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terça-feira, 17 de dezembro de 2019

Câncer de intestino: conheça os alimentos “vilões”

Redação

Uma única fatia de bacon ao dia aumenta o risco para câncer de intestino em 20%, de acordo com um estudo divulgado neste ano, pela revista International Journal of Epidemiology.  Além disso, o consumo de carnes processadas (como presunto e salames), em uma quantidade de 76 gramas diárias ou mais, aumenta o risco da mesma forma.

Mudança no hábito intestinal, sangramento nas evacuações, sensação de evacuação incompleta são alguns dos sintomas do câncer de intestino | Foto: divulgação

O câncer colorretal é o segundo mais frequente em mulheres no Brasil e o terceiro entre os homens, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA). A estimativa é de 36 mil novos casos ao ano no País.

Segundo o cirurgião do aparelho digestivo e especialista em cirurgia robótica, Alexander Morrell, a cirurgia é a principal forma de tratamento disponível para a doença. “A operação contempla a retirada do câncer e dos linfonodos em conjunto, também chamados de “gânglios”, que podem auxiliar na disseminação da doença se não ressecados. Após a retirada do segmento de intestino doente, é feita uma união novamente entre as partes saudáveis intestinais, para retorno dos hábitos normais de funcionamento do órgão”.

Equipes qualificadas podem realizar o tratamento de forma minimamente invasiva. “O paciente é beneficiado com menor dor no pós-cirúrgico, recuperação mais rápida, menor perda de sangue e tempo de internação. Ainda, tem-se menos chances de infecção de sítio cirúrgico e hérnias no pós-operatório. A cirurgia robótica é o que há de mais inovador na área”, ressalta Morrel.

Estão na área de risco pessoas com mais de 50 anos, com histórico prévio de câncer na família; pacientes obesos, pessoas que consomem muita carne vermelha e alimentos processados. O especialista alerta ainda para o consumo de bebidas alcoólicas.

Sintomas 
O paciente deve procurar um médico especialista caso apresente possíveis sintomas da doença. “Entre os mais comuns estão anemia, cansaço, perda de peso sem dieta, mudança no hábito intestinal, sangramento nas evacuações, sensação de evacuação incompleta e mudança no aspecto das fezes”, finaliza Morrell.

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Podemos evitar 30% dos cânceres

*Por Ramon Andrade de Mello 

A população mundial vive um novo tempo onde a longevidade vem se tornando um fator presente em várias nações. Já vivemos mais do que nossos avós e os nossos netos provavelmente terão uma outra perspectiva de existência. Porém, o corpo humano tem suas próprias limitações impostas pela nossa natureza. As células humanas não possuem capacidade organizada de replicação durante o processo de senescência. Enfim, há um limite para a reprodução celular. Isso quer dizer que temos um ponto finito para enfrentar as doenças.

Tabagismo, uso do álcool, obesidade, sedentarismo, exposição à radiação solar continua ou radiações ionizantes são fatores de risco para o câncer, além dos fatores herdados geneticamente | Foto: Freepik

Assim, a perspectiva de longevidade com qualidade de vida ainda esbarra em alguns padrões que mantemos no nosso cotidiano. São hábitos que se tornam vilões no desenvolvimento de tumores. Vale lembrar que encontramos os fatores de risco herdados, mas outros podem ser modificados como tabagismo, uso do álcool, obesidade, sedentarismo, exposição à radiação solar continua ou radiações ionizantes.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), em 2004, foram 7,4 milhões de pessoas atingidas pela doença. Uma estimativa da instituição revela que o envelhecimento da população, somada a hábitos nada saudáveis e o convívio em ambientes cada vez mais artificiais, deve fazer com que cerca de 11 milhões de pessoas no mundo todo terão de enfrentar o problema até 2030.

Considerada uma das enfermidades cada vez mais comum, a casualidade do câncer tem assustado muitas pessoas no mundo todo. Mas isso pode ser diferente. Ter um estilo de vida mais saudável e evitar a exposição a substancias ocasionais é o objetivo primordial para que a doença não se desenvolva, mas há também a prevenção secundária correlacionada à infecção por HPV ou cânceres assintomáticos iniciais.

Com as estratégias certas, podemos combater essa dura realidade. Portanto, é sempre importante procurar assistência especializada, caso note qualquer anomalia em seu corpo. Um check-up anual também cai bem.

Por isso, muitas vezes as nossas próprias escolhas são o melhor fator de proteção; escolha ser saudável!

*Ramon Andrade de Mello é oncologista, professor da disciplina de oncologia clínica da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e da Escola de Medicina da Universidade do Algarve (Portugal). 

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Câncer e doenças reumáticas têm conexão perigosa

Redação

As doenças reumatológicas, de maneira geral são divididas entre as manifestações autoimunes e as doenças degenerativas, possuem grande correlação com o câncer e os médicos precisam estar atentos para essa conexão, para garantir a segurança dos pacientes e escolher o melhor tratamento.

É fundamental o diálogo entre o reumatologista e o oncologista, para que não trate demais a doença reumatológica e descompense o câncer, e nem vice-versa, alerta a reumatologista Danieli Andrade | Foto: Freepik

Segundo a reumatologista e diretora da Sociedade Paulista de Reumatologia e professora do HC-FMUSP, Danieli Andrade, as doenças reumáticas, que são inflamatórias e crônicas, trazem situações predisponentes ao desenvolvimento do câncer especialmente pelos tratamentos utilizados com imunossupressores, que afetam a imunidade do paciente.

“Sabemos que as doenças reumáticas, que usam esses remédios, predispõem os pacientes a terem infecções, inclusive infecções crônicas como é o exemplo do HPV, que pode levar ao desenvolvimento de câncer de colo do útero”, alerta a reumatologista.

 Doença autoimune pode levar ao câncer e vice-versa 
“Uma das situações que o reumatologista tem que estar muito atento é quando você percebe que o indivíduo está abrindo um quadro de doença numa época atípica. Então, imagine que as nossas doenças reumatológicas, autoimunes de uma maneira geral, são doenças de mulheres jovens. Se por um acaso, nós avaliamos um paciente, um idoso, que abre um quadro de artrite reumatóide aos 70 anos, apesar de que isso pode acontecer mesmo sendo uma situação de maior exceção, nós temos que ter o raciocínio e levantar a possibilidade de pensar que aquilo pode ser uma manifestação chamada paraneoplásica. E o que que é isso?  A pessoa tem um câncer escondido, mas na verdade, ela está manifestando aquilo de uma forma sistêmica como uma doença autoimune reumatológica. Então isso é uma das situações”, explica a médica.

 Outra das situações que pode acontecer é exatamente o raciocínio inverso. “Então imagina que o oncologista que está tratando uma mulher com câncer de mama e resolveu usar uma terapia para câncer, principalmente os cânceres que expressam o hormônio, e esse tratamento pode levar a dores incapacitantes articulares nessa mulher. Portanto, é muito importante a parceria entre o oncologista e reumatologista, para que se tenha um resultado final melhor em termos de tratar o paciente da doença de base que ele tem, nesse caso o câncer, mas também dar a oportunidade de a pessoa viver com uma qualidade de vida melhor”, avalia a reumatologista.

E uma terceira situação, citada pela médica da conexão entre câncer e doença reumática, refere-se ao tratamento da imunoterapia, um tratamento muito recente que trata cânceres agressivos que, geralmente, não são responsivos às terapias habituais.

A reumatologista cita exemplo de um paciente que se trata com imunoterapia para câncer de pulmão e o sistema imune pode receber uma mensagem de atacar demais aquele tumor e, na verdade, levar o paciente a desenvolver uma doença autoimune.

Como o paciente reumático pode evitar o câncer? 
O importante é que o reumatologista avalie caso a caso, de maneira individualizada. Para Danieli, não há como generalizar, porque é preciso enxergar tanto a doença reumatológica como o câncer de maneira individualizada, pois a mesma doença, o lúpus, por exemplo, pode se manifestar de forma agressiva em um paciente com sequelas irreversíveis e, em outro, manifestar-se com quase nenhuma perda de qualidade de vida.

A diretora da SPR recomenda que o paciente faça acompanhamento regular com o reumatologista, assim como deve fazer todas as medidas de triagem, que o próprio médico reumatologista deve prescrever como mamografia e colonoscopia. “Tudo de maneira orientada pelo médico, que acompanha esse paciente, não de uma forma indiscriminada”, destaca a especialista.
Danieli acredita ser fundamental uma conversa muito bem ponderada entre o reumatologista e o oncologista para que não trate demais a doença reumatológica e descompense o câncer, e nem vice-versa.

terça-feira, 5 de novembro de 2019

"Novembro Azul": diagnóstico precoce do câncer de próstata salva vidas

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de próstata é o segundo tipo mais comum dessa doença, atrás apenas do câncer de pele. Somente em 2017, foram registrados 15.400 óbitos decorrentes dessa condição no País. A alta prevalência e mortalidade do câncer de próstata foram fatores que levaram ao surgimento do Novembro Azul, movimento mundial que ajuda na conscientização e popularização de informações a respeito da doença, além de alertar para necessidade do diagnóstico precoce, fundamental para aumentar as chances de cura.

A dificuldade e a necessidade de urinar mais vezes, presença de sangue e a diminuição do jato urinário podem indicar câncer de próstata | Foto: reprodução

Segundo a oncologista da Beneficência Portuguesa (BP) de São Paulo, Camilla Yamada, a próstata é a glândula que produz o líquido seminal, um dos componentes do esperma, e está localizada logo abaixo da bexiga e à frente do reto, parte final do intestino, envolvendo o canal da urina.

"O câncer de próstata é uma doença cujos principais fatores de risco são o envelhecimento, histórico familiar de câncer de próstata, fatores genéticos (na minoria dos casos), obesidade, alterações hormonais, entre outros. Normalmente, a doença cresce lentamente e nas fases iniciais se mantém confinado à glândula, tratado, em geral, de forma local com altas chances de cura ou, em alguns casos selecionados, apenas observado clinicamente. Por outro lado, há tipos mais agressivos que exigem maior complexidade de tratamento", detalha a oncologista

Como na maioria dos cânceres, o diagnóstico precoce é o principal fator que aumenta as chances de cura. Por isso, a importância de campanhas como o Novembro Azul e a realização dos exames de rastreamento, que aumentam as chances de diagnóstico em fase inicial. "Recomenda-se que todos os homens, entre 50 e 75 anos, façam exames de rastreamento a cada um ou dois anos, de acordo com a indicação médica. Mas caso exista histórico familiar relacionado ao câncer de próstata, o ideal é começar antes", reforça Camilla.

A especialista alerta também que sinais como a dificuldade e a necessidade de urinar mais vezes, presença de sangue e a diminuição do jato urinário podem apontar câncer de próstata. "Avaliação médica e exames regulares são importantíssimos e as opções terapêuticas são inúmeras como cirurgia, radioterapia, manejo hormonal, quimioterapia e/ou radionucleotídeos. A opção de tratamento deve ser individualizada e o arsenal de tratamentos disponível proporciona altas chances de cura ou controle da doença", afirma a oncologista.

Sobre prevenção, a médica alerta que hábitos saudáveis e estratégia para rastreamento da doença são as melhores alternativas.

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Outubro Rosa: mitos e verdades sobre o câncer de mama

Redação

O cenário do câncer de mama no Brasil e no mundo traz números expressivos. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), no Brasil quase 60 mil mulheres são diagnosticas pela doença por ano. A enfermidade está entre as mais comuns neste grupo, ficando atrás apenas do câncer de pele não melanoma, além de ser a número um no ranking de causa de morte por câncer no mundo.

Cerca de 90% das pacientes com diagnóstico de câncer de mama não tem nenhum histórico familiar | Imagem: reprodução

Diante desta dimensão, o problema ainda gera muitas dúvidas. O mastologista do Hospital Edmundo Vasconcelos, Yong Kyun Joo, explica o que é mito e verdade sobre o assunto:

1. Realizar o autoexame todo mês e não sentir nada exclui a necessidade de fazer a mamografia? 
Mito. Apesar de importante, o autoexame feito como única forma de prevenção não é um método eficaz para detectar o câncer de mama. Isso porque o indivíduo só consegue apalpar o nódulo cancerígeno quando ele está em estágios avançados. Portanto, se você tem 40 anos ou mais, deve fazer mamografia todos os anos.

2. Apenas quem tem casos na família pode ter câncer de mama?
Mito. Devemos sempre valorizar os antecedentes familiares, principalmente em parentes de primeiro grau. Porém, cerca de 90% das pacientes com diagnóstico de câncer de mama não tem nenhum histórico familiar, ou seja, a maioria não tem um componente hereditário.

3. Ter filhos diminui a chance de ter câncer de mama?
Verdade. A gestação é um dos principais fatores protetores para câncer de mama, principalmente antes dos 30 anos. Isso porque o tecido mamário só atinge a sua diferenciação completa com a gestação, tornando-se, desta forma, menos suscetível à transformação maligna.

4. O ultrassom de mamas é um bom substituto para a mamografia no rastreamento de câncer mamário?
Mito. Embora o ultrassom seja muito mais confortável, ele não é eficaz para rastreamento como método isolado. Apesar de amplamente utilizado, o seu principal papel é complementar à mamografia, que é ainda o principal exame para a detecção do câncer de mama.

5. Homens também podem ter câncer de mama?
Verdade. É muito mais raro, com uma proporção de 1/100, mas homens também podem ter câncer de mama. Neles, a doença aparece mais tardiamente, geralmente na sexta ou sétima década de vida.

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Animais: câncer de mama atinge mais de 45% das fêmeas

Redação

O Outubro Rosa é uma campanha de conscientização que busca a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama nas mulheres. Pensando nos animais, a Nutrire decidiu "pegar carona" nesta importante iniciativa, para alertar aos tutores sobre a doença nos pets, visto que esse tipo de câncer é o mais comum em cadelas e gatas.

Os sintomas mais comuns do câncer de mama em cadelas e gatas são: dor, feridas, inapetência, vômitos, desânimo, além de nódulos e inchaço nas mamas | Foto: Pixabay

Dados do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) revelam a alta incidência da doença nos animais de estimação: cerca de 45% das cadelas e 30% das felinas desenvolvem algum tumor, sendo que 85%, infelizmente, são de caráter maligno.

A veterinária da Nutrire, Luana Sartori, comenta a incidência da doença nas fêmeas. “As causas do câncer de mama em cadelas e gatas estão relacionadas com o uso de anticoncepcionais, com a obesidade e também com uma alimentação não balanceada. Além disso, muitos animais não são castrados - o que aumenta o número de casos, visto que a castração precoce, aquela que ocorre antes do primeiro cio (cerca de seis meses de idade), é uma forma eficiente de prevenir alguns tipos de câncer”, explica.

Diagnóstico tardio
Além de tudo, quase 20% dos tumores nas fêmeas são diagnosticados muito tarde, o que prejudica as chances de sobrevivência. “É por esse motivo que a visita constante ao veterinário é tão fundamental para a vida desses bichinhos. Somente o check-up feito regularmente pode detectar o problema mais cedo e garantir a chance de um tratamento mais eficiente”, revela.

Sintomas e tratamento
Os sintomas do câncer de mama em cadelas e gatas variam de caso para caso, mas os mais comuns são: dor, feridas, inapetência, vômitos, desânimo, além de nódulos e inchaço nas mamas.

“O tratamento vai variar também de acordo com a situação do animal e, claro, com a evolução da doença. A quimioterapia é uma opção eficaz, além de causar menos efeitos colaterais nos animais do que nos seres humanos”, explica Luana.

Porém, a especialista alerta que somente o veterinário poderá prescrever o melhor caminho.

quinta-feira, 25 de julho de 2019

Câncer de colo do útero: dados alarmantes pedem atenção

*Por Karina Tafner

De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), cerca de 80% da população mundial será acometida por pelo menos um dos tipos de HPV ao longo da vida, e mais de 630 milhões de homens e mulheres (1:10 pessoas) estão infectados. No Brasil, acredita-se que haja de 9 a 10 milhões de infectados por esse vírus e que, a cada ano, 700 mil novos casos ocorram.

"A realização de exames preventivos, como o Papanicolau, aumenta as chances de um diagnóstico precoce e de cura", ressalta a ginecologista Karine Tafner | Foto: divulgação 
Segundo o Inca, aproximadamente uma mulher morre a cada 60 minutos de câncer de colo de útero no Brasil: são 16.370 mil novos casos e 8.079 mortes a cada ano. O câncer de colo de útero é o 3º mais comum entre mulheres no Brasil. Estima-se que para cada ano do biênio 2018/2019 haverá um risco de 15,43 casos a cada 100 mil mulheres.

Diante deste cenário alarmante, é fundamental conhecer e prevenir a doença. De acordo com a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), o câncer de colo do útero tem início com alterações na região cervical chamadas de neoplasia intraepitelial cervical (NIC). Essa neoplasia no útero tem como característica um desenvolvimento lento, que sofre interferências da angiogênese do colo do útero (quando as células tumorais estimulam a formação dos novos vasos sanguíneos necessários para o fornecimento dos nutrientes essenciais para seu crescimento acelerado).

O câncer de colo do útero pode ser dos seguintes tipos: carcinoma de células escamosas, que representa 70 a 80% dos casos; adenocarcinoma, de células pequenas e o sarcoma uterino, que é um tumor formado a partir de músculos, gorduras e tecidos fibrosos. Esse tipo de câncer uterino geralmente é descoberto quando já está em um estágio avançado. A realização de exames preventivos, como o Papanicolau, aumenta as chances de um diagnóstico precoce e de cura. A colposcopia e a biópsia são exames que também podem ser realizados para o diagnóstico.

Para o tratamento do câncer de colo do útero podem ser realizados três tipos de procedimentos: cirurgia (tais como a criocirurgia, cirurgia a laser, conização, histerectomia, traquelectomia, extração pélvica ou dissecção dos linfonodos pélvicos), quimioterapia e radioterapia. A vacinação preventiva está disponível para a população pelo SUS para meninas de 9 a 14 anos. O câncer de colo de útero tem quase 100% de prevenção com vacinação, diagnóstico e tratamento.

* Karina Tafner é ginecologista e bbstetra; médica Assistente do ambulatório de Reprodução Assistida da Santa Casa (FCMSCSP); especialista em Endocrinologia Ginecológica e Reprodução Humana pela Santa Casa; Especialista em Reprodução Assistida pela Febrasgo.

quinta-feira, 4 de julho de 2019

HPV é um dos principais fatores do câncer de boca e garganta

Redação 

Julho é o mês reservado ao combate do câncer de cabeça e pescoço. Entre os dez tipos de câncer de maior ocorrência no Brasil, o tumor orofaríngeo – localizado atrás da boca e que inclui a base da língua, céu da boca, amídalas e paredes laterais – é um dos tumores mais incidentes entre os jovens brasileiros de até 40 anos de idade. O oncologista do Centro Paulista de Oncologia (Grupo Oncoclínicas), Andrey Soares, comenta sobre os fatores de risco.

O aumento do HPV ocorre por meio da prática sexual sem proteção, principalmente por intermédio do sexo oral | Foto: Reprodução 

 "O HPV (Papilomavírus Humano) possui alta associação com este cenário precoce, em conjunto com outros fatores como o tabagismo e o etilismo", alerta Soares.

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o número de casos relacionados à infecção pelo vírus vem aumentando em homens e mulheres e a sua transmissão ocorre por meio da prática sexual sem proteção, principalmente por intermédio do sexo oral.

" O risco do desenvolvimento do tumor maligno entre jovens é grande por conta da liberdade sexual adquirida nos últimos anos", explica o especialista.

Ainda segundo Soares, o vírus atinge de forma massiva a população feminina. Cerca de 75% das brasileiras sexualmente ativas terão contato com o HPV ao longo da vida, sendo que o ápice da transmissão do vírus ocorre na faixa dos 25 anos.

Primeiros sinais
Os primeiros sinais do tumor orofaríngeo podem surgir por meio de feridas que não cicatrizam na boca nos primeiros 15 dias, além do aparecimento de nódulos no pescoço. O paciente pode se queixar também de dor para mastigar ou engolir. "Estes fatores, ligados ao aparecimento de pequenas verrugas na garganta ou na boca, podem revelar um possível diagnóstico com associação ao HPV. Portanto, é muito importante que seja acompanhado de perto por um especialista".

Outros sintomas podem estar relacionados à rouquidão persistente, manchas/placas vermelhas ou esbranquiçadas na língua, gengivas, céu da boca e bochecha, bem como lesões na cavidade oral ou nos lábios e dificuldade na fala.

Principais fatores
1) Infecções Virais: a geração de jovens e adultos com menos de 40 anos preza e valoriza muito a liberdade sexual. Trata-se de um grupo que nasceu após o "boom" do HIV e, apesar de bem informada e consciente dos riscos envolvendo doenças sexualmente transmissíveis, apresenta índices elevados de contágio pelo chamado papilomavírus humano – conhecido como HPV. "Além disso, a hepatite B e C também são fatores de risco para câncer de cabeça e pescoço, são infecções virais que podem ser transmitidas em relações sexuais não seguras. Vale lembrar sempre da importância do uso de preservativos para a preservação da saúde", finaliza o médico.

2) Tabagismo: segundo o oncologista, o câncer de cabeça e pescoço apresenta maior incidência entre os jovens e pouco mais de um terço é causado por maus hábitos. "O principal e o mais importante de ser combatido é o tabagismo", destaca Soares.

Antigamente, o hábito de fumar era visto com elegância e glamour, sendo incentivado até pelas propagandas que mostravam atores famosos tragando seus cigarros, o que estimulava esse costume entre as pessoas mais jovens. O uso frequente do cigarro também é responsável pelo aparecimento do tumor na cabeça e pescoço. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 90% dos pacientes diagnosticados com câncer de boca eram tabagistas.

3) Álcool: houve um tempo em que o cigarro era liberado nos restaurantes e até em sala de aula. Hoje, isso não é mais permitido. Contudo, o uso do tabaco persiste e, na maioria das vezes, vem acompanhando de bebidas alcoólicas. Estimativas apontam que 75% dos casos de câncer de pulmão são decorrentes do uso do tabaco e os fumantes têm cerca de 20 vezes mais risco de desenvolver a doença. O álcool pode agir como um solvente e facilitar a penetração de carcinógenos nos tecidos-alvos.

Além disso, aumenta o índice de quebras no material genético e a peroxidação de lipídios e, consequentemente, a produção de radicais livres. Vários estudos epidemiológicos demonstram que o consumo combinado de álcool e fumo constitui o principal fator de risco para o desenvolvimento de câncer de cabeça e pescoço.

terça-feira, 18 de junho de 2019

Especialistas explicam boatos sobre alimentação e a relação com o câncer

Redação

Em fóruns pela internet e grupos de redes sociais é comum aparecerem "milagres" contra o câncer a todo momento, alguns citam "alimentos poderosos". Para a oncologista clínica do Centro Paulista de Oncologia (CPO), Denise Leite, muitos boatos são aceitos como verdades, pois as pessoas se sentem fragilizadas diante do câncer.

O chá verde deve ser evitado, durante o tratamento contra o câncer, para não diminuir a eficácia da medicação | Foto: reprodução 
"É uma doença de que as pessoas têm muito medo, acham que não há cura – mesmo que haja. Elas se agarram a qualquer coisa que crie uma esperança, além do tratamento convencional", afirma Denise.

O oncologista do CPO, Marcelo Aisen, também concorda e acrescenta que alguns pacientes em fases mais avançadas do câncer procuram saídas alternativas, sem pensar racionalmente sobre sua eficácia. "Se alguém relata que se curou de um câncer ou que conhece alguém que tenha ficado bom depois de comer ou beber algo, eles acreditam. Não importa se não há estudo que comprove; aquilo é falado e escrito tantas vezes, em tantos lugares diferentes, que eles tomam como verdade", conta.

Denise explica que  a escolha de alguns alimentos como “milagrosos”, por exemplo, pode ocorrer pelo fato da indústria farmacêutica ter estudado, mas acabaram descartados por não terem sido encontradas neles substâncias eficazes para a elaboração de medicamentos, ou cujo trabalho ainda não terminou. "Um pedaço de informação é manipulado e a história toma proporções enormes", afirma.

A seguir, Denise e Aisen esclarecem mitos e verdades na relação entre a alimentação e o câncer. Mas, antes, os especialistas lembram: uma alimentação balanceada e saudável, com o máximo de alimentos naturais e o mínimo possível de processados, é realmente uma aliada para o sucesso dos tratamentos contra o câncer e para o bem-estar geral das pessoas, tenham elas câncer ou não.

Graviola é a nova arma na cura do câncer?
Mito. Alguns compostos da folha da graviola estão sendo estudados devido às suas características antioxidantes e profiláticas, mas ainda não há nenhuma conclusão quanto à sua eficácia contra o câncer, ou mesmo em relação ao seu uso em medicamentos para o tratamento da doença.

Maçã evita o câncer de pulmão?
Mito. Um estudo realizado em 2017 pela Universidade John Hopkins (EUA) indica que quem come três porções (cerca de 400 gramas) de maçã por dia tem a função pulmonar mais forte e preservada, devido principalmente às características antioxidantes e anti-inflamatórias da fruta. Mas não há nenhuma ligação formal entre isso e o desenvolvimento de um câncer de pulmão.

Não se deve tomar chá verde durante o tratamento contra o câncer?
Verdade. O chá verde é metabolizado pelas mesmas enzimas necessárias para a absorção de alguns dos medicamentos do tratamento contra o câncer. Assim, é melhor evitar a bebida para não haver a diminuição da eficácia dos remédios.

Tomate previne contra o câncer de próstata?
Não chega a ser mito, mas é difícil chamar de verdade. O licopeno presente no tomate realmente tem a capacidade de prevenir contra o câncer de próstata, mas não existem estudos científicos que comprovem na prática, se é possível alcançar algum resultado – além de ter toda uma alimentação geral exemplar.

Gengibre cura qualquer tipo de câncer?
Mito. Não há nenhuma evidência científica de que algum elemento do gengibre tenha a capacidade de curar o câncer. Porém, é verdade que o gengibre alivia os sintomas de mal-estar da quimioterapia e da radioterapia, como náuseas e enjoos.

Vegetais verdes protegem contra o câncer de intestino?
Verdade. Eles aceleram o movimento intestinal, facilitam a evacuação e, possivelmente, impedem a formação de células cancerígenas no órgão, embora, novamente, não haja estudos definitivamente comprobatórios em relação a isso.

sexta-feira, 26 de abril de 2019

Falta de higiene é a principal causa de câncer no pênis, que pode levar a amputação

Redação

Para alguns, parece óbvio; para outros nem tanto. Mas a higiene do pênis é fundamental para proteger contra doenças e manter em alta a performance sexual. A falta de higiene íntima, tanto para o homem quanto para mulher, pode acarretar em inflamações e irritações na área genital, que vão desde coceiras até infecções graves por fungos e bactérias. Em casos ainda mais críticos, pode ocasionar o câncer de pênis. Segundo dados do comitê científico do Instituto Lado a Lado pela Vida, todos os anos cerca de 1, 6 mil homens precisam amputá-lo parcial ou totalmente no Brasil por causa do câncer no membro.

A limpeza correta da genitália evita doenças sexualmente transmissíveis, diminuindo as chances de desenvolvimento do câncer | Foto: Freepik

Embora seja difícil de acreditar, a falta de higiene é a principal causa de câncer de pênis. Isso porque a limpeza correta da genitália evita doenças sexualmente transmissíveis, diminuindo as chances de desenvolvimento da doença, segundo o urologista Aguinaldo Nardi , que é membro do comitê científico do Instituto Lado a Lado pela Vida.

“Há uma forte associação entre a presença do prepúcio (pele que recobre a glande ou cabeça do pênis) e o surgimento do câncer peniano. Além disso, as DSTs caminham lado a lado com este tipo de câncer”, explica Nardi.

De acordo com o urologista, muitos homens acreditam que estão fazendo a higiene adequada do pênis durante o banho, mas podem estar se esquecendo de detalhes simples. Por isso, o especialista listou três dicas básicas e muito importantes que vão ajudar os homens a manterem a limpeza e a saúde.

1 – Puxe o prepúcio 
Segundo Nardi, a limpeza envolve puxar o prepúcio até o aparecimento total da glande (cabeça do pênis). “Passe água com espuma de sabão ou sabonete sobre a superfície da mucosa e/ou pele suavemente, até sair toda a camada de gordura acumulada", explica o urologista.

A essa gordura é dado o nome de esmegma. Ela é uma secreção branca composta de células descamadas da pele e óleos produzidos por glândulas penianas, e precisa ser retirada completamente, para que seja afastado o risco de proliferação de bactérias e fungos no local.

2 – Tome banho depois do ato sexual
Este é um ponto importante destacado pelo médico: a limpeza adequada do pênis depois do ato sexual, pois ela ajuda a remover resíduos de sêmen e excesso de lubrificante do preservativo. A higiene também serve para retirar o muco da lubrificação natural da mulher junto com resíduo de secreção espermática, após a ejaculação, já que ambos são ricos em substâncias que servem como meio de cultura para bactérias e fungos.

3 – Use preservativo em qualquer relação sexual
O uso de preservativos em qualquer relação sexual é fundamental. Essa atitude previne contra o vírus HIV e as demais doenças sexualmente transmissíveis, como HPV, herpes genital, gonorreia, hepatite B e C e sobretudo sífilis, doenças que vem apresentando aumento no número de ocorrências no Brasil, acompanhando uma tendência mundial.

Câncer de pênis tem maior incidência no Norte e Nordeste

Entre os fatores de risco para que o pior aconteça, o especialista menciona a fimose, que impede a exposição da glande, por causa do estreitamento do prepúcio, o acúmulo de esmegma e, principalmente, a falta de informação. “Pessoas em situação socioeconômica desfavorável, moradoras das regiões mais carentes, são as mais afetadas pelo câncer de pênis”, explica o especialista.

Apesar de rara nos países europeus e América do Norte, esse tipo de tumor é uma condição frequente em muitos países africanos, sul americanos e asiáticos. No Brasil, ele representa 2% de todos os tipos de câncer que atingem o homem, sendo mais frequente nas regiões Norte e Nordeste. O número de mortes chega a 400 por ano, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA).

Dados da literatura brasileira demonstraram que dos pacientes com câncer de pênis, 75% eram brancos, 23% negros e 2% orientais. Cerca de 90% dos casos são oriundos do Sistema Único de Saúde (SUS). Isso sugere que o câncer de pênis tende a afetar os mais pobres, não circuncidados e com hábitos precários de higiene.

Mesmo com todos os cuidados, é essencial buscar um profissional ao menor sinal de problema. “Os homens precisam ficar de olho na aparição de manchas, verrugas, úlceras e feridas no pênis. Quanto antes for diagnosticado, maiores são as chances de sucesso no tratamento e da não remoção do pênis”, finaliza Nardi.

segunda-feira, 22 de abril de 2019

Alimentação saudável é essencial na prevenção do câncer de cólon

Redação

O cuidado com a microbiota (flora intestinal) é essencial, para prevenir o câncer na região do cólon do intestino.  É preciso auxiliar o bom funcionamento da flora intestinal e, para isso, a boa alimentação é fundamental, conforme explica o geriatra e clínico geral do Hospital das Clínicas, Paulo Camiz.

O consumo diário de fibras deve ficar entre 25 e 30 gramas, segundo a OMS | Foto: reprodução 

“O consumo de fibras é muito importante para o funcionamento adequado da nossa microbiota. Pois, como elas não são digeridas pelo nosso intestino, chegam ao cólon inteiras e servem de alimento para as bactérias, que previnem o câncer de intestino”, explica Camiz.

Além disso, o especialista cita a diferença de consumo de fibras hoje em dia e no passado, o que pode ajudar a explicar o aumento dos casos de câncer de cólon. “Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), o consumo diário de fibras deve ficar entre 25 e 30g (gramas). Os nossos antepassados chegaram a ingerir em média 150 a 200g por dia. Muito distante do que consome o povo norte-americano, por exemplo, que tem a baixa média de 10g diárias, sendo um dos fatores que ajudam a explicar o alto nível de obesidade nos EUA”.

Por fim, o médico faz um alerta: cada corpo é único e deve ser avaliado desta maneira. Com isso, ele comenta que alguns exames podem identificar o tipo de microbiota do paciente e, assim, cada pessoa poder ter uma dieta personalizada, direcionada para a microbiota de cada indivíduo.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Combate ao câncer: prevenção ainda é o melhor remédio

Da Redação

Embora a palavra câncer ainda seja um tabu para um grande número de pessoas, os especialistas são unânimes em afirmar que a identificação precoce da doença aumenta consideravelmente as chances de cura. Por isso, a União Internacional para o Controle do Câncer (UICC), com o apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS), marcou 4 de fevereiro como o Dia Mundial de Combate ao Câncer, com o objetivo de conscientizar e educar a população sobre a prevenção, que pode evitar milhões de mortes anualmente. O mês também é conhecido pela cor laranja para alertar sobre a leucemia.

Fevereiro laranja alerta para a conscientização sobre a leucemia | Imagem: reprodução 
A tendência global ainda é de crescimento no número de casos de câncer, o que aumenta a importância de iniciativas como essas. De acordo com a OMS, uma a cada seis pessoas morrem no mundo em razão da doença e cerca de 18 milhões desenvolvem o câncer a cada ano, a maioria em países de baixa e média renda. A expectativa é que o número chegue a 21 milhões de pessoas, em 2030.

No Brasil, o Instituto Nacional do Câncer (Inca) aponta que 1/3 dos casos de câncer está relacionado ao estilo de vida: tabagismo, consumo de álcool, sedentarismo, obesidade e exposição excessiva ao sol. Entre os cânceres com maior incidência entre os homens estão os de próstata, de traqueia, de brônquio e de pulmão, seguido de cólon e reto. Já entre as mulheres, os mais frequentes são os de mama, de cólon e reto e de colo do útero.


O coordenador da área de Cirurgia Oncológica do Grupo Leforte e presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia (SBC), Ricardo Antune, ressalta a necessidade da prevenção. "É importante destacar o impacto da educação e a prevenção junto a todos os tipos de cânceres, pois já está comprovada a redução de pelo menos 30% da incidência e mortalidade quando as ações são efetivas no sentido de prevenir ", afirma.


Alimentação saudável e a prática de atividades físicas, como caminhar, já são um bom começo, pois contribuem para evitar um fator de risco importante para o câncer: a obesidade.  Aliado a estas práticas, é preciso dar atenção aos exames preventivos de acordo com a faixa etária ou identificação de alguma alteração na saúde ou no corpo, como um pequeno nódulo.

Fevereiro laranja

A cor laranja simboliza a conscientização de combate à leucemia, uma doença que começa na medula óssea, onde o sangue é produzido, e está entre os dez tipos que mais atingem a população brasileira.

Geralmente, de origem desconhecida, a leucemia possui mais de 12 tipos sendo que os quatro mais comuns são:

• Leucemia linfoide crônica (LMC): Raramente afeta crianças. A maioria das pessoas diagnosticadas com esse tipo da doença tem mais de 55 anos. Se desenvolve de forma lenta.
• Leucemia mieloide crônica (LMA):  Atinge principalmente adultos
• Leucemia linfoide aguda (LLA): Mais comum em crianças pequenas, mas também ocorre em adultos. Avança rapidamente
• Leucemia mieloide aguda (LMA): A incidência aumenta com o aumento da idade. Ocorre em crianças e adultos e avança rapidamente.

O médico-chefe do setor de Transplantes de Medula Ossea do Hospital Leforte, Rodrigo Santucci, comenta que entre os sintomas estão: cansaço, dores nos ossos e nas articulações, febres que podem vir acompanhadas de suores noturnos, perda de peso, aparecimento de manchas roxas ou avermelhadas na pele, palpitações e sensações incômodas na região abdominal, sangramento nas gengivas e no nariz, e inchaço no pescoço.

"Estes indicativos iniciais podem ser confundidos com outras doenças, principalmente quando falamos de crianças. Por isso, a importância desta data de alerta para reforçar a investigação de alterações na saúde e também nos resultados de exames de sangue de rotina", comenta Santucci.

O especialista reforça as chances de cura por meio de tratamentos avançados como os anticorpos monoclonais –proteínas usadas pelo sistema imunológico para identificar e neutralizar corpos estranhos, como células tumorais –, tratamentos quimioterápicos ou o mais conhecido que é o transplante de medula óssea. Neste caso, a doação pode vir de um parente compatível ou de uma pessoa que fez um cadastro no hemocentro, cujo dados vão para o Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (REDOME).



Pacientes que sobrevivem ao câncer adotam hábitos mais saudáveis, aponta estudo do Inca

Da Redação

Na solenidade do Dia Mundial do Câncer, em 4 de fevereiro, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) e o Ministério da Saúde divulgam na sede do instituto no Rio de Janeiro os resultados do estudo Compreendendo a Sobrevivência ao Câncer na América Latina: Os casos do Brasil, que busca entender experiências e identificar necessidades de indivíduos que sobreviveram ao câncer e também de seus familiares/cuidadores.

Estudo foi apresentado no último dia 4 na sede do Inca, no Rio de Janeiro | Foto: Carlos Leite/Inca
O estudo tem uma abordagem qualitativa e aprofundou temas ligados à sobrevivência em entrevistas com pacientes e familiares. Uma das principais conclusões é que a maioria dos participantes reavaliou seu estilo de vida e muitos optaram por comportamentos mais saudáveis. Pacientes e familiares relataram mudanças na alimentação com a adoção de dietas mais saudáveis, dentro das suas realidades. Eles também contaram que começaram a praticar exercícios físicos e passaram a fazer exames médicos periódicos.

Então, os pesquisadores atribuem as mudanças à experiência do diagnóstico e tratamento do câncer que, apesar de causar angústia e sofrimento, conduz a um processo de reformulação de valores e comportamentos. Além da adoção de um estilo de vida mais saudável, eles relataram que também redefiniram o que e quem, de fato, importa em suas vidas.

Os pesquisadores brasileiros entrevistaram 47 indivíduos diagnosticados há pelo menos 12 meses com câncer de próstata, mama, colo do útero e Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA) e 12 familiares/cuidadores, em hospitais das redes pública e privada no Rio de Janeiro e em Fortaleza em 2014 e 2015.

Já o termo "sobrevivência ao câncer" foi introduzido em 1985 pelo médico americano Fitzhugh Mullan e inicialmente incluía apenas pacientes e ex-pacientes. Posteriormente, foram incorporados neste grupo os cuidadores, que geralmente são pessoas da família.

A médica epidemiologista Liz Almeida, chefe da Divisão de Pesquisa Populacional do INCA e coordenadora executiva do estudo, comenta o estudo. "A boa notícia é que temos hoje melhores tecnologias disponíveis para o diagnóstico e o tratamento do câncer. O desafio agora é que precisamos nos preparar para atender o imenso contingente de pessoas que sobreviveram à doença, mas que podem ter sequelas físicas e emocionais tanto do câncer quanto do tratamento. Este grupo já é uma das grandes preocupações das redes de saúde em países desenvolvidos, situação para qual o Brasil caminha a passos largos," afirma.

O Inca estima a ocorrência, em 2019, de 68.220 novos casos de câncer de próstata, 59.700 de mama, 16.370 de colo do útero e 10.800 de leucemias. A sobrevida mediana estimada para estas doenças para o período de 2010-2014 foi de 92% para o câncer de próstata, 75% para mama, 60% para colo do útero e 66% para LLA na infância.

Grande parte dos entrevistados reclamou da dificuldade de acesso a informações e da falta de um modelo específico de cuidados para os indivíduos acometidos pelo câncer. Após o tratamento, os pacientes são acompanhados por, pelo menos, cinco anos. Se não houver mais sinais da doença, o paciente retorna à clínica de origem com orientações.

O estudo apontou uma importante demanda de suporte emocional por parte dos sobreviventes. Neste quesito, a principal carência é entre os familiares/acompanhantes, que não contam com atendimento psicológico, algo que atualmente é oferecido somente aos pacientes.

Sobre o aspecto emocional, a pesquisa também evidenciou o estreitamento dos laços afetivos entre pacientes e familiares, após a descoberta da doença. Os sobreviventes relatam ainda que receberam importantes manifestações de apoio e solidariedade vindas de grupos familiares e religiosos, colegas de trabalho e profissionais de saúde.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Palestras sobre o câncer infantil são ministradas em Santo André

Da Redação

Como forma de conscientizar a população sobre sintomas e diagnóstico precoce do câncer infantil, a Casa Ronald McDonald ABC (Avenida Príncipe de Gales, 821) em Santo André, promoverá nesta semana (dias 11, 13 e 14 de fevereiro) às 15h30, palestras abertas ao público. As inscrições são limitadas e deverão ser realizadas por meio do telefone 4433-4490.

A Casa Ronald McDonald ABC fica na Avenida Príncipe de Gales, 821, em Santo André | Foto: reprodução 
No primeiro dia, a palestra abordará A importância do diagnóstico precoce do câncer infantil, com Luciana Garcia Trujillo, oncologista infantil do Hospital Estadual Mário Covas; no próximo encontro (13) será a vez de Ivete de Souza Yavo, psicóloga com atuação em Psicooncologia e professora da  Universidade de São Caetano (USCS), que falará sobre As emoções, o câncer e a família.  O último tema será Terapias complementares e o câncer, ministrado por Cláudia Carvalho, fisioterapeuta e acupunturista.

No dia 15 (sexta-feira), quando é comemorado o Dia Internacional de Combate ao Câncer Infantil, as atividades serão voltadas exclusivamente aos hóspedes, com a presença da equipe Hamburgada do Bem. O grupo preparará hambúrgueres caseiros com participação dos moradores, que além de degustarem também aprenderão a fazer o lanche.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Uso de óculos de sol previne câncer ocular

Da Redação

O retinoblastoma é o câncer ocular mais comum em crianças pequenas. Ele atinge a retina e é visível nas fotografias, já que evidencia um brilho branco em um dos olhos da criança. Já entre os adultos, há dois tipos de câncer que merecem muita atenção: o melanoma e o linfoma.  De acordo com o oftalmologista Renato Neves, diretor-presidente do Eye Care Hospital de Olhos, em São Paulo, ainda existe o câncer que tem origem em outro órgão, como mamas ou pulmão, por exemplo, e depois acaba atingindo os olhos. Em todos os casos, o diagnóstico precoce aumenta as chances de cura. Mas o ideal, segundo o médico, é apostar na prevenção através do uso de óculos de sol.

Óculos escuros devem ser usados mesmo em dias nublados, afirma o oftalmologista Renato Neves
"Os fatores de risco para o melanoma ocular incluem pele clara, olhos claros (verdes ou azuis), idade superior a 45 anos, histórico de câncer na família e excesso de exposição dos olhos ao sol. Vale ressaltar que pessoas que trabalham no campo, em alto-mar, ou nas praias também têm risco aumentado para a doença por conta da superexposição aos raios ultravioleta (UVA e UVB). Por isso, é fundamental proteger sempre bem os olhos com óculos escuros – mesmo em dias nublados. O uso de boné ou chapéu em dias ensolarados também é altamente indicado, até mesmo para quem tem olhos castanhos", afirma o oftalmologista.

Neves diz que o tumor ocular, quando diagnosticado e tratado logo no início, tem grandes chances de cura. "Quando, ao invés daquele reflexo vermelho provocado pelo flash da máquina fotográfica, os pais notam um reflexo branco nos olhos do bebê, devem levá-lo a um oftalmologista sem demora. O retinoblastoma é um tipo comum de câncer infantil, causado pelo crescimento de um tumor na camada celular da retina. Hereditariedade é fator de risco que corresponde a apenas 10% dos casos. Os outros 90% ainda têm causas desconhecidas. Portanto, é importante prestar muita atenção aos olhos do bebê desde que nasce – conferindo sempre os reflexos nas fotos".

Já o melanoma ocular pode atingir tanto a parte interna do globo ocular (úvea), quanto a membrana que reveste e protege a córnea (conjuntiva). "O melanoma ocular costuma ser assintomático, daí a importância da prevenção. Queixas de alterações visuais constantes, 'moscas volantes', flashes luminosos, e até mesmo descolamento da retina geralmente surgem quando a doença se encontra num estágio com prognóstico pouco favorável. Normalmente, esse tipo de câncer ocular acomete pessoas entre 40 e 60 anos de idade, sendo necessário fazer um mapeamento da retina, bem como uma ultrassonografia, além dos exames oftalmológicos comuns", diz o médico.

"Pessoas com o sistema imunitário mais vulnerável, como pacientes em tratamento de Aids, são mais suscetíveis ao câncer ocular do tipo linfoma. Embora raro, é mais facilmente percebido, já que implica no crescimento anormal de uma massa de tonalidade rósea sobre a conjuntiva – atrapalhando a visão até mesmo quando se esconde nos cantos das pálpebras. Somente a biópsia poderá dizer quando é um tumor benigno ou maligno. De todo modo, o tratamento com radioterapia logo no início da doença tem se mostrado promissor. Diante desse quadro, é muito importante que as pessoas compreendam que os óculos de sol são muito mais do que um acessório estético – sendo fundamentais para a prevenção da doença", conclui o oftalmologista.

 


terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Bazar solidário da MMartan em prol da Casa Ronald McDonald ABC ocorre neste mês

Da Redação

Em 14 e 15 de dezembro, às 11h e 9h, respectivamente, acontecerá o Bazar Solidário MMartan, no espaço localizado na Rua Padre Capra, 84 – Vila Assunção – Santo André. O evento terá  ofertas, envolvendo produtos de cama, mesa e banho com descontos de até 50% . Parte da renda será revertida à Casa Ronald McDonald ABC, que a utilizará nas obras de revitalização, que ocorrem desde janeiro deste ano, mas que ainda necessitam de vários materiais e móveis para a sua finalização.

A Casa Ronald McDonald ABC fica na Av. Príncipe de Gales, 821 | Foto: Reprodução
A Casa Ronald McDonald ABC (Av. Princípe de Gales, 821) faz parte do Programa Casa Ronald McDonald, coordenado pelo Instituto Ronald McDonald no Brasil que, atualmente, atende 27 hóspedes de zero a 20 anos de idade, acompanhados por um responsável, vindos dos mais diversos lugares do País em busca de tratamento para o câncer. No local, eles contam com hospedagem, alimentação, transporte e apoio psicossocial gratuitos durante toda a sua estadia.


segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Estudo aponta que 12% das mortes por câncer de mama são por falta de atividade física

Da Redação

A atividade física ajuda na prevenção de diversas doenças como, por exemplo, diabetes, hipertensão e obesidade. O estudo, intitulado Mortality and years of life lost due to breast cancer attributable to physical inactivity in the Brazilian female population (1990–2015), divulgado na revista Nature, nesta última sexta-feira (19), revelou que em média 12% das mulheres vítimas de câncer de mama, ou seja uma em cada dez, falece por causa do sedentarismo.

A prática de atividade física elimina as substâncias que colaboram para o desenvolvimento do câncer | Foto: divulgação 
Com colaboração do Ministério da Saúde, o estudo afirma que, em 2015, mais de 2 mil mortes poderiam ser evitadas, se as pacientes fizessem ao menos uma caminhada, de 30 minutos por dia, cinco vezes por semana, como recomenda a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A OMS aconselha 150 minutos por semana de atividade física moderada ou 75 minutos de exercícios intensos. O médico oncologista Márcio Almeida, da Aliança Instituto de Oncologia, explica que a atividade física é uma importante aliada não apenas para prevenir a incidência de diversos cânceres, mas também para melhorar a qualidade de vida durante e depois do tratamento dos tumores.

"O exercício físico é uma das poucas coisas que podemos afirmar com segurança que diminui a reincidência de câncer. Além disso, durante o tratamento, se o paciente for liberado pelo médico, os exercícios podem melhorar a disposição, apetite, bem estar e aumentar a força muscular, que é comprometida durante a quimioterapia", destaca.

Para o preparador físico da Academia Bodytech de Brasília, Talles Sucesso, não existe um tipo de exercício específico para pacientes em tratamento ou pós tratamento de câncer. "O ideal é se preocupar com a regularidade das atividades que devem ser aplicadas de forma gradual. Manter os exercícios é fundamental", afirma o personal.

A prática de exercícios reduz a gordura corporal total, o nível de colesterol ruim e, consequentemente, elimina as substâncias que colaboram para o desenvolvimento do câncer.



sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Homens devem cuidar da saúde para preservar a fertilidade e qualidade de vida

Da Redação

O Novembro Azul é um mês dedicado a campanha nacional de conscientização ao câncer de próstata. Alertar a população masculina sobre a importância de cuidar da saúde é o objetivo central desta ação. A consequência de não visitar um especialista ao perceber alguma anomalia ou desconforto é a diminuição da chance de cura. O ideal é procurar um médico logo nos primeiros sintomas atípicos como ardência, dor, manchas ou feridas na pele.

O tabagismo, consumo excessivo de álcool e sedentarismo são fatores de risco para o câncer | Foto: Freepik
Jovens com câncer de testículo, linfomas e outros tipos de tumores podem perder sua fertilidade e, nesses casos, o congelamento do sêmen é uma opção para quem fará quimioterapia, radioterapia ou terapias imunossupressoras para doenças autoimunes, conforme explica o especialista em reprodução humana assistida, Alfonso Massaguer, que é membro da Federação Brasileira da Associação de Ginecologia e Obstetrícia  (Febrasgo) e diretor-médico da Clínica Mãe.

 "Quanto mais tempo o paciente demora para fazer o congelamento do sêmen, mais compromete seu futuro reprodutivo. O ideal é fazer antes de iniciar o tratamento do câncer", ressalta Massaguer.

Além do câncer, existem outras causas para a infertilidade masculina. A produção do sêmen pode ser afetada por uma série de fatores como infecções, varizes nos testículos (varicocele), tumores benignos, alterações hormonais, quimioterapia, radioterapia, traumas, carências nutricionais, alterações de sono, medicamentos (como anabolizantes), torção e mau posicionamento testicular (alto), além de alterações cromossômicas ou genéticas.  Vale ressaltar que tabagismo, consumo excessivo de álcool e sedentarismo estão atrelados a fatores de risco.


         Então, a infertilidade masculina acomete 1 a cada 20 homens. Cerca de dois terços desses homens têm como principal razão as alterações na produção do sêmen como, por exemplo, baixa produção e/ou alterações de função, com baixa motilidade ou deformação nos espermatozoides.  "Alguns profissionais que convivem com alta exposição a produtos químicos, pesticidas e radiações também devem pensar em congelar sêmen, pois suas profissões afetam a qualidade dos espermatozoides", afirma especialista.

            A maioria destes homens não tem qualquer sintoma aparente, isto é, não apresenta quaisquer disfunções sexuais ou alterações no aspecto do sêmen. Por isso, é fundamental consultar-se regularmente com um médico, manter em dia as sorologias para algumas doenças como HIV e Sífilis, usar preservativo para evitar doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e procurar ajuda médica rapidamente se perceber algum sintoma atípico.


quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Ginecologista fala sobre os cuidados básicos para o diagnóstico precoce do câncer de mama

Da Redação

O câncer de mama é o tumor mais comum entre as mulheres e representa 25% dos tumores malignos diagnosticados no Brasil, anualmente. A cada hora cerca de 6 mulheres recebem este terrível diagnóstico. O maior problema, é que uma parcela significativa destas mulheres, só descobre a doença quando sua progressão já alcançou um estágio avançado. O ginecologista Claudio Basbaum fala abaixo sobre o passo a passo para a detecção dos primeiros sinais da doença.
 
Autoexame deve ser feito após um período menstrual | Foto: Freepik
Mulheres mais jovens podem apresentar câncer de mama?   
Sim.  Cada vez se diagnostica com mais frequência e maior precocidade. Isto se deve ao maior reconhecimento da existência da doença, através dos métodos de imagem (ultrassonografia mamária, mamografia, mamografia digital ou mesmo ressonância magnética das mamas), que dão maior precisão na identificação da formação suspeitada. 

Qual o momento ideal par a se fazer o autoexame?   
O autoexame não dispensa a necessidade da mamografia, sempre orientada e solicitada por um especialista, após cuidadoso exame clínico das mamas. 

O momento ideal para a autoavaliação das mamas é  logo  após o final de um fluxo menstrual, fase em que os hormônios ovarianos estão em níveis mais baixos. Para as mulheres que não menstruam, seja em função de histerectomia já realizada, as menopausadas ou as que estão sob uso de medicação hormonal para suspender a menstruação, deverão observar qual o momento em que notaram alterações em uma ou em ambas as mamas e repetir o mesmo tipo de controle com 30 dias de intervalo, observando se persistem as alterações. 

Como deve ser feito o autoexame?   
O autoexame deverá sempre ser orientado pelo médico especialista. Em termos gerais, deverá obedecer a um certo "ritual": 

1. As mamas deverão estar umedecidas ou melhor ainda, ensaboadas, o que dá uma maior precisão para o reconhecimento de algum eventual "caroço" ou assimetria; durante o banho fica mais fácil. 

2. Elevar o braço do mesmo lado da mama que se pretende examinar, colocando a mão na nuca, com a finalidade de permitir que a mama " se espalhe" sobre o tórax; 

3. Com a outra mão, deslizar a palma com suave pressão, desde a base para o centro da mama, em direção ao mamilo, " no sentido dos raios de uma roda"; 

4. Com a mesma mão, prosseguir em um "alisamento" da mama, fazendo movimentos circulares, girando em torno da mesma, de fora para dentro até a região da aréola mamária. 

O que deve ser observado?   
Alterações na forma, mudança de cor, textura e/ou temperatura na pele das mamas, presença de nódulo, superfície com aspecto de "casca de laranja", diferença no tamanho das  mamas, surgimentos de sulcos ou depressões em áreas localizadas. A saída de qualquer líquido através dos mamilos, sobretudo de sangue, pode ser um sinal importante de alerta. O reconhecimento de qualquer um ou mais de um destes sinais, requer a visita imediata ao especialista. 

Todo "caroço" é câncer?   
Absolutamente não. Toda alteração visível ou observada pela palpação da mama durante o autoexame deverá ser avaliada com muito critério por um ginecologista ou de preferência por um mastologista, que são os profissionais habilitados à complementação do estudo da alteração existente para o diagnóstico preciso.
 
Pode ser confundido com uma glândula ou inflamação?   
Sim. Como o tecido mamário é muito rico em glândulas, não é incomum o surgimento de nódulos isolados ou múltiplos (lesões benignas chamadas adenomas ou fibroadenomas), sobretudo nos dias que precedem as menstruações.  As inflamações (mastites) não são comuns durante a vida. Surgem mais associadas ao período de lactação, em consequência da má higienização dos mamilos, com consequente penetração de bactérias pelos ductos mamários do leite, podendo infectar e causar a formação de abcessos. Pode também ser notado ocasionalmente em consequência de escoriações ou picadas sobre a pele das mamas.
 
O nódulo mamário maligno é dolorido?   
não.  Infelizmente, a doença maligna da mama, sobretudo no seu início, não provoca nenhum alerta de dor. Os sintomas dolorosos normalmente só se fazem presentes quando a doença já está muito avançada. A dor que surge nas mamas (mastodinia) são relativamente comuns, desde a adolescência, no período pré-menstrual ou durante a menstruação, momento no qual o tecido glandular mamário fica mais "ativo" e ingurgitado em função das mudanças hormonais do ciclo menstrual. 

 A liberação de secreção no mamilo é um sinal de alerta?   
O aparecimento e a persistência de prurido, feridas, lesões crostosas e secreção (descarga mamilar), especialmente com  sangue, são importantes sinais de alerta. 

Quando fazer a mamografia?
A realização de mamografias deverá seguir o protocolo determinado pelas sociedades médicas da especialidade, tanto em relação à faixa etária quanto de acordo com as alterações encontradas no exame clínico especializado e que requeiram um diagnóstico mais preciso. Diferentemente do que ocorre em países como EUA, Canadá e Escandinávia, onde a incidência do câncer de mama em mulheres de 40 a 45 anos fica na casa dos 10/15%, no Brasil, sua frequência    quase dobra (25%) nesta mesma faixa etária, razão pela qual  tem sido recomendado o início das avaliações das mamas por imagem  já  a partir dos 40 anos de idade . É fato conhecido que as chances de cura são cada vez mais reduzidas quanto mais se demora para fazer o diagnóstico e o tratamento. Por isso, não aceitar simplesmente a informação que "na mamografia não deu nada grave". Como todo método ou técnica para o diagnóstico, existe a possibilidade de falso-negativo (quando a doença existe, mas não chega a ser reconhecida nas imagens) ou de falso-positivo (quando sugere que a doença maligna existe) conduzindo a um tratamento radical, traumático e desnecessário.

Assim, mamografias de má qualidade poderão retardar o diagnóstico,  com piora do prognóstico ou "reconhecer" a doença que não existe. A chance de redução da mortalidade pelo câncer de mama não depende exclusivamente de "qualquer" mamografia, mas sim das avaliações clínicas periódicas realizadas por ginecologista ou mastologista (semestrais ou anuais) e dos exames realizados em centros de imagem altamente capacitados e, portanto, confiáveis.
   
Toda mulher pode fazer o exame ou há algum tipo de impedimento para a realização dele?   
Em princípio, não há qualquer restrição da mamografia. Em condições especiais como gravidez e amamentação, mamografias só deverão ser realizadas em casos mais duvidosos, após a mulher ter sido submetida a um primeiro rastreamento por ultrassonografia de alta resolução com Doppler colorido. Nas gestantes, quando estritamente necessário, deverá ser usado o avental de chumbo protetor sobre o seu abdome. 

Qual a idade mais comum para o aparecimento do câncer de mama? A partir de que idade a mulher deve fazer o exame mamográfico?   
Quando já existir casos da doença na família, sobretudo mãe, irmã, tia ou avó materna, recomenda-se iniciar o controle anual a partir dos 25 anos. Importante polêmica surgiu no final de 2015, em consequência à decisão da Associação Americana de Câncer (ACS), que passou a recomendar a realização das mamografias, a partir dos 45 anos de idade, anualmente e  até os 54 anos, prosseguindo com intervalos de 2 anos, com exceção das mulheres com alto risco para o desenvolvimento da doença. 

 No Brasil, em função do reconhecimento do  elevado número  de  mulheres que morreram    de  doença mamaria maligna   na faixa etária entre 40 e 49 anos de idade, as sociedades médicas no nosso País, entre as quais a Sociedade Brasileira de Mastologia, defendem que "a realização de mamografias de rastreamento anuais a partir dos 40 anos de idade deve ser direito de toda mulher". 

O diagnóstico precoce e o tratamento criterioso da doença têm sido fundamentais para a sobrevivência de quase dois terços das mulheres com câncer de mama, nos países desenvolvidos. Já a taxa de sobrevida nos países em desenvolvimento não chega a um terço. 

Com qual periodicidade deve ser realizada a mamografia?   
No Brasil, recomenda-se a realização da mamografia anualmente, e sem limite máximo de idade.



segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Outubro Rosa: câncer de mama representa 32% dos diagnósticos de tumores em mulheres em São Paulo

Da Redação

Outubro é o mês de conscientização sobre o câncer de mama, a doença que atingirá 59,7 mil mulheres brasileiras em 2018, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Somente no Estado de São Paulo, este tipo de tumor, que é o mais comum na população feminina, é responsável por 32,3% dos casos – com exceção ao câncer de pele não melanoma -, somando 16,3 mil diagnósticos este ano.

O oncologista Diocésio Andrade ressalta que a mamografia é a principal medida de prevenção | Foto: divulgação 
O oncologista e diretor técnico do InORP/Grupo Oncoclínicas, Diocésio Andrade, explica que "o câncer de mama é causado pela multiplicação de células anormais neste órgão, formando o tumor. Há diversos tipos e estádios da doença que determinarão, inclusive, o tratamento mais indicado para combatê-lo".

Prevenção
O especialista aponta que a mamografia é a principal medida de prevenção e diagnóstico precoce do tumor, sendo necessária a realização a partir dos 40 anos de idade. "Quando detectado no início, a neoplasia tem alto índice de cura. É fundamental o acompanhamento com um especialista", completa.
Outras medidas de qualidade de vida também auxiliam a prevenir o câncer de mama como prática regular de atividade física, alimentação saudável e bons hábitos – como não fumar e ingerir bebida alcoólica moderadamente.

Avanços no tratamento
Além do diagnóstico inicial da doença, a queda de cabelo temporária induzida pela quimioterapia é um dos efeitos colaterais mais comuns e emocionalmente angustiantes para o paciente oncológico. "Por ser o sinal mais visível do câncer, a condição impacta diretamente no tratamento, causando desistência e sentimentos como ansiedade e tristeza", comenta o oncologista Andrade.

A nova tecnologia Crioterapia Capilar, no entanto, reduz a queda de cabelo em até 60% durante a quimioterapia - através do resfriamento do couro cabeludo - proporcionando mais qualidade de vida ao paciente.



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