terça-feira, 10 de setembro de 2019

“Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio”: é preciso observar os sinais

Redação

Nesta terça-feira (10) é celebrado o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, mas as ações relacionadas à data estão em evidência ao longo de todo o mês, na campanha Setembro Amarelo. O suicídio é a segunda maior causa entre os jovens com idade entre 15 e 29 anos, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). A média em todo mundo é que cerca de 800 mil pessoas tirem a própria vida por ano. Para reduzir estes números, é preciso ficar atendo aos sinais e comportamentos depressivos de pessoas próximas, para oferecer ajuda.

 Em geral, indivíduos impulsivos, agressivos e deprimidos têm maior risco de cometer suicídio | Foto: Freepik


A OMS tem como meta reduzir o número de suicídios em 10% até 2020. Para isso, é preciso adotar algumas práticas, conforme comenta o psiquiatra da Faculdade São Leopoldo Mandic, Celso Garcia Júnior.  "O mais relevante é focar na prevenção. O tema não tem que ser um tabu, é preciso diálogo e derrubar as barreiras ainda existentes para termos resultados mais positivos", afirma.

De acordo com o especialista, uma possível explicação para o aumento das taxas de suicídio entre os jovens é a relação impulsividade/agressividade. Em geral, indivíduos impulsivos, agressivos e deprimidos têm maior risco de suicídio. Nos jovens, essas características estão ainda mais presentes.

Há vários fatores de risco e antecedentes relevantes para o comportamento suicida. Entre eles: sexo masculino; adultos jovens (19 a 49 anos) e idosos; estados civis viúvo, divorciado e solteiro; desesperança, desamparo, impulsividade e agressividade; antecedente pessoal de tentativa de suicídio ou familiar de suicídio; falta de adesão ao tratamento das doenças psiquiátricas; ideação ou planejamento suicida; baixa tolerância a frustrações e adversidades; história de abuso físico ou sexual; perdas ou separações dos pais na infância; rede familiar e de apoio social instáveis; eventos traumáticos recentes, como perdas afetivas; acesso a métodos letais, como arma de fogo e substâncias venenosas.

As pessoas próximas devem estar atentas para os sinais e sintomas de depressão e mudanças de comportamento, como isolamento social, declínio no desempenho escolar e abuso de álcool e outras drogas.

"A postura mais importante é acolher, tentar conversar, deixar desabafar, sem medo de ouvir o que a pessoa que está sofrendo tem para dizer. Não é recomendado dar conselhos simplistas e descompromissados como, por exemplo, 'vai ficar tudo bem', 'todo mundo passa por isso', 'você precisa ser forte'. Às vezes, esse tipo de conselho pode fazer a pessoas se sentir ridicularizada", salienta Garcia Júnior.

A ajuda de um profissional de saúde habilitado, como um psicólogo ou um psiquiatra é fundamental. Além disso, cada vez mais, as unidades básicas de saúde e os centros de atenção psicossociais estão preparadas para acolher esse tipo de situação. Há também o Centro de Valorização da Vida (CVV) que atende 24 horas por dia pelo telefone 188. A ligação é gratuita e as conversas são sigilosas.

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