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terça-feira, 17 de dezembro de 2019

Câncer de intestino: conheça os alimentos “vilões”

Redação

Uma única fatia de bacon ao dia aumenta o risco para câncer de intestino em 20%, de acordo com um estudo divulgado neste ano, pela revista International Journal of Epidemiology.  Além disso, o consumo de carnes processadas (como presunto e salames), em uma quantidade de 76 gramas diárias ou mais, aumenta o risco da mesma forma.

Mudança no hábito intestinal, sangramento nas evacuações, sensação de evacuação incompleta são alguns dos sintomas do câncer de intestino | Foto: divulgação

O câncer colorretal é o segundo mais frequente em mulheres no Brasil e o terceiro entre os homens, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA). A estimativa é de 36 mil novos casos ao ano no País.

Segundo o cirurgião do aparelho digestivo e especialista em cirurgia robótica, Alexander Morrell, a cirurgia é a principal forma de tratamento disponível para a doença. “A operação contempla a retirada do câncer e dos linfonodos em conjunto, também chamados de “gânglios”, que podem auxiliar na disseminação da doença se não ressecados. Após a retirada do segmento de intestino doente, é feita uma união novamente entre as partes saudáveis intestinais, para retorno dos hábitos normais de funcionamento do órgão”.

Equipes qualificadas podem realizar o tratamento de forma minimamente invasiva. “O paciente é beneficiado com menor dor no pós-cirúrgico, recuperação mais rápida, menor perda de sangue e tempo de internação. Ainda, tem-se menos chances de infecção de sítio cirúrgico e hérnias no pós-operatório. A cirurgia robótica é o que há de mais inovador na área”, ressalta Morrel.

Estão na área de risco pessoas com mais de 50 anos, com histórico prévio de câncer na família; pacientes obesos, pessoas que consomem muita carne vermelha e alimentos processados. O especialista alerta ainda para o consumo de bebidas alcoólicas.

Sintomas 
O paciente deve procurar um médico especialista caso apresente possíveis sintomas da doença. “Entre os mais comuns estão anemia, cansaço, perda de peso sem dieta, mudança no hábito intestinal, sangramento nas evacuações, sensação de evacuação incompleta e mudança no aspecto das fezes”, finaliza Morrell.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Endometriose pode acometer o intestino

Da Redação

Bastante conhecida, principalmente entre as mulheres, a endometriose se caracteriza pela presença do endométrio (camada mais interna do útero, que descama durante a menstruação) em outras regiões do corpo, fora da cavidade uterina. Implantes de endométrio podem ser observados na cavidade pélvica, ovários, e, o que muitos não sabem é que esse tecido endometrial pode aderir também ao intestino e a apêndice cecal, provocando sintomas específicos.

 Os principais sintomas da endometriose intestinal são: dor abdominal intensa durante a menstruação, dor pélvica que melhora após evacuação e dor pélvica durante as relações sexuais | Foto: reprodução
A especialista em cirurgia do aparelho digestivo, cirurgia bariátrica e coloproctologia, Adriana Agnelli, ressalta que a endometriose intestinal é uma doença benigna e tem tratamento. " É uma complicação da endometriose profunda e obtemos o seu diagnóstico através de exames de imagem, como a ressonância magnética, a ultrassonografia pélvica transvaginal com preparo intestinal e outros exames específicos que podem ser indicados durante a avaliação individual. O diagnóstico preciso, no entanto, ocorre por meio da realização da videolaparoscopia, onde conseguimos avaliar a quantidade de implantes e a localização exata das lesões de endometriose".

De acordo com a médica, os principais sintomas da endometriose intestinal são: dor abdominal intensa durante a menstruação, dor pélvica que melhora após evacuação e dor pélvica durante as relações sexuais. A especialista ressalta que "algumas mulheres podem apresentar alguns desses sintomas ou todos, mas muitas vezes consideram ser normal do período menstrual, levando muitos anos para procurar um especialista e fazer o diagnóstico de endometriose profunda, com acometimento intestinal". E afirma que, em decorrência da endometriose no intestino, também podem ocorrer sangramento anal durante a menstruação, sensação de distensão abdominal e de evacuação incompleta.

Dentre as particularidades do tratamento da endometriose intestinal, a especialista reforça a importância do trabalho de uma equipe multidisciplinar, com ginecologista e cirurgião atuando juntos, com uma minuciosa avaliação pré-operatória, levando-se em conta as expectativas da paciente com a cirurgia. Vale lembrar que, apesar do tratamento cirúrgico ser o mais efetivo, a mulher deve realizar avaliações médicas periódicas para monitorar e prevenir a possível formação de novos focos da doença.

Para o tratamento da doença, quando a paciente apresenta sintomas ou quadro de infertilidade - a cirurgia é a melhor opção. "Muitas vezes, o tratamento cirúrgico se impõe e nosso objetivo é retirar todos os focos de endometriose, incluindo o tecido endometrial no intestino, aliviando ou mesmo abolindo os sintomas causados pela doença, evitando complicações futuras e devolvendo à mulher a sua fertilidade natural. Geralmente, nos focos intestinais utilizamos a ressecção segmentar do reto e/ou do cólon sigmoide por videolaparoscopia. Já para as lesões intestinais menores, a ressecção em disco, com a retirada somente da área acometida, é mais indicada", finaliza Adriana.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Síndrome do intestino irritável pode ter origem em traumas emocionais

Da Redação

Cerca de 20% da população mundial sofre de Síndrome do Intestino Irritável (SII), distúrbio que pode ter como gatilho eventos emocionais, físicos ou estressantes, de acordo com o endoscopista e diretor da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (SOBED), Tomazo Franzini. Entre os sintomas estão hipersensibilidade intestinal e diarreia, constipação – ou até os dois intercalados -, somados a dores abdominais e cólicas. Contudo, nos testes não há nenhuma alteração, como lesão e inflamação.

Diarreia, constipação e cólicas são alguns dos sintomas | Foto: reprodução
Os sintomas, geralmente, ocorrem após as refeições. “Recomendamos que o acompanhamento psicológico aconteça paralelamente à contenção dos sinais e desconfortos gerados pela SII. Tal medida é, inclusive, fundamental para o controle dos quadros – a atenção aos casos de depressão e ansiedade, por exemplo, é parte da solução da causa deste problema. É uma assistência multidisciplinar", afirma Franzini.

Não é puramente emocional

O especialista explica que intestino é como um segundo cérebro e conta com mediadores e um sistema nervoso próprio. Além disso, a região do hipotálamo no cérebro é responsável, entre suas funções, pelo impulso de emoções e tem ligação direta com o sistema nervoso autônomo simpático e parassimpático, cujo principal nervo atua no tubo digestivo. É ele quem estimula a secreção de enzimas, ácidos e fatores digestivos, administrando toda a movimentação do intestino.

Há no intestino hormônios e receptores hormonais similares aos encontrados no sistema nervoso central. Ou seja, o tubo digestivo tem enervação própria e hormônios que controlam sua capacidade de secretar. Logo, constata-se direta relação entre a emoção registrada no hipotálamo e a movimentação intestinal.

Alimentação 

A restrição ou liberação dos alimentos é feita individualmente – os ajustes da dieta são feitos de acordo com o aparecimento ou não dos sintomas. Porém, de maneira geral, indica-se evitar aqueles que contribuem para a formação de gazes, pertencentes ao grupo de carboidratos intitulado Fodmap.

Alguns dos alimentos ricos em Fodmap são, por exemplo: repolho, cebola, cogumelos, abóbora, frutas enlatadas, manga, maça, alcachofra, derivados de leite e de trigo. Já entre os com baixo teor do carboidrato podem ser citados: melão, uva, frutas vermelhas, frutas cítricas, alface, pepino, tomate, berinjela e leites de amêndoa, de coco e de arroz.

"Ainda, em casos de constipação, é importante aumentar a quantidade de fibra ingerida. Porém, ela deve ser restrita quando há diarréia – neste caso, o foco é em aumentar o aporte de vitaminas e minerais até o intestino regularizar-se", orienta o diretor da SOBED.

Síndrome do Intestino Irritável é uma condição crônica, mas que não evolui para problemas mais graves, como tumores. Para aliviar seus incômodos, o tratamento deve ser multidisciplinar e seguir a linha nutricional, medicamentosa e psiquiátrica.


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