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segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Reprovação escolar: especialista orienta como os pais devem agir

Redação

Cerca de 3,5 milhões de alunos reprovaram ou abandonaram a escola em 2018, segundo a Unicef. O estudo, divulgado recentemente em parceria do Instituto Claro, analisou o Censo Escolar 2018 e mostrou que esse número reflete a realidade, principalmente, dos últimos anos da educação básica, no ensino médio. Saber como lidar com a notícia de repetência escolar do filho não é uma tarefa fácil e exige atenção dos pais, para a tomada de decisão que diz respeito ao próximo ano letivo.

Entender o que levou à reprovação mostra o que faltou no ensino e na aprendizagem do aluno, no decorrer do ano e, dependendo da razão, a postura da família deve ser diferente | Foto: divulgação 

Para a educadora e diretora do Programa Semente, Tania Fontolan, a repetência escolar é o resultado final de um processo que aconteceu durante todo o ano, e o primeiro passo após a notícia é analisar qual a razão que levou à reprovação. “Foi uma dificuldade de aprendizagem? Foi uma incompatibilidade entre determinadas características cognitivas desse aluno e o modelo de ensino da escola? Foi o resultado de um processo de pouca dedicação? ”, questiona.

Entender o que levou à reprovação mostra o que faltou no ensino e na aprendizagem do aluno no decorrer do ano e, dependendo da razão, a postura da família deve ser diferente. “Se o aluno se dedicou, mas obteve notas ruins, a razão pode ter sido dificuldades reais de aprendizagem. Neste caso, vale pedir uma reconsideração na escola pensando no próximo ano como uma nova oportunidade.  Se a reprovação for por conta da incompatibilidade cognitiva entre aluno e escola, a sugestão é mudar de instituição. Se a razão for falta de dedicação, os pais precisam tentar mostrar como más decisões, não estudar, por exemplo, têm consequências”, ressalta Tania.

O ideal é que os pais saibam cobrar esforço e empenho do filho, e não resultado, porque ninguém é bom em tudo o que faz, mas com dedicação e perseverança, é possível ir bem em matérias, que o aluno não tem tanta familiaridade.

A persistência é uma das habilidades ensinadas no Programa Semente. Ao aprender como ter foco, os alunos adquirem mais autonomia e consciência sobre o esforço para alcançar os objetivos.

Meninos reprovam mais 
Quando se trata dos meninos, por exemplo, a atenção deve ser ainda maior. De acordo com a pesquisa do Unicef, os meninos têm 64% mais chance de repetirem de ano do que meninas. Segundo Tania, as meninas amadurecem mais cedo cognitivamente e neurologicamente e isso reflete em sua autopercepção e exteriorização dos medos e dificuldades. Por isso, elas pedem ajuda com mais facilidade.  Já os meninos, geralmente, apresentam mais dificuldade em falar sobre suas próprias emoções, o que, às vezes, gera uma barreira para que ele consiga externar suas dificuldades.

“As meninas desenvolvem a perseverança de um jeito mais responsável e antes dos meninos; além disso, há um pensamento de que se o menino for focado e centrado, ele será o ‘bobo’, o ‘nerd’. Então, por vezes, considera-se mais natural que ele ‘bagunce’, que jogue futebol e vá bem nos esportes e não se empenhe nas disciplinas obrigatórias na escola, esse pensamento cultural precisa ser mudado”, conclui Tania.

terça-feira, 22 de outubro de 2019

O novo papel da escola no universo dos nativos digitais

*Por Rebeca Barbalat

Vivemos o boom da evolução tecnológica. Possibilidades se apresentam e novos caminhos são trilhados. As facilidades se mostram e se conectam em apenas um clique, principalmente nos últimos 20 anos. Neste período, temos uma geração totalmente envolta desde o nascimento por uma cultura digital. Os nativos digitais, utilizam as ferramentas tecnológicas de forma intuitiva, chegaram às escolas com novos comportamentos, habilidades, necessidades e expectativas. Eles precisam, portanto, de métodos e sistemas de ensino que utilizem os benefícios das novas tecnologias. A escola precisa evoluir.

“O uso da internet nos ambientes escolares ainda não é uma realidade em todos os lugares. É preciso melhorar muito ainda o acesso e, para tanto, uma boa e estruturada rede interna é fundamental”, avalia a diretora de Produto da Positivo Tecnologia Educacional, Rebeca Barbalat | Foto: Freepik

Nesse sentido, o papel das instituições educacionais consiste em encontrar o espaço dentro da realidade atual e tirar proveito da tecnologia para incrementar o ensino e a formação dos alunos. A escola, o professor e a família não perdem o papel na responsabilidade de educar. A orientação é necessária para que o aluno aprenda de maneira correta para potencializar a capacidade de discernimento. Nesta realidade tecnológica, a escola precisa orientar os alunos a distinguir as fontes, interpretar dados, raciocinar, tirar conclusões e desenvolver competências. O professor não é mais a única a fonte das informações. E tornou-se o caminho e o filtro para quem aprende, peça fundamental no processo de aprendizagem.

Com o uso da inteligência artificial é possível, inclusive, identificar como cada aluno aprende. Existem ações que só uma máquina consegue fazer. É muito difícil para um professor, que trabalha com 20 a 30 alunos, conhecer e tratar cada aluno individualmente. A tecnologia ajuda nesse processo, pois consegue analisar o desempenho de cada um de forma isolada, entender quando e como ele incorpora os conteúdos e ainda tratá-lo de forma personalizada. Cabe aos docentes analisar os dados, acompanhar e tirar o melhor proveito do que os meios digitais conseguem oferecer.

 É preciso pensar na melhor educação neste processo homem-máquina e ter os dois, professor e tecnologia, trabalhando juntos e complementarmente. Mesmo com todos esses ganhos, ainda são encontrados alguns entraves, mas que vão se rompendo com o tempo. O uso da internet nos ambientes escolares ainda não é uma realidade em todos os lugares. É preciso melhorar muito ainda o acesso e, para tanto, uma boa e estruturada rede interna é fundamental.

A formação dos professores também é outro desafio a ser superado. De acordo com a TIC Educação, do Comitê Gestor da Internet no Brasil, divulgada em julho de 2019, cerca de 92% dos professores de escolas públicas e 86% de escolas particulares buscam, por conta própria, se informar sobre novos recursos que podem usar no ensino e sobre inovações tecnológicas.

Investir na atualização do professor é essencial para esse novo modelo de ensino que se apresentou na última década. Dessa forma, podemos supor a escola do futuro. Provavelmente ela não será muito diferente da atual. Porém, é preciso gradativamente se adaptar e adotar as novas tecnologias. Com todas as transformações, os pilares professor, aluno e espaço escolar serão mantidos. O que deve mudar são os conteúdos e habilidades que se espera do aluno, o formato e a dinâmica da sala de aula e, sobretudo, a relação de comunicação entre os atores desse processo.

*Rebeca Barbalat é diretora de Produto da Positivo Tecnologia Educacional.

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Especialista lista cinco dicas para escolher a escola do seu filho

Redação

No fim do ano, muitos pais avaliam a escola em que seus filhos cursaram o último ano letivo. A partir disso, a dúvida sobre mudá-lo de colégio pode surgir, entretanto, é preciso saber quais critérios são os mais importantes para serem levados em consideração. Com isso, a diretora do Colégio Anglo 21, Carla Oliveira, comenta alguns pontos para esta avaliação.

É importante que a escola tenha uma filosofia parecida com a filosofia de vida dos pais, orienta a diretora de escola, Carla Oliveira | Foto: divulgação 


Em primeiro lugar, é importante ter a consciência de que não existe uma fórmula mágica. "O que deve ou não ter relevância nessa hora varia de família para família. Cada uma tem suas prioridades e um fator que seja importante para ela não necessariamente é tão essencial para uma outra", pondera Carla.

Segundo a especialista, é válido analisar o que a família procura para o filho nessa mudança, considerando o que incomodava na escola anterior e que seria imprescindível na futura instituição.
Confira as principais dicas para escolher a escola da criança, ou adolescente:

1. Localização
Carla afirma que é importante escolher uma escola perto de casa. Muitos colégios oferecem cursos extras e atividades fora do horário de aulas. Esse fator pode facilitar o cotidiano tanto do estudante, que perderá menos tempo no transporte e poderá se dedicar mais aos estudos, quanto o dos pais na hora de levá-los.

Além disso, quanto mais perto da escola o aluno morar, caso estude no período da manhã, mais tarde poderá acordar, de forma que poderá se sentir mais disposto ao longo do dia. 

2. Proposta pedagógica
"É importante conhecer a proposta pedagógica da escola para ver se está de acordo com aquilo que os pais acreditam, e aquilo que, para eles, é o melhor para seu filho". Cada período da formação conta com uma proposta diferente e, cabe aos pais, pesquisá-las nessa fase.

Atualmente, muitas famílias buscam, por exemplo, um colégio que esteja alinhado com as chamadas competências do século 21, pois estudos apontam que não basta o estudante saber todas as fórmulas e conceitos das disciplinas, mas que saiba aplicar esses conhecimentos na própria vida. Verifique se a instituição está atualizada nesse sentido.

3. Ambiente
"É importante que os pais visitem a escola, conheçam o ambiente e vejam se gostam. Vale também levar os filhos para ver se eles se sentem bem naquele lugar". Lembre-se que a criança ou jovem passará boa parte dos seus dias ali, então é importante que ele se sinta confortável.
Outra sugestão é questionar o coordenador ou diretor sobre detalhes mais práticos, como a quantidade de alunos por sala e o corpo docente do colégio.

4. Espaço físico apropriado para a faixa etária
Avalie se os ambientes dentro da escola não oferecem algum perigo à faixa etária do aluno. Esse cuidado é muito importante, principalmente, quando se trata de crianças pequenas. Durante a visita à escola, repare nos espaços reservados para brincadeiras, leitura e as próprias salas de aula. 

5. Filosofia
Segundo Carla, é importante que a escola tenha uma filosofia parecida com a filosofia de vida dos pais. "Não dá para ser muito diferente", afirma.

Avalie que tipo de educação você deseja e se seus valores e crenças são compatíveis com a da escola. Considere também o perfil do seu filho, de forma que os interesses dele sejam respeitados.

Não se esqueça que será nesse ambiente que seu filho irá crescer, fazer amigos e aprender, ou seja, que será responsável por boa parte da sua construção pessoal, social e acadêmica.

sexta-feira, 14 de junho de 2019

Colégio São Carlos lança “Escola em Movimento” neste sábado

Redação

Colégio São Carlos, em São Bernardo do Campo, lança o “Escola em Movimento”, neste sábado (15), das 9h às 11h30. O objetivo da iniciativa é desenvolver ações sinérgicas, que sejam capazes de formar uma equipe entre pais e professores, que trabalhem com base na colaboração e compartilhamento de informações, para melhorar o rendimento dos estudantes.


Atividades serão abertas ao público | Foto: divulgação

Na ocasião, para marcar o lançamento da iniciativa, haverá no colégio: simulado, Campeonato de Gamificação, workshop Inovação e Criatividade, oficina Cultura Maker sem tecnologia, orientação vocacional e plogging (atividade que consiste em recolher o lixo das ruas, enquanto você corre ou caminha).

Além dessas atividades, será ministrada pelo professor Rogério Franzini a palestra “Ser humano: Integral ou Multidimensional”, no auditório da Clinica AV Corporate (Av. Presidente Arthur Bernardes, 547  - 549  - Rudge Ramos). A atividade é aberta ao público em geral. Interessados devem se inscrever gratuitamente pelo telefone 4367-1779. Vagas limitadas.

O Colégio São Carlos fica na Rua Comendador Pinotti Gamba,119, Rudge Ramos.

terça-feira, 23 de abril de 2019

Bullyng: como identificar e prevenir

*Por Daniela Polidoro e Edson Knippel

"Isso é normal. Sempre existiu!". "Todo mundo já praticou ou sofreu um dia. Não é nada". "As crianças tem que resolver entre si". Frases como essas são comuns quando o assunto é bullying".

O bullying pode ocorrer de maneira verbal, moral, sexual, social, psicológica, física e material | Foto: Freepik

O bullying é uma prática que sempre existiu de forma silenciosa em escolas e em outros ambientes sociais. No Brasil, desde o fato ocorrido no Rio de Janeiro em 2011, em uma escola da rede pública, quando um ex-aluno ingressou em suas dependências armado, e causou a morte de doze estudantes, se matando em seguida, o tema passou a ser mais debatido.

Embora não aconteça somente nas escolas, é lá que se verifica com mais frequência.
É necessário que os pais saibam o que é e como identificar a sua prática, para agir rapidamente, com o fim de evitar consequências mais graves.

O bullying corresponde a um ato de violência física ou psicológica. Deve ser intencional e repetitivo. Geralmente ocorre sem motivação evidente e as vítimas preferidas são pessoas que de alguma forma são diferentes do grupo predominante, e por conta disso vulneráveis. O objetivo é intimar ou agredir, gerando desequilíbrio entre as partes envolvidas.

Trata-se de uma forma grave de opressão e de submissão de uma pessoa por outra, condenável tanto do ponto de vista religioso, como jurídico.

As espécies de bullying são as mais variadas possíveis. Abrangem a forma verbal, moral, sexual, social, psicológica, física e material. Mas a forma virtual tem sido muito utilizada e produz danos e consequências de grande proporção, por conta da disseminação do conteúdo, que é rápida e muito abrangente.

Muitas vezes os filhos não contam aos pais o que estão passando, seja por vergonha, receio ou ainda por tentar evitar demonstrar fraqueza. Sendo assim, os pais devem ficar atentos com alguns sinais que podem identificar o problema.

Baixa autoestima, dificuldade de relacionamento social e no desenvolvimento escolar, evasão escolar, alterações de humor, apatia, perturbações do sono, perda de memória, reações físicas (vômito, desmaio), fobia escolar, dentre outros, não podem ser desconsiderados.

Caso haja dúvida, é importante que os pais procurem a escola para relatar o problema. A escola deve tomar providências e não minimizar a situação. Uma das saídas possíveis é realizar uma mediação entre as partes, para solucionar a questão.

Se houver qualquer dificuldade ou se a escola se recusar em tomar alguma providência, deve ser procurado advogado que poderá intervir nessa questão.

Medidas cíveis e até mesmo criminais podem ser tomadas, em face da escola e dos pais do aluno que pratica bullying.

As consequências são muito graves e a prática do bullying não pode ser tolerada como algo normal, que grande parte dos alunos já experimentou em algum momento de sua formação escolar.

Deve existir prevenção, diálogo e, se necessário, intervenção jurídica para que consequência mais graves não ocorram.

Se você é pai ou mãe, fique atento.

*Daniela Polidoro Knippel é advogada na área cível e especialista em Direito. Edson Luz Knippel é advogado na área criminal. É doutor, mestre e graduado em Direito pela PUC/SP. É Professor da Faculdade de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Bullying pode ser determinante no desenvolvimento da personalidade

Da Redação

O bullying nas escolas é um problema recorrente que ainda exige muito debate, atenção, combate e conscientização. Ele afeta crianças e adolescentes em todo o mundo e preocupa pais, educadores e especialistas. Segundo um levantamento do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, metade dos adolescentes entre 13 e 15 anos, cerca de 150 milhões de meninos e meninas, sofre violência corporal ou psicológica por parte dos colegas, dentro e no entorno das escolas. As consequências do bullying, além de físicas, são também psicológicas, afetando seriamente o emocional e o cognitivo.

O bullying  pode ocorrer em diversos ambientes, porém, atualmente, é visto mais comumente em colégios | Foto: Freepik

Segundo a psicóloga da Clínica Maia, Aline Grou, é considerado bullying a prática de atos violentos e intencionais, seja verbal ou fisicamente, que acontece de modo repetitivo e persistente, sem aparente razão ou motivação clara, com intuito de intimidar, humilhar e maltratar qualquer pessoa que se mostre indefesa. O ato pode ocorrer em diversos ambientes, porém, atualmente, é visto mais comumente em colégios.

"Além dos pais ficarem atentos a machucados e hematomas sem explicação, é importante entender que o problema interfere diretamente no comportamento e no emocional da criança/adolescente, que passa a apresentar isolamento, irritabilidade, agressividade, alterações no sono e no apetite, choro sem motivo aparente e desinteresse pela escola. A vítima do ato pode criar até mesmo meios para não ir ao colégio, inventando dores de cabeça constantes e mal-estar, por exemplo", alerta Aline, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental.

bullying pode ser determinante para o estabelecimento da autoestima e pode influenciar de maneira negativa no desenvolvimento e constituição da personalidade, além de provocar queda no rendimento escolar, evasão da escola, dificuldades de aprendizagem e socialização, e, em casos mais graves, desenvolvimento de depressão, ansiedade e pensamentos autodestrutivos como o suicídio.

"É essencial que os pais se atentem às mudanças de comportamento do filho. Por isso, esta é uma fase que exige um vínculo forte com a criança/adolescente, mantendo um diálogo aberto, frequente e sem julgamentos. Caso se confirme a suspeita do ato, é fundamental procurar a escola para alertar sobre o que está acontecendo, a fim de exigir que as devidas providências sejam tomadas para evitar que este tipo de situação perdure", comenta a psicóloga.

Aline ressalta, ainda, que o bullying praticado por meninos é feito de maneira mais expansiva e agressiva com chutes e socos, por exemplo, sendo mais fácil de identificar. Já o bullying praticado por meninas acontece de maneira mais velada, através de fofocas, humilhações e comentários negativos. A vítima é isolada, excluída do convívio, ignorada na realização de trabalhos ou atividades em grupo.

"Nesse tipo de situação, a escola precisa ficar atenta e intervir rapidamente, comunicando aos pais e encaminhando o agressor para um tratamento psicológico, pois é bem possível que a criança que comete o ato também esteja em sofrimento psíquico. É necessário promover também medidas de conscientização e combate a todos os tipos de violência dentro do ambiente escolar. É importante ter um olhar cuidadoso sobre o assunto - nem tudo pode ser considerado como brincadeira típica da idade", destaca a especialista. O bullying tornou-se um "fenômeno" tão sério que motivou a regulamentação de novas leis para coibir esse tipo de ação, principalmente no ambiente escolar (lei 13185/2015 e a lei 13.663/2018).

Para a psicóloga, a família é o primeiro grupo social do qual a criança faz parte, portanto é importante os pais observarem os tipos de brincadeira e verbalização que ela apresenta em casa, e chamar sua atenção para atitudes que possam ofender ou constranger o outro, esclarecendo que aquilo não é uma brincadeira. "As escolas, por sua vez, podem promover com frequência palestras preventivas sobre o tema, com uma abordagem colaborativa e pacificadora para resolução de conflitos".

A Clínica Maia está implementando, inclusive, o programa intitulado Saudável Mente, cujo intuito é abrir um canal especializado de informação nas escolas para que o jovem, o educador e a família possam enxergar a saúde mental sem tabus ou paradigmas, bem como possibilitar a busca da ajuda profissional sempre que necessário. O projeto visa realizar palestras no ambiente escolar, sendo o primeiro contato feito com os educadores, para que eles possam identificar casos, oferecer ajuda aos estudantes e para que saibam também agir em casos de conflito.

O tratamento das vítimas de bullying é realizado através de psicoterapia individual e envolve treinamento de habilidades sociais, promoção de resiliência e psicoeducação. Como as vítimas do problema apresentam insegurança, baixa autoestima e dificuldades para se expressar e se comunicar, essas técnicas visam trabalhar e modificar esse comportamento, contribuindo para que ela crie habilidades de enfrentamento frente ao agressor ou situações de constrangimento. E a família é extremamente importante neste processo.

"Já o agressor, por sua vez, também deve passar por tratamento psicológico, pois muitas vezes possui uma autoestima tão baixa quanto a das vítimas, assim como um alto nível de sofrimento emocional, que deve ser acolhido e tratado. Também é importante promover a empatia, criando possibilidades de sensibilização e envolvimento de forma positiva com o grupo/vítima", completa Aline.




quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Psicopedagoga fala sobre reprovação escolar

Da Redação

Um dos assuntos mais evidentes na finalização do ano letivo escolar é a reprovação de um aluno. Situação complicada para pais, filhos e professores. E foi pensando neste tema, que a psicopedagoga e palestrante Ana Regina Caminha Braga pontua algumas orientações importantes para os responsáveis enfrentarem essa temática da melhor forma possível, e ainda dá dicas para evitar que isso se repita em outros anos.


Para a psicopedagoga Ana Regina, a reprovação pode ter origem em vários fatores | Priscilla Fiedler
De acordo com Ana Regina, a reprovação pode ter origem em vários fatores, por isso é relevante identificar a sua causa. "Ela pode acontecer em virtude de uma dificuldade de aprendizagem, seja por um aspecto relacionado com a sala de aula, com o professor em sua didática ou mesmo com os colegas no momento de fazer as atividades. Por isso, é preciso saber como o aluno esteve no decorrer do semestre para o direcionamento correto".

Em segundo momento, a psicopedagoga ressalta que os responsáveis devem deixar o aluno consciente de toda a situação e conduzir um diálogo que o faça refletir sobre suas atitudes, as quais o levaram para este caminho. "O essencial é uma conversa franca sobre o assunto, explicando a importância do comprometimento e responsabilidade nos estudos. Os castigos e brigas só levarão o aluno a sentir-se menos capaz, diante desse processo". Caso a família tenha dificuldade em abordar o tema, o ideal é procurar por ajuda da escola".

Para que a reprovação não se repita no próximo ano, é preciso acompanhar de perto o aluno. Regina explica que o ideal é que os pais conversem com a equipe pedagógica e professores da escola, com o objetivo de elaborar estratégias que auxiliem no aprendizado do aluno.

E para finalizar, o papel dos pais no acompanhamento e na hora dos estudos é essencial. "O aluno precisa de orientação para organizar seus horários, as disciplinas e atividades a serem realizadas para criar uma rotina. É em casa, que os responsáveis devem mostrar a importância do estudo e da escola para o futuro pessoal e profissional da criança".




quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Empreendedoras criam primeira escola de liderança feminina no país

Da Redação

Mesmo em maior número nas universidades, mulheres recebem salários 23,51% menores que os homens, exercendo as mesmas funções. Nos cargos de gerência, apenas 39,1% são ocupados por profissionais do gênero feminino, de acordo com a última pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A preocupação com essa realidade despertou o interesse das empreendedoras Carine Roos e Amanda Gomes, que, juntas, criaram a primeira escola de liderança feminina do Brasil, a Elas.

Carine Roos e Amanda Gomes fundaram a escola Elas | Foto: divulgação 
Com pouco mais de um ano, a escola oferece mentorias, workshops, palestras e cursos e, até o final de 2018, terão impactado 2,5 mil mulheres e certificado mais de 180 alunas. O objetivo das iniciativas é tornar as participantes mais seguras, confiantes, autossuficientes e empoderadas. Com uma metodologia própria, experiência em equidade de gênero e desenvolvimento comportamental, Carine e Amanda formam mulheres que desejam assumir posições de destaque no mundo corporativo e na sociedade.

"Nós sempre vimos muitas iniciativas de apoio, mas poucas ações práticas capazes de transformar esse cenário", diz Carine.

No Programa Elas, que possui 54 horas de duração distribuídas em três módulos, as mulheres trabalham o autoconhecimento, forças e fraquezas e técnicas de negociação e de influência, alinhados aos Sete Princípios do Empoderamento das Mulheres nas Empresas, defendidos pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Neste período, as cofundadoras diagnosticam as participantes em três dimensões que podem ser analisados no término do programa, mapeando o desenvolvimento e a evolução de cada uma dentro de determinadas competências. "Nós identificamos que nossas alunas finalizam o curso mais ambiciosas para conquistar espaços no mercado de trabalho e cientes de seus valores como pessoa e mulher", explica Amanda.

Em uma turma de 100 mulheres certificadas, a Elas constatou que 30% delas receberam aumento salarial ou foram promovidas após participarem do curso. Entre outras conquistas e avanços, as alunas destacam melhora na produtividade, no foco, na comunicação e no desenvolvimento pessoal, fatores imprescindíveis em ambientes profissionais cada vez mais competitivos.



quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Escola ideal: cinco dicas para ajudar na escolha

Da Redação 

Com o fim do ano se aproximando, pais e responsáveis começam a pesquisar escolas para seus filhos. Para quem procura uma instituição, especialmente pela primeira vez, a fundadora e diretora da escola Roberto Norio, Kazuko Yamauchi, levanta alguns pontos fundamentais, para auxiliar nesta escolha.

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1. Procure escolas num raio que seja viável e pesquise informações delas
A proximidade geográfica dos pais e responsáveis com a escola é primordial, para evitar problemas com a locomoção. Assim, o primeiro filtro de pesquisa é procurar ao menos cinco escolas próximas para fazer uma visita. Nessa pesquisa, é essencial antes das visitas procurar referências na internet, seja em cada um dos sites das instituições e nas suas páginas nas redes sociais, como Facebook, além de páginas de reclamações de consumidores, como o Reclame Aqui.

2. Busque saber detalhes da proposta pedagógica e como ela é aplicada
Toda instituição de ensino segue uma linha pedagógica, seja ela tradicional, construtivista, montessoriana, entre outras. Mas tão importante quanto a linha pedagógica, é como se aplica na prática o desenvolvimento do aluno.

A partir da perspectiva pedagógica, as ferramentas e recursos disponíveis, e que muitas vezes são atrativas aos olhos dos pais, devem fazer sentido no dia a dia do aluno, senão passam a ser simples acessórios. "Nossas aulas de educação tecnológica (robótica) para o Infantil, por exemplo, estão conectadas à ideia do desenvolvimento da criatividade, da capacidade de trabalhar em equipe, do despertar à curiosidade, do pensamento crítico, o que vai ao encontro especialmente do aspecto socioemocional", destaca Kazuko.

3. Observe como é o relacionamento da escola com a família
Nos dias de hoje, com alunos cada vez mais tempo nas escolas, naturalmente que essas instituições de ensino passem a ter papel mais preponderante na educação das crianças, o que não diminui a responsabilidade dos pais. Assim, é fundamental observar como a escola procura envolver e se relacionar com os pais, mantendo-os ativos e participativos no processo educacional.

4. Veja se a escola está aberta ao mundo
O conhecimento de outras culturas e realidades, em uma sociedade digital e globalizada, também surge como um ponto relevante a ser olhado na escolha da escola.

5. Observe como a escola trata individualmente o aluno
Ver a quantidade de alunos por sala é um dos primeiros pontos a se avaliar. A legislação brasileira aponta até 30 alunos por sala nos primeiros anos, mas olhar e acompanhar individualmente cada criança requer tempo e engajamento.



quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Ausência em reuniões escolares pode acarretar em processo judicial aos pais

*Por Lélio Braga Calhau

Segundo dados escolares, entre 60 e 80% dos pais não comparecem às reuniões escolares de seus filhos. O número é maior quando se trata de crianças pequenas. Há, inclusive, casos onde nenhum dos pais compareceu às reuniões e nem mesmo enviaram algum representante em seu lugar, durante todo o ano letivo.

As reuniões escolares são importantes para o desenvolvimento e acompanhamento das crianças e adolescentes, ressalta o promotor de justiça Lélio Braga Calhau | Foto: Freepik
De acordo com o artigo 932, I, do Código Civil, os pais são responsáveis civis pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia. Não comparecer a essas reuniões para se inteirar da situação da criança, pode acarretar futuramente um processo civil contra o responsável, sobretudo, se algum problema for causado pelo seu filho menor dentro da escola.

As atas dessas reuniões podem ser utilizadas em processos judiciais por juízes, promotores de justiça e advogados em casos de ocorrência de bullying, por exemplo. O documento ajuda na análise dos juízes, porque apontam um início de prova de possível desídia por parte de alguns pais e mães que não procuram se inteirar concretamente da situação de seus filhos. A ausência acarreta em prejuízos efetivos para o desenvolvimento escolar e do trabalho adequado por parte da escola.

Ocorrendo um caso de bullying, tanto a responsabilidade dos pais como a da escola pode ser objeto de avaliação judicial e isso pode ter consequências jurídicas muito negativas para quem for eventualmente responsabilizado - inclusive, com repercussões na vara da infância e da juventude e no patrimônio dos envolvidos.

Portanto, nada de subestimar as reuniões de pais. Elas são importantes para o desenvolvimento e acompanhamento das crianças e adolescentes e facilitam o trabalho da escola. Caso estejam impossibilitados de comparecer por motivos de trabalho ou outras questões, é recomendável enviar algum representante de sua confiança em seu lugar.

 Assim como a escola tem o seu papel e responsabilidades, os pais também os tem. Estando em dia com as suas obrigações, os pais evitam problemas futuros e a criação de eventual prova contra si mesmo de omissão em uma discussão judicial que possa envolver seu filho no colégio.

*Lélio Braga Calhau é promotor de justiça do Ministério Público de Minas Gerais. Graduado em Psicologia pela Univale, é mestre em Direito do Estado e Cidadania pela UFG-RJ. É também autor do livro "Bullying: o que você precisa saber".


terça-feira, 1 de agosto de 2017

Especialistas listam oito dificuldades escolares para os pais prestarem atenção

Da redação

O segundo semestre do ano letivo começou. Para a maior parte dos estudantes é motivo para comemorar, rever amigos e voltar à vida normal. Porém, para algumas crianças e adolescentes estudar ou ir para a escola pode não ser tão divertido assim.

Por isso, a neuropsicopedagoga Viviani Zumpano e a neuropediatra, Dra. Karina Weinmann prepararam  uma lista com oito sinais que podem indicar que o estudante está passando por uma alguma dificuldade que precisa ser avaliada: 

Agressividade ou choro excessivo podem indicar que a criança passa por dificuldades | Foto: Freepik
1. Notas ruins em todas as matérias: Se a criança ou adolescente era um bom aluno e, de repente, começa a apresentar queda do desempenho escolar em todas as matérias, é preciso ficar atento. “Os pais precisam avaliar se há problemas em casa, como divórcio, chegada de um irmão, morte de um parente, etc. Além disso, conversar sobre um possível bullying ou conflito escolar também é importante. Pensar em problemas de visão é uma boa ideia, já que quando a criança não enxerga bem isso pode levar a problemas em sua performance escolar.  

2. Notas ruins em matérias específicas: A criança é ótima em português, mas tem um desempenho ruim em matérias que envolvem cálculos ou vice-versa. Cada dificuldade pode ser um sinal dos diferentes tipos de Transtornos de Aprendizagem, como a discalculia  ou dislexia.

3. Desatenção: A atenção é uma habilidade que se desenvolve com o tempo. Porém, se há reclamações da escola em relação a isso é bom averiguar. A falta de atenção é um dos comportamentos relacionados ao Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), mas pode também ser consequência de um sono não reparador, ansiedade, estresse ou depressão.

4. Agressividade: Se repentinamente a criança começa a apresentar comportamentos agressivos, bater nos colegas ou até mesmo  xingá-los, é sinal de alerta. Bullying e problemas em casa podem ser a causa, assim como o TDAH ou ainda o Transtorno Opositivo Desafiador (TOD).

5. Choro excessivo: Do mesmo modo que a agressividade, o choro pode indicar que a criança está passando por problemas com colegas, professores ou até mesmo com a família.

6. Dificuldades no relacionamento: Crianças brigam e fazem as pazes no mesmo dia e é importante deixar que resolvam suas questões sozinhas. Mas, se a criança não consegue fazer e manter amizades, os pais devem procurar ajuda especializada. A dificuldade de interação social pode ser simplesmente timidez, como também indicar algum transtorno do desenvolvimento, como o autismo.

7. Oposição excessiva: Por natureza, as crianças costumam desafiar pais e professores. Mas, se as reações são agressivas demais, se há resistência em aceitar regras, se incomodam os demais com suas atitudes e argumentam o tempo todo com os adultos, sem reconhecer sua responsabilidade perante um mau comportamento, os pais precisam procurar ajuda, uma vez que estes sinais podem indicar a presença do Transtorno Opositivo Desafiador (TOD), que costuma aparecer na idade pré-escolar, antes dos dez anos. Vale lembrar que em 50% dos casos, o TOD e o TDAH acontecem juntos.

8. Preguiça de estudar: Se não há nenhum explicação orgânica ou doença diagnosticada, a preguiça de estudar pode estar relacionada à falta de atribuições de responsabilidade em outros setores da vida da criança. “Atualmente, muitos pais não têm o costume de ensinar as crianças a terem tarefas e responsabilidades, como ajudar na arrumação da casa, ou organizar o próprio quarto, por exemplo. A única responsabilidade é estudar. Mas, como não aprenderam esses conceitos de deveres e direitos, alguns estudantes têm preguiça de estudar e acabam indo muito mal na escola.

O que fazer?
Se você é pai ou mãe e identificou algum sinal na lista, o ideal é procurar ajuda especializada. “Quanto mais precoce é o diagnóstico, melhor é a resposta ao tratamento. Mais importante ainda é lembrar que não adianta medicar a criança. É preciso identificar a causa e procurar resolvê-la. Quando necessário são usadas terapias como fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicoterapia e neuropsicopedagogia”, explica Karina.

“A fase escolar é um dos períodos mais marcantes na vida de uma pessoa. Por isso, precisamos estar atentos aos comportamentos das crianças e oferecer recursos que possam ser utilizados para que elas superem as dificuldades, principalmente, quando o problema está mais ligado ao gerenciamento das emoções do que a alguma doença física”, conclui Viviani.

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