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sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Psicóloga alerta para sinais que podem levar ao suicídio

Redação

Setembro é o mês mundial de prevenção ao suicídio. Para a psicóloga da Santa Casa de Mauá, Valéria Xavier, o suicídio é um fenômeno complexo e multifatorial que afeta indivíduos de diferentes origens, faixas etárias, condições socioeconômicas, orientações sexuais e identidades de gênero.

A psicóloga Valéria ressalta que a maioria dos que tentam o suicídio dão sinais sobre suas ideias de morte, então, é importante ficar atento, principalmente, aos adolescentes | Foto: divulgação

"O suicídio pode ser prevenido. Reconhecer os sinais é o primeiro passo. No caso de crianças e adolescentes, são necessárias ações de apoio que contribuam para a prevenção das violências interpessoal e autoprovocada", comenta a especialista.

O suicídio representa 1,4% de todas as mortes no mundo e entre os jovens de 15 a 29 anos, em 2017, foi a segunda causa de morte, segundo estudos da Organização Mundial da Saúde. No Brasil, entre 2011 e 2016, houve maior predominância de autoagressão e tentativa de suicídio na adolescência, entre 10 e 19 anos. Os públicos mais vulneráveis são LGBT, indígenas, negros, situação de rua, entre outros.

Vale ressaltar que a violência autoprovocada leva à ideia suicida, momento em que o suicídio é visto como uma saída para o sofrimento. No caso de crianças e adolescentes, isso pode acontecer quando há depressão grave, baixa autoestima, humor deprimido, incapacidade de ver melhora na situação, sentimento de que não há motivos para viver ou chance de ser feliz.

Alguns sinais começam com a autoagressão, um ato intencional de automutilação ou outras formas de causar dano a si mesmo, sem intenção de morte. Por vezes, crianças e adolescentes relatam que se autoagridem para controlar ou aliviar uma dor emocional. Já na tentativa de suicídio, o indivíduo se autoagride com a intenção de tirar a própria vida, utilizando um meio que acredita ser letal, sem resultar em óbito. No suicídio, o ato de tirar a própria vida é deliberado, com desfecho fatal.

Diversos fatores podem aumentar o risco de autoagressão ou tentativa de suicídio como histórico de transtorno mental; bullying; situação atual ou anterior de violência intra ou extrafamiliar; história de abuso sexual; suicídio na família; baixa autoestima; uso de álcool e outras drogas.

Em situações normais, as redes sociais ajudam os jovens a se expressarem e se comunicarem. "Há muitas experiências online que podem estar relacionadas ao comportamento suicida, incluindo humilhação, assédio, extorsão sexual, problemas de imagem corporal e medo de exposição. Por outro lado, as novas tecnologias digitais também são usadas para disponibilizar suporte interativo para acolher como, por exemplo, os serviços de aconselhamento online", orienta a psicóloga.

Determinados alertas podem identificar o comportamento suicida como a preocupação com a própria morte ou falta de esperança; ideias ou de intenções suicidas; ausência de autocuidado; mudanças na alimentação e sono; uso abusivo de drogas e álcool; alterações nos níveis de atividade ou de humor; crescente isolamento e diminuição do rendimento escolar. Também é importante estar alerta para os sinais de autoagressão, como nas mudanças no vestuário para cobrir partes do corpo.

A maioria dos que tentam o suicídio dão sinais sobre suas ideias de morte; uma tentativa prévia é o principal fator de risco para o suicídio; falar sobre suicídio não aumenta seu risco; nem todas as pessoas que tiram a vida tem transtorno mental, já que comportamento suicida indica profundo sofrimento. Muitas vezes, a pessoa não deseja a morte, mas uma saída para o seu sofrimento.

"Então, quando houver alguma suspeita de uma pessoa ser suicida, três passos são importantes: perguntar e tratar com seriedade o que é dito, agir com respeito e empatia, não julgar, certificar-se de que a criança ou adolescente compreende os limites da confidencialidade; ouvir com atenção; cuidado com a expressão corporal - não fique chocado; ouça primeiro e depois ofereça apoio", finaliza Valéria.

terça-feira, 10 de setembro de 2019

“Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio”: é preciso observar os sinais

Redação

Nesta terça-feira (10) é celebrado o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, mas as ações relacionadas à data estão em evidência ao longo de todo o mês, na campanha Setembro Amarelo. O suicídio é a segunda maior causa entre os jovens com idade entre 15 e 29 anos, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). A média em todo mundo é que cerca de 800 mil pessoas tirem a própria vida por ano. Para reduzir estes números, é preciso ficar atendo aos sinais e comportamentos depressivos de pessoas próximas, para oferecer ajuda.

 Em geral, indivíduos impulsivos, agressivos e deprimidos têm maior risco de cometer suicídio | Foto: Freepik


A OMS tem como meta reduzir o número de suicídios em 10% até 2020. Para isso, é preciso adotar algumas práticas, conforme comenta o psiquiatra da Faculdade São Leopoldo Mandic, Celso Garcia Júnior.  "O mais relevante é focar na prevenção. O tema não tem que ser um tabu, é preciso diálogo e derrubar as barreiras ainda existentes para termos resultados mais positivos", afirma.

De acordo com o especialista, uma possível explicação para o aumento das taxas de suicídio entre os jovens é a relação impulsividade/agressividade. Em geral, indivíduos impulsivos, agressivos e deprimidos têm maior risco de suicídio. Nos jovens, essas características estão ainda mais presentes.

Há vários fatores de risco e antecedentes relevantes para o comportamento suicida. Entre eles: sexo masculino; adultos jovens (19 a 49 anos) e idosos; estados civis viúvo, divorciado e solteiro; desesperança, desamparo, impulsividade e agressividade; antecedente pessoal de tentativa de suicídio ou familiar de suicídio; falta de adesão ao tratamento das doenças psiquiátricas; ideação ou planejamento suicida; baixa tolerância a frustrações e adversidades; história de abuso físico ou sexual; perdas ou separações dos pais na infância; rede familiar e de apoio social instáveis; eventos traumáticos recentes, como perdas afetivas; acesso a métodos letais, como arma de fogo e substâncias venenosas.

As pessoas próximas devem estar atentas para os sinais e sintomas de depressão e mudanças de comportamento, como isolamento social, declínio no desempenho escolar e abuso de álcool e outras drogas.

"A postura mais importante é acolher, tentar conversar, deixar desabafar, sem medo de ouvir o que a pessoa que está sofrendo tem para dizer. Não é recomendado dar conselhos simplistas e descompromissados como, por exemplo, 'vai ficar tudo bem', 'todo mundo passa por isso', 'você precisa ser forte'. Às vezes, esse tipo de conselho pode fazer a pessoas se sentir ridicularizada", salienta Garcia Júnior.

A ajuda de um profissional de saúde habilitado, como um psicólogo ou um psiquiatra é fundamental. Além disso, cada vez mais, as unidades básicas de saúde e os centros de atenção psicossociais estão preparadas para acolher esse tipo de situação. Há também o Centro de Valorização da Vida (CVV) que atende 24 horas por dia pelo telefone 188. A ligação é gratuita e as conversas são sigilosas.

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Vontade de morrer: como se livrar desse sentimento?

*Por Tatiana Pimenta

Diferente do que se pode pensar, a vontade de morrer é um sentimento que não se abate apenas sobre quem está com depressão, embora seja um dos sintomas mais comuns para diagnosticar a doença.

"Quando a situação parecer insustentável e for preciso buscar ajuda imediata, o Centro de valorização da Vida (CVV) possui atendimento telefônico de auxílio 24 horas pelo número 188", ressalta a CEO e fundadora do Vittude, Tatiana Pimenta | Imagem: reprodução

Mais comum do que se imagina, esse desejo de por fim à própria vida é algo inerente ao ser humano, sobretudo quando passamos por momentos de profunda tristeza, desesperança e impotência diante de uma situação difícil.

Quando as coisas ficam pesadas demais, e tudo que se sente é uma incapacidade profunda de seguir adiante, de tão insuportável que é a dor do momento, tudo que pensamos é em nos livrar da situação e, não vendo saída, a vontade de morrer nos assombra, como um meio mais rápido de se livrar do que nos causa dor.

Neste artigo, vamos buscar esclarecer esse sentimento tão negativo e apontar saídas para se livrar da angústia causada pela vontade de morrer.

Violência autodirigida
É assim que a Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica o suicídio, que é atualmente a 14ª causa de morte em todo o mundo, e a 4ª entre jovens de 15 a 29 anos. Por isso, a tentativa de suicídio – ou de violência autodirigida, além de ser a expressão máxima do sofrimento de um indivíduo, já se tornou um grave problema de saúde pública.

Felizmente, a vontade de morrer nem sempre ultrapassa o limite do desejo de livrar-se da dor. No entanto, é preciso estar atento ao números da OMS e do Ministério da Saúde, que apontam no Brasil uma morte por suicídio a cada 46 minutos, registrando cerca de 11 mil casos anuais.

Complexos e obscuros, os motivos que levam alguém a tirar a própria vida não tem explicações objetivas. Contudo, sabemos que a vontade de morrer tem origem em problemas que parecem sem solução e que sugam a energia de quem luta contra eles.

Contudo, apesar do suicídio ainda ser tratado como tabu ou motivo de vergonha e um assunto de difícil abordagem entre a família, amigos, e até mesmo na terapia, esse é um tema que precisa ser discutido, já que vontade de morrer, se não tratada com a devida atenção e solucionada a tempo, pode passar do campo do desejo para o campo da prática, transformando uma ideia numa tragédia sem reparação.

Vontade de morrer: depressão ou fuga?
Na maioria das vezes a vontade de morrer não é genuína. Ao encontrar dificuldade para enxergar outras opções e motivada pelo desespero, a pessoa pensa nessa medida extrema, mas na verdade, ela não deseja abandonar sua vida.

O que a pessoa deseja, de fato, é dar fim à sua dor e acabar com problemas que não apresentam soluções. Perdido diante de um sentimento de impotência extrema, quando parece que já não há mais saída possível, a ideia de morte passa a ser a solução mais rápida.

Geralmente, ao optar por esta "saída" a pessoa demonstra uma fragilidade maior, além da falta de um sentido ou objetivo de vida, e também mostra uma certa inexperiência no enfrentamento dos seus medos e angústias.

Por isso, a vontade de morrer tende a ser desencadeada por um sentimento de fuga da realidade, ou então causada por uma depressão profunda. Identificar qual a origem desse sentimento é fundamental para o diagnóstico mais preciso de um problema de saúde mental grave como a depressão e para direcionar o tratamento mais adequado.

De todo modo, é preciso assumir esse sentimento e buscar ajuda profissional, mas também procurar na família e no círculo de amizades um apoio, um outro olhar para tudo aquilo que parece não ter solução, mas é, sim, possível de resolver.

Como se livrar da vontade de morrer
O cansaço existencial e as crises constantes alimentam o desejo de morrer. Mas embora exista um certo ar poético (embora melancólico) e um alívio utópico em por fim à própria existência, isso não só não resolve os problemas como pode piorar a situação, direcionando o foco para uma falsa solução.

Deixar de existir tem sua poesia, seu alívio utópico, mas não resolve de verdade os problemas. Ao contrário, pode piorar tudo, por direcionar seu foco para uma atitude equivocada e que trará ainda mais sofrimento.

Buscar um diagnóstico médico
Ao perceber que a tristeza profunda e o desejo de morrer são constantes, é muito importante procurar ajuda médica de um psiquiatra. Pode ser que uma depressão grave já tenha se instalado e o tratamento com medicação será necessário para regular os níveis de serotonina e de outros neurotransmissores que estejam prejudicados no organismo.

Fazer terapia
Buscar a ajuda de um psicoterapeuta é essencial para acabar com os pensamentos de morte e acender uma luz dentro da escuridão em que a pessoa se encontra. Conversar sobre o problemas e expor os sentimentos que fazem com que a vontade de morrer se manifeste pode ser a grande chave para abrir a porta da solução dos problemas que parecem irresolvíveis.

Encarar a realidade
A vida é bela, mas não é perfeita! Por isso, se livrar da vontade de morrer requer persistência e muito foco, além de um exercício constante de autoconhecimento para encarar os problemas com maturidade. Saber que existe saída para tudo e agir com racionalidade deve ser uma atitude constante.

Traçar objetivos de vida
Se livrar da ideia de morte e prevenir o suicídio passa por construir novos sentidos para a vida e resgatar objetivos que podem ter se perdido pelo caminho. Nesse caso, é importante estar ciente de que não se trata apenas da posse de bens ou de ganhar mais dinheiro, mas tal sentido deve ser pautado em desejos que tragam resultados duradouros, com um significado maior.

Retomar os estudos, mudar de carreira, fazer uma viagem para o lugar dos sonhos... Somos todos movidos por desejos e paixões, e abandoná-los pode ser perigoso, pois nossa vida passa a se parecer com um barco a deriva, sem uma rota a seguir e um porto onde se deva atracar.

Estreitar vínculos
Os vínculos familiares e de amizade, como citamos no início, são essenciais para dar um novo sentido à vida e se livrar dos problemas que trazem a vontade de morrer. Tecer redes de apoio e solidariedade, buscar e dar afeto às pessoas queridas, praticar um hobby, uma atividade física, e não se cobrar nem se culpar o tempo todo pelo que acontece de errado torna tudo mais leve.

Dica importante! Quando a situação parecer insustentável e for preciso buscar ajuda imediata, o Centro de valorização da Vida (CVV) possui atendimento telefônico de auxílio 24 horas pelo número 188.

* Tatiana Pimenta é CEO e fundadora da Vittude. É engenheira formada pela UEL com MBA executivo pelo Insper. Executiva com 15 anos de experiência profissional em empresas como Votorantim e Arauco do Brasil. Apaixonada por psicologia e comportamento humano, faz psicoterapia pessoal há sete anos. Também é maratonista amadora, palestrante[ e colunista de comportamento, inovação e empreendedorismo.

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Setembro Amarelo alerta para a prevenção ao suicídio

Redação

Criado em 2015, a campanha Setembro Amarelo tem como objetivo a conscientização para prevenção do suicídio. Ao longo deste período, a iniciativa tem crescido devido ao aumento desenfreado de casos de transtornos mentais, como a depressão, muitas vezes responsáveis por criar nas pessoas o desejo de tirar a própria vida.

Cerca de 800 mil pessoas se suicidam anualmente, segundo a OMS. Esta é a segunda principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos | Imagem: reprodução

Para combater esse mal, o Setembro Amarelo alerta para a necessidade de falar sobre depressão, suicídio e outros transtornos que ainda são considerados tabus em diversos setores da sociedade.

Dados divulgados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), apontam que nove em cada 10 casos de suicídio poderiam ser evitados. Por isso, a necessidade de sensibilizar as pessoas que estão ao redor de quem apresenta comportamentos que indicam tendências suicidas e, claro, incentivar as pessoas a buscarem ajuda.

Alguma coisa está fora da ordem
Estudos chancelados pela OMS, em 2018, mostram que 800 mil pessoas se suicidam todos os anos, e que essa é a segunda principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos. No Brasil, os números também assustam. Em setembro do ano passado, o Ministério da Saúde revelou que, em média, um caso de suicídio acontece a cada 46 minutos no país.

Não por acaso, os dados ligados aos transtornos psicológicos também são alarmantes. De acordo com a OMS, um estudo divulgado, no ano passado, aponta que 300 milhões de pessoas sofrem com a depressão ao redor do mundo, doença que será a mais incapacitante do planeta, a partir de 2020, segundo estimativas.

A psicóloga da Care Plus, Melina Cury Haddad, comenta que a motivação para alguém tirar a própria vida varia. “Muitos motivos podem levar pessoas a tirarem suas próprias vidas, como estresse, problemas financeiros ou amorosos, doenças crônicas e dores, mas o suicídio está diretamente ligado à depressão. E ambos têm apresentado números preocupantes”, afirma.

Infelizmente, até mesmo quem parece ter a vida dos sonhos está suscetível a esse mal. Recentemente, o comediante, ator e youTuber Whindersson Nunes precisou se afastar do público para tratar a depressão. Em 2018, o maior medalhista olímpico da história, o nadador norte-americano, Michael Phelps, também revelou lutar contra o distúrbio e a ansiedade. Outro que fala abertamente da dificuldade de lidar com a depressão é o premiado ator e humorista Jim Carrey.

A atenção a comportamentos preocupantes nas pessoas ao redor, como alterações no humor, sono, apetite, desânimo, fadiga excessiva, entre outros, é fundamental. “Ao perceber algum colega ou familiar nessa situação, ofereça apoio, ouça com gentiliza, adotando uma postura livre de julgamentos ou sermões, e auxilie a pessoa a procurar ajuda profissional, pois a depressão é uma doença e deve ser tratada como tal”, finaliza Melina.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Suicídio e a autoestima: o que morre antes de um jovem pensar em suicídio?

*Augusto Cury

Estamos na era da inteligência artificial, na era do estresse, em que precisamos mais do que nunca conhecer a mente humana. Os pais estão desesperados. Antes eles apresentavam dificuldade em admitir que tinham perdido o controle dos seus filhos, hoje já sabem que não possuem esse controle. Estamos diante de uma geração que se vê presa e vítima das armadilhas da mente: do coitadismo, conformismo, imediatismo, superficialidade, necessidade neurótica de estar sempre certo, dificuldade de reconhecer erros, baixa resiliência, insegurança, baixa autoestima - uma geração que não sabe proteger a sua emoção. Os adultos fazem seguros de todos os seus bens, mas não possuem consciência da necessidade de fazer seguro emocional. As crianças e jovens, por conseguinte, também não aprendem sobre proteção emocional com seus pais.

 Algumas pesquisas têm apontado que crianças expostas por longos períodos às telas digitais tornam-se mais calmas. Mas, muito ao contrário, esta exposição constante tem intoxicado mentalmente nossas crianças, tornando-as cada vez mais ansiosas e agitadas. O excesso de informações, por si só, acarreta diversas doenças psicossomáticas.

 Quem está assumindo o controle da mente de nossos jovens? Podemos afirmar que no âmago do cérebro há um biógrafo não autorizado se infiltrando o tempo todo para tentar escrever todos os capítulos da vida deles! A cada pensamento negativo, perturbador, a cada ideia que os aprisiona, a cada momento, esse biógrafo assume um posto de comando, e dita as diretrizes que irão constituir os textos vividos de nossos jovens. Cumpre-nos a responsabilidade e a importância de os ensinar a combater estes pensamentos, assumindo as rédeas de seus pensamentos, aprendendo a gerenciar, também, suas emoções!

 Devemos nos questionar: o que morre dentro de um jovem antes que venha a pensar em suicídio? Quando pensamos em jovens bem resolvidos, felizes, que têm uma relação aberta, afetiva com seus pais e educadores, que se sentem amados e acolhidos, mesmo diante de suas limitações e dificuldades, certamente pensamos em jovens que não se dobrariam ao desejo de tirar a própria vida. O desejo de suicídio surge quando o jovem pondera que não terá grandes perdas ao deixar a vida que leva!

 A cada ano, no Brasil e no mundo, temos presenciado um aumento angustiante na taxa de suicídio, em especial entre a faixa etária de 10 a 19 anos. O suicídio já é a segunda causa de morte entre os jovens. Você, pai, responsável, precisa não somente vigiar as redes sociais, o acesso que o seu filho tem na internet, mas, sobretudo, precisa criar vínculos afetivos seguros, conduzir seu filho a se sentir amado, desejado, pertencente à sua vida, à sua história, à sua família, estar presente, auxiliando-o, sem invadir o espaço dele, observando o que se passa na mente dele, por meio de diálogo, checar quais os "monstros" que encontram-se por dentro da psique do seu filho. Quais são os pensamentos negativos, quais são os seus medos, quais são as suas angústias, o que está no controle dos pensamentos dele?

Falta autoestima e autocontrole aos jovens, além de outras habilidades socioemocionais. É necessário que os pais criem pontes com os filhos, - jamais permitindo que estes se isolem em suas ilhas emocionais. Nós precisamos ensinar as nossas crianças a desenvolver uma autoestima alta, uma autoimagem saudável, que aprendam a se enxergar e a se amar, valorizando-se.

 Segundo pesquisas, hoje no Brasil, dois milhões de meninas sofrem de anorexia nervosa, 80% dos jovens já sofreram algum tipo de bullying, pois se sentiram altamente constrangidos em algum momento. É preciso, com urgência, ensinar os nossos filhos e alunos a se defenderem do sistema que impõe padrões altíssimos de beleza, de sucesso, de capacidade intelectual, etc. Precisamos ensiná-los a serem autores da sua própria história, e não vítimas deste sistema, a trabalhar suas perdas e frustrações, a ensiná-los que o seu valor está naquilo que ele é e não naquilo que os outros dizem que ele é. Ao fazer com que se sintam únicos e insubstituíveis, nós estamos prevenindo o suicídio!

É necessário e imprescindível prevenir. Não basta remediarmos. Nós chegamos a mais de 7 bilhões de habitantes porque a medicina preventiva foi a menina dos olhos de ouro das gerações anteriores e hoje nós precisamos usar a Psicologia, a Pedagogia e a Filosofia, como a menina dos olhos de ouro na prevenção. Nós precisamos promover a saúde, e não só olhar para a doença.

 Ao trabalharmos as habilidades socioemocionais, e darmos ferramentas psicológicas para o enfrentamento às dificuldades da sociedade atual, estamos juntos no combate ao suicídio, que têm assombrado a vida de nossas crianças e dos nossos jovens. Só assim teremos uma geração de jovens que saberá que o seu valor está no que eles próprios pensam e investem em si, sendo autores de suas próprias histórias!

Sobre o autor

*Augusto Cury é médico psiquiatra, psicoterapeuta, pesquisador e escritor. Pós-graduado no Centre Medical Marmottan – Paris/França, na Espanha e na PUC de São Paulo. Ao longo de 30 anos de carreira, atuando como psiquiatra, pesquisador e escritor,  Cury alcançou o reconhecimento nacional e internacional, tornando-se o autor mais lido da última década. Ele também é idealizador do programa da Escola da Inteligência, Menthes e Gênios, empresas que compõem o Grupo Educacional Augusto Cury (GEAC).



terça-feira, 5 de setembro de 2017

Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio: falar é importante

Da redação

O slogan da campanha Setembro Amarelo de 2017 é “falar é a melhor solução”. O movimento mundial foi criado pela Internacional Association for Suicide Prevention (IASP) para mostrar a importância de falar sobre o assunto, que é desconfortável para a maioria das pessoas e coincide com a data mundial de prevenção ao suicídio, dia 10 de setembro. 

O suicídio pode ser prevenido | Imagem: Reprodução
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 800 mil pessoas tiram a própria vida todos os anos, o que significa que a cada 40 segundos é cometido um suicídio no mundo. Entre os jovens de 15 a 29 anos, o suicídio é a segunda causa de morte. No Brasil, as estatísticas também são assustadoras: A cada 45 minutos, um brasileiro comete suicídio. São 32 vidas perdidas por dia, segundo dados do Centro de Valorização da Vida (CVV).

Para o psiquiatra e cofundador da Estar Saúde Mental, Caio Magno, o mais importante não são as estatísticas de morte, mas sim de prevenção. “Em 90% dos casos, o suicídio está ligado a transtornos mentais, como depressão, transtorno bipolar, esquizofrenia e abuso de álcool e drogas. Todas essas condições são tratáveis. Porém, enfrentamos no Brasil dois obstáculos: dificuldade de acesso aos serviços de saúde e falta de conscientização da importância de cuidar da saúde mental como cuidamos da saúde física”, diz o médico.

O que leva uma pessoa a cometer suicídio?
Em 90% dos casos, o suicídio é consequência de um transtorno mental não tratado ou tratado inadequadamente. A dependência química é um fator de risco importante, pois aumenta em 15% o risco de tirar a própria vida. “Temos também os suicídios que ocorrem devido ao desemprego, problemas financeiros, luto e divórcio, mas são menos prevalentes que aqueles ligados aos transtornos mentais”, explica Magno. 

Segundo um estudo que avaliou a epidemiologia do suicídio, a cada 100 habitantes, 17 já pensaram em suicídio, 5 planejaram, 3 tentaram e apenas 1 foi atendido em um serviço de emergência. Esses dados mostram que tirar a própria vida é algo mais comum do que podemos imaginar, por isso é considerado um problema de saúde pública.

Quando a vida perde a graça
De acordo a psicóloga e cofundadora da Estar Saúde Mental, Ghina Machado, não há uma explicação objetiva para o suicídio. “A família que passa por esse problema tende a procurar respostas. O que podemos dizer é que quem tira a própria vida o faz na esperança de escapar da dor e dos problemas. Normalmente, se sentem incompreendidas. Desta maneira, falar realmente pode ser a melhor solução para prevenir o suicídio. Porém, mais importante que falar, é saber escutar quem está passando por um comportamento suicida”.

Como identificar os sinais de alerta
“Uma ameaça de suicídio sempre deve ser considerada pelos familiares e amigos. Quando a pessoa aponta essa hipótese é porque chegou ao limite e precisa de ajuda. Sabemos que a maioria dos suicidas expressou, de alguma maneira, a intenção para pessoas próximas ou até mesmo na internet, o que é cada vez mais comum”, diz Ghina.

A regra dos 4D
A psicóloga explica que há uma maneira simples de identificar comportamentos suicidas. “Costumamos dizer que nas frases de pessoas com ideação suicida estão presentes sentimentos de depressão, desesperança, desamparo e desespero, conhecidos com a regra dos 4D. Veja alguns exemplos: “Eu já sei o que vou fazer”; “eu não aguento mais”; “os outros serão mais felizes sem mim”/“não farei falta” e “ninguém me entende”. 

O que fazer?
“Buscar ajuda de um médico psiquiatra é a primeira atitude. A família é fundamental neste momento e deve tomar atitudes rápidas. Após a avaliação do médico, devem ser tomadas medidas de segurança. O tratamento pode envolver medicação e terapia.”, afirma Magno.

Prevenção
“É preciso entender que a saúde mental é tão importante quanto a física. O suicídio pode ser prevenido na maioria dos casos. Quem sofre de depressão, transtorno bipolar e outros distúrbios mentais deve procurar tratamento. Entretanto, como a pessoa pode estar mergulhada em seu próprio sofrimento, cabe à família ou aos amigos ajudá-la, mostrando interesse e preocupação, sem criticá-la ou julgá-la”, conclui Ghina.




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