se desenvolvem mais tardiamente, o que torna o adolescente mais vulnerável, por esta dificuldade de autocontrole”, explica Louzã.

A educação dos filhos deve começar logo na infância, com a imposição de limites e regras bem definidas. Isso auxilia na formação da personalidade. “A adolescência é, por si só, um período crítico, de rebeldia, de questionamentos, de descobertas e de hormônios a mil. Se desde cedo o indivíduo for educado com orientações, bons valores e noções de limite, certamente chegará à adolescência com mais capacidade para discernir suas condutas e lidar com seus impulsos”, afirma o psiquiatra.

Vale lembrar que o abuso de álcool na adolescência deve ser levado a sério e tratado como doença. Há alguns tratamentos medicamentosos para tentar diminuir o consumo, além das abordagens psicoterápicas individuais. Segundo a  Organização Mundial de Saúde (OMS) mais de 320 mil pessoas entre 15 e 29 anos morrem ao redor do mundo, anualmente, de causas relacionadas ao consumo do álcool.

 “Casos graves necessitam de internação, em geral, prolongada, para controlar os sintomas da abstinência e todo um processo de reorganização da vida do adolescente que, muitas vezes, gira em torno do álcool. Grupos de autoajuda, como AA (Alcoólicos Anônimos), também são importantes”, finaliza Louzã.

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Psicóloga explica as melhores maneiras para lidar com um filho adolescente

Com mudanças físicas e psicológicas, a adolescência marca a transição da infância para a idade adulta. Essa fase engloba jovens entre 10 e 20 anos, segundo a Organização Mundial da Saúde. É nessa idade que os conflitos internos e externos aparecem, e as brigas, rebeldia e discussões também.

A melhor forma para lidar com o filho adolescente, é se interessar pelo universo dele, escutar com paciência e indicar, através da conversa, o caminho para a vida adulta, orienta a psicóloga Karin | Foto: Freepik 
De acordo com a psicóloga e orientadora educacional do Colégio Humboldt, Karin Kenzler, é preciso que os pais entendam as transformações pelas quais os filhos estão passando e proporcionem um ambiente seguro e afetivo para minimizar riscos, como acidentes, gravidez precoce e doenças.

Entendendo as mudanças
Durante a adolescência, os hormônios entram em cena. Protagonista no corpo dos jovens, essa bomba hormonal é responsável não só pelas transformações físicas, como também pelas alterações de humor e comportamento.

“As primeiras mudanças que chamam atenção são as físicas, como suor, pelos, timbre da voz, espinhas, altura e peso. Muitas vezes, o adolescente sente vergonha dessas mudanças e fica preocupado com elas. Se sente feio, desengonçado e fica com a autoestima baixa, demonstrando comportamentos como oscilação de humor, isolamento, rebeldia e agressividade”, afirma a psicóloga Karin.

Por isso, ela destaca a importância de esclarecer essas mudanças com os filhos, ressaltando que se trata de uma fase temporária. “Comemorar, notar e comentar com satisfação as mudanças como algo esperado é positivo”.

Como lidar com a rebeldia?
Para Karin, o modelo corretivo de educação, à base de broncas e castigos, funciona até certa idade. Segundo a psicóloga, a melhor maneira de tratar as rebeldias é por meio do diálogo, ensinando-os a lidar com as questões da vida, como tomar decisões, fazer acordos, escutar e solucionar conflitos. “É importante deixar que o adolescente compartilhe e acompanhe o raciocínio, o pesar dos prós e contras e se exercite na tomada de decisões. Que se dê a ele participação na elaboração de limites, acordos e decisões, sempre com supervisão dos pais”, aponta.

Entretanto, Karin salienta que o diálogo com um adolescente pode ser frustrante para os pais, principalmente quando recebem respostas monossilábicas, agressivas ou defensivas.  Para reverter essa situação, a dica é tomar alguns cuidados na hora da conversa.

“É preciso escutar o que eles têm a dizer, se despindo de preconceitos, críticas ou julgamentos. Pesquisar, perguntar e entender seus motivos e ajudá-los a terem maior clareza da situação e uma postura mais reflexiva. Demonstrar ao filho o dilema que está em jogo, isto é, as duas opiniões conflitantes”, explica.

Construção da personalidade
Como uma fase de desenvolvimento e construção de personalidade, o apoio dos pais durante a adolescência é essencial. Para Karin, o foco da conversa com os filhos é criar intimidade. “O que previne desvios do desenvolvimento saudável não é a informação, mas o laço afetivo”, afirma.

Além disso, a orientadora também ressalta a necessidade de respeitar o espaço pessoal do jovem, que pode vir acompanhado de um isolamento. “Eles podem passar um dia inteiro fechados no quarto, e se isolarem da família. É comum que os pais se desesperarem diante dessa atitude, porém eles precisam desse tempo para pensar e refletir acerca de quem são para formar sua própria personalidade”.

A melhor forma para lidar com o filho adolescente, segundo Karin, é se interessar pelo universo dele, escutar com paciência e indicar, através da conversa e intimidade, o caminho para a vida adulta.



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