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terça-feira, 5 de novembro de 2019

Audição: zumbido nos ouvidos é sinal de alerta

Redação

O zumbido nas ouvidos pode estar relacionado à perda de audição. Com o dia a dia, cada vez mais, barulhento, as dificuldades de audição não atingem apenas os idosos. A surdez, mesmo que ainda leve, está se tornando também um problema dos jovens. A comprovação disso está no aumento do índice de zumbido entre os adolescentes, um dos sintomas da perda auditiva. Esta foi a constatação da pesquisa "Prevalência e causas de zumbido em adolescentes de classe média/alta", realizada pela Associação de Pesquisa Interdisciplinar e Divulgação do Zumbido, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

A exposição ao som intenso e frequente, acima de 85 decibéis, pode provocar danos irreversíveis à audição com o passar do tempo | Foto: Freepik

Em novembro, mês da Campanha Nacional de Alerta ao Zumbido, a constatação de que o índice de jovens com zumbido vem crescendo acende o alerta, principalmente em razão do uso diário dos fones de ouvido. Muitos ainda escutam a música em volumes ensurdecedores, o que piora o quadro, segundo a fonoaudióloga Marcella Vidal, da Telex Soluções Auditivas.

"Há uma relação direta entre eles escutarem música em alto volume e o zumbido. Os males à audição causados pelo uso frequente dos fones podem variar, mas é preciso estar atento", alerta Marcella.
A especialista em audiologia explica que a perda auditiva tem efeito cumulativo, e vai se agravando ao longo do tempo. "Dependendo da frequência, do tempo de exposição ao som elevado e da predisposição genética, o indivíduo pode sofrer danos auditivos cada vez mais severos, de forma contínua e elevada ao longo da vida", explica a fonoaudióloga.

Durante a pesquisa foram feitos testes auditivos em 170 adolescentes na faixa de 11 a 17 anos. Cerca de 95% relataram ouvir música com os fones. Desses, 77% assumiram que deixam o volume alto, e ao serem questionados se já tinham tido zumbido nos últimos 12 meses, 54,7% disseram que sim. Destes, 51% relataram que sentiram zumbido logo após usar fone de ouvido por muito tempo ou ao saírem de um ambiente muito barulhento.

Testes auditivos também revelaram que 28,8% desses adolescentes sentiram zumbido em níveis comparados aos de adultos. O mais alarmante é que esses jovens disseram não se incomodar com o ruído e, por conta disso, não falaram sobre o problema com seus pais, nem procuraram ajuda médica.

"Quanto mais cedo for detectada a perda auditiva, melhor. Recomendo a todos que usam fones de ouvido que façam uma avaliação chamada audiometria. É o exame que revela se o paciente já tem perda auditiva e como deve proceder, a partir daí, para evitar o agravamento do problema", aconselha a fonoaudióloga.

A exposição ao som intenso e frequente, acima de 85 decibéis, pode provocar danos irreversíveis à audição com o passar do tempo. Se as pessoas continuarem se expondo a níveis elevados de ruído poderão começar a apresentar perda de audição muito cedo, entre 30 e 40 anos. Intensidades de 80 a 90 decibéis já aumentam o risco de uma lesão na cóclea, que é o órgão dentro da orelha responsável pela audição.

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

A maneira como a criança fala pode indicar problemas auditivos

Redação

A aquisição da linguagem é um dos marcos de desenvolvimento mais significativos na infância. E, por trás dela, podem estar pistas sobre outro importante sentido da criança: a audição, segundo a fonoaudióloga do Hospital CEMA, Virgínia Brohem.

"Quando a perda (auditiva) é moderada, a criança pode apresentar atrasos na aquisição da linguagem, trocando fonemas por dificuldades em perceber as diferenças – como faca/vaca”, explica a fonoaudióloga Virgínia Brohem | Foto: Freepik

Por exemplo, uma criança que apresenta sinais de distração frequentes, sempre buscando olhar no rosto do interlocutor, pedindo para repetir o que foi dito, pode ter uma perda auditiva leve.

"Quando a perda é moderada, a criança pode apresentar atrasos na aquisição da linguagem, trocando fonemas por dificuldades em perceber as diferenças – como faca/vaca -, além de usar bastante as pistas visuais. Em perdas auditivas severas, a criança faz leitura labial, apresenta distorções de fala, pois tem dificuldades em perceber a intensidade e entonação vocal, tanto dela própria quanto do interlocutor, e pode ainda utilizar sinais para se comunicar", detalha a fonoaudióloga.

Atualmente, existe um importante aliado na detecção de perda auditiva na infância: o teste da orelhinha. Ele é feito ainda na maternidade, de forma rápida e indolor, e visa identificar se as células ciliadas da cóclea (órgão responsável pela audição) estão funcionando. Caso ocorra alteração no resultado, o teste é refeito após um mês. Se o novo teste continuar alterado, novos exames serão realizados para diagnosticar a perda auditiva.

"A importância de fazer esses testes precocemente é justamente poder proporcionar para o bebê com problema auditivo a estimulação mais próxima do normal, através do aparelho de amplificação sonora, ou mesmo o implante coclear, dependendo do caso. No bebê, meses podem fazer toda a diferença", diz a especialista.

Porém, se o teste da orelhinha não detectar alteração alguma, é essencial prestar atenção na fala. "Se a criança tem dois anos e não fala nada, é interessante avaliar sua audição. Problemas de orelha média, como otites de repetição, podem causar perda auditiva temporária, e a intervenção de um otorrinolaringologista se faz necessária, pois essa perda, mesmo que provisória, interfere negativamente no desenvolvimento da linguagem da criança", explica Virgínia.

Embora o desenvolvimento infantil seja único, os pais devem ficar atentos e estimular a linguagem, falando corretamente, e provocando na criança a vontade de falar. Caso percebam sinais de problemas auditivos, é essencial procurar um especialista para que ele faça um correto diagnóstico e indique o tratamento adequado.

terça-feira, 3 de setembro de 2019

Dia Internacional do Surdo: perda auditiva pode ser evitada

Redação

Dia Internacional do Surdo, em 30 de setembro, tem como objetivo alertar sobre a saúde auditiva, pois muitas das dificuldades na audição poderiam ser evitadas. A fonoaudióloga de São Paulo, Nathália Zambotti, explica que todo mundo pode ter perdas auditivas por exposição excessiva ao ruído, uso de remédios, infecções, acidentes, decorrentes da idade ou causas de origem genética.

Evite ouvir música em volume acima da metade da capacidade dos aparelhos, principalmente com fones de ouvido, recomendam os especialistas | Imagem: reprodução

De acordo com uma pesquisa realizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a surdez ocupa o quarto lugar na lista de doenças. Ela é considerada a primeira deficiência com mais impacto no índice de qualidade de vida da população, mais do que deficiência visual, de locomoção e outras 345 doenças. Isso levou a OMS a colocá-la como uma de suas cinco prioridades para este século.

A otorrinolaringologista Maura Neves, da Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia, explica que a surdez é classificada em quatro estágios: leve, moderada, severa e profunda. O que diferencia uma da outra é o quanto uma pessoa é capaz de ouvir, sendo o parâmetro o decibel – medida de intensidade de som.

Uma audição normal consegue ouvir abaixo de 25 decibéis, por exemplo, o canto de um passarinho, em torno de 10 decibéis, ou o ruído de um ponteiro de relógio de parede, 30 decibéis. “Uma pessoa com deficiência auditiva leve só ouve, a partir de 30 decibéis; com moderada, a partir de 50, com severa, a partir de 80 e com profunda, a partir de 100”, explica Maura.

Para cuidar da audição, confira abaixo algumas dicas:

• Evite ambientes barulhentos por muito tempo;
• Utilize sempre os acessórios de proteção auditiva (EPI), se as atividades profissionais exigirem muita exposição á ruídos intensos;
• Evite ouvir música em volume acima da metade da capacidade dos aparelhos, principalmente com fones de ouvido;
• Em casos de infecção de ouvido, procure um otorrinolaringologista e faça o tratamento indicado. Infecções, especialmente aquelas de repetição, são riscos potenciais de perda auditiva;
• Cuidado com objetos pontiagudos ou cotonetes. Esse tipo de objeto pode empurrar a cera para o tímpano ou até perfurar a membrana timpânica e afetar a audição;
 • Se perceber dificuldade em entender ou grande necessidade em aumentar o volume da televisão, procure um especialista para fazer um exame de audição. Quanto mais cedo se cuidar, melhor!

Para finalizar, a fonoaudióloga comenta que a prevenção é o melhor remédio. “Perdas de audição são irreversíveis e poucas mudanças de hábito já surtem excelentes efeitos benefícios para a saúde auditiva, lembre-se de que ouvir é um privilégio”, finaliza Nathália.

quarta-feira, 17 de abril de 2019

Problemas auditivos podem alterar o paladar, alerta fonoaudióloga

Redação

O paladar e a audição são dois sentidos completamente interligados. Qualquer alteração no funcionamento de um influencia o funcionamento do outro, interferindo no sabor dos alimentos ingeridos. A fonoaudióloga Isabela Papera, da Telex Soluções Auditivas, explica que isso ocorre em razão de um nervo chamado "corda do tímpano", que conecta o ouvido médio com as papilas gustativas, responsáveis por identificar os sabores e enviar as informações ao cérebro. Quando acontece alguma perda auditiva, o paladar é automaticamente afetado.

“Gripes e infecções na garganta podem interferir na audição e também no paladar”, comenta a fonoaudióloga Isabela Papera

Quando uma pessoa tem dores de ouvido, por exemplo, é sinal de que o canal auditivo está inchado e pressionando a região da corda do tímpano. Muitas vezes, isso pode alterar momentaneamente o paladar das pessoas. "Gripes e infecções na garganta podem interferir na audição e também no paladar", explica Isabela.

Outro ponto apontado pela especialista na relação audição/paladar é o avançar da idade. Assim como a visão e o olfato, a audição e o paladar também são afetados com o envelhecimento por causa das várias situações de infecções, uso de medicamentos e outros agentes tóxicos que afetam o corpo humano ao longo da vida. Quanto mais cedo as causas forem diagnosticadas, mais eficaz será o tratamento do problema por um profissional qualificado.

A fonoaudióloga alerta, no entanto, que muitas vezes as causas de perda auditiva estão associadas à morte das células ciliadas dos ouvidos, responsáveis pela audição. Isso pode ocorrer por causa da exposição frequente a ambientes barulhentos ou também em razão do envelhecimento. Nesses casos, o uso de aparelhos auditivos é o mais recomendado para o resgate da audição e a interação com as pessoas em sociedade.

"Muitas pessoas já experimentam algum grau de perda auditiva a partir dos 40 anos, por causa do envelhecimento natural do corpo. O processo é diferente para cada um, mas aproximadamente uma em cada dez pessoas nessa faixa etária já percebe que não ouve bem. Depois dos 65 anos, a perda auditiva tende a ser mais severa. Por isso, ao surgir os primeiros sinais de dificuldades para ouvir, procure um médico otorrinolaringologista", conclui a fonoaudióloga.


terça-feira, 21 de agosto de 2018

Perda auditiva não tratada pode levar à demência

Da redação

Muitas pessoas já experimentam algum grau de perda de audição, a partir dos 40 anos, por causa do envelhecimento natural do corpo. No entanto, o cuidado com a saúde auditiva não é prioridade. Mas, o que muita gente não sabe, é que a deficiência auditiva não tratada pode acarretar uma série de doenças, inclusive mentais, como a demência, por exemplo.

Estudo mostrou que o risco de demência foi 69% maior em homens idosos, com dificuldade auditiva, do que naqueles que tinham audição normal | Foto: reprodução 
Diversos estudos relacionam a perda auditiva à demência. O mais recente deles, feito na Austrália: Hearing loss and the risk of dementia in later life, publicado na revista científica Journal Maturitas, mostrou que o risco de demência foi 69% maior em homens idosos, com dificuldade auditiva do que naqueles que tinham audição normal. Ainda não se sabe ao certo o motivo dessa associação, mas acredita-se que os desgastes naturais do corpo humano, inerentes à idade, junto com a diminuição dos sons que entram pelos ouvidos e chegam ao cérebro reduzem a capacidade cognitiva do indivíduo, encurtando também as atividades cerebrais.

A fonoaudióloga da Telex Soluções Auditivas, Isabela Papera, explica que: “Os sons dão sentido à vida e a falta deles faz com que o indivíduo faça menos esforço cerebral na tentativa de decodificar os sons. Com isso, o idoso fica mais vulnerável às diversas enfermidades cognitivas, uma vez que o cérebro, quanto mais exercitado, melhor funciona”.

Então, a perda auditiva não tratada também pode causar demência, por causa do isolamento social, como aponta um estudo francês. Com a redução das atividades sociais decorrentes da dificuldade de conversar com outras pessoas e de ouvir os sons da vida, os estímulos cerebrais ficam escassos, levando a um maior declínio cognitivo, o que já é mesmo mais comum entre os idosos.

Porém, o mesmo estudo francês aponta que o uso cotidiano de aparelho auditivo impede essa aceleração, garantindo às pessoas idosas que usam próteses auditivas o mesmo nível cognitivo daquelas que não têm dificuldades para ouvir.

“Ao melhorar a habilidade auditiva, com o uso de aparelho auditivo ou implante coclear, os efeitos mentais negativos gerados pela perda de audição quase que se anulam, uma vez que a pessoa restaura a habilidade de se comunicar e passa a interagir em sociedade. E são esses estímulos sociais e sonoros que evitam o declínio cognitivo”, afirma a fonoaudióloga.

Mesmo com tantos benefícios decorrentes do uso de aparelho auditivo, muitos idosos ainda resistem em procurar tratamento. Estima-se que, em média, o indivíduo leva cerca de oito anos, desde as primeiras suspeitas de dificuldades para ouvir até a primeira consulta com um especialista. Na maioria dos casos, isso ocorre por causa da falta de informação e do preconceito quanto aos aparelhos auditivos, que hoje têm design moderno e contém tanta tecnologia quanto os modernos smartphones.

Por meio de um teste auditivo, chamado audiometria, o médico otorrinolaringologista pode detectar o grau de perda auditiva e orientar o paciente para evitar o agravamento do problema.


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