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quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

Nomofobia: uso excessivo do celular pode acarretar o transtorno

Redação

Segundo a Pesquisa Anual do Uso de TI nas Empresas, realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), até o fim de 2019 o País terá 420 milhões de aparelhos digitais ativos. É fato que smartphones facilitam a vida e a comunicação, entretanto, o uso abusivo pode gerar um transtorno psicológico, a nomofobia.

De modo geral, as grandes "vilãs" por trás dos excessos são as redes sociais | Foto: Shutterstock

O medo irracional de ficar sem celular e outros aparelhos eletrônicos, bem como a incapacidade de usá-los por insuficiência de bateria, ausência de sinal ou falta de internet são alguns dos sintomas da síndrome de dependência digital. Do inglês “No Mobile Phobia” (medo de ficar sem o celular), mais do que o tempo gasto no aparelho, o abuso acarreta prejuízos à vida do usuário.

De modo geral, as grandes "vilãs" por trás dos excessos são as redes sociais. A preocupação com o número de curtidas e compartilhamentos, a apresentação de uma vida que não corresponde com a real e a procura da selfie perfeita são sinais de que o uso se tornou prejudicial para a saúde, visto que o indivíduo vive em função da realidade virtual. À medida que se intensifica o contato com aparelhos eletrônicos, sutilmente efeitos como dificuldade em socializar, estresse, ansiedade e depressão surgem.

Não apenas psicológicos, a nomofobia pode motivar também problemas físicos, como fadiga, sedentarismo, dores musculares, distúrbios do sono e problemas oculares. Não obstante, o uso de celulares desvia a atenção cotidiana, podendo acarretar em acidentes de trânsito, por exemplo.

Uso na infância 
A coordenadora pedagógica da unidade Guará do Colégio Objetivo DF, Sueli de Oliveira, alerta para o uso infantil.  "Estamos em plena era tecnológica e as crianças desta geração já crescem com um tablet na mão, porque muitos pais querem tranquilidade e, por isso, apelam para os eletrônicos”, afirma. De acordo com uma pesquisa divulgada pela Associação Americana do Coração (AHA), crianças de 8 a 18 anos passam cerca de sete horas por dia com dispositivos eletrônicos, tempo que deveria ser reduzido drasticamente para não prejudicar o desenvolvimento físico e intelectual.

A coordenadora alertou que o vício em celulares pode se iniciar desde cedo, porque as crianças já não sabem o que é brincar, correr e pular com os amigos num parque, por exemplo, já que estão constantemente envolvidas na realidade virtual. “A maioria dos alunos que recebemos na escola apresentam prejuízos grandes, principalmente na coordenação motora ampla. Eles não têm destreza para correr e se exercitar, além de alguns ainda apresentarem dificuldades de se relacionar, porque estão imersas nos celulares e não interagem com os demais colegas e familiares”, lamenta  Sueli.

O deslumbramento, desde a infância, com a infinidade de possibilidades que os aparelhos eletrônicos oferecem resulta, futuramente, na nomofobia. Como se já não bastasse, os excessos geram um efeito dominó que compromete outras áreas da vida. Por exemplo: a pesquisa realizada pela AHA indicou que o uso contínuo de celulares predispõe o indivíduo a adotar um comportamento sedentário, fator de risco para obesidade e que, por sua vez, pode provocar doenças cardiovasculares e diabetes.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) sustenta que crianças de até cinco anos não devem passar mais de 60 minutos por dia inertes em frente a uma tela. Para bebês de até 12 meses, a recomendação é não passar sequer um minuto com eletrônicos.

Desconectando 
O coach e facilitador dos Seminários Insight, Jacques Giraud, questionou: “Não podemos deixar de estar conectados com o celular, mas quando é que conseguimos olhar o próprio carregador interno? É preciso ter tempo também para descansar, repor as energias e conectar consigo mesmo”. 

Solucionar a nomofobia parece uma tarefa simples: basta diminuir o tempo gasto com aparelhos eletrônicos. Na prática, no entanto, trata-se de uma tarefa bastante desafiadora, uma vez que a conectividade é uma característica do mundo globalizado. A diretora dos Seminários Insight,
Stèphanie Brasil, recomenda atenção ao próprio comportamento. “Parece quase impossível não estarmos conectados, mas tomado algumas pequenas atitudes é possível fazer um uso mais consciente tanto dos aparelhos quanto das redes sociais. Primeiro, prestar atenção aos comentários ou mesmo consultar amigos e familiares sobre como eles percebem sua relação com o celular”, orienta.

A diretora explicou que o feedback externo é uma fonte importante de informação e pode ser o pontapé inicial para o despertar individual, “porque às vezes, se a pessoa escuta que ela não para de mexer no celular, que as outras pessoas não estão conseguindo interagir e se comunicar de maneira satisfatória, pode ser que ela se conscientize de que algo precisa mudar”.

Nesse sentido, antes de se conectar com o mundo afora, é necessário melhorar a sua conexão interna, ou seja, ter uma maior autoconsciência, olhar para si, observar quem você é fora das redes sociais e escolher o que é melhor e mais saudável para o corpo e a alma.

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Conexão com a natureza pode ser uma solução para o vício em redes sociais

Redação

Para muitos pode ser difícil resistir a dar aquela olhada no Facebook ou no Instagram na metade do expediente. A vontade de compartilhar fotos, notícias, músicas, memes engraçados ou até mesmo um textão de protesto pode surgir a qualquer momento. Porém, mais do que locais para trocar informações, as redes sociais permitem ver e ser visto, mas também podem ser viciantes e comprometer a vida no mundo real pelo excesso.

O psicólogo Teuler Reis acredita que devemos priorizar a conexão com a vida fora da internet, para encontrar um equilíbrio e uma solução para o vício em internet e celular | Foto: divulgação

A chamada nomofobia (abreviatura de no mobile, sem celular em inglês), embora seja comportamental, é uma condição que, para algumas pessoas, causa a mesma sensação de necessidade, fissura e abstinência que a dependência química.

O psicólogo e empreendedor Teuler Reis acredita que é preciso estabelecer limites para o uso da tecnologia: "Não tem como ficar imune ao encantamento provocado pelas mídias sociais. A transformação dos meios de comunicação é, sem dúvida, uma das maiores conquistas da humanidade. Porém, a linha que divide o saudável e o doentio ficou tênue, quando o assunto é o uso indiscriminado das redes sociais. Até mesmo para os especialistas fica difícil estabelecer o que é saudável. Fato é que uma pequena observação já é suficiente para ver que algo não vai bem. Não há controle".

Nomofobia
Reis aponta que certos gestos e hábitos do cotidiano mostram claramente a que ponto muitos chegaram nesta dependência: "É comum ver pessoas almoçando, caminhando pelas ruas, até mesmo quando se reúnem com amigos com o telefone na mão, ficam conectadas 24 horas por dia. Para alguns a simples ideia de ficarem desconectados já é motivo de pânico. Vejo isso com certa frequência no meu trabalho com a pousada. Muitas vezes é a primeira pergunta que fazem é se tem internet".

Conecte-se com a natureza
O psicólogo acredita que para minimizar a dependência das redes sociais é preciso se conectar mais com a natureza e menos com a internet. Há alguns anos, Reis deixou Belo Horizonte para viver na Lapinha da Serra, no interior de Minas Gerais, e abriu a Casa do Teuler, que é uma pousada que busca proporcionar aos hóspedes paz interior e contato com as maravilhas naturais da região.

O local atrai centenas de pessoas todos os anos e até famosos como Lulu Santos e Samuel Rosa da banda Skank: "Em Lapinha da Serra não tem nenhum sinal de operadora de telefonia. O que temos é apenas uma internet via rádio. Logo, aqui as pessoas são quase obrigadas a desconectarem-se, ainda que isso cause em um primeiro momento um certo desespero. Mas, por sua vez essa 'imposição' de desconectar aqui é uma possibilidade de se conectar com a natureza, conectar consigo mesmo e com o outro".

Como amenizar a dependência das redes sociais
Reis acredita que devemos priorizar a conexão com a vida fora da internet, para encontrar um equilíbrio e uma solução para o vício em internet e celular. "Me pergunto se não deveria ser o contrário, se estar conectado não seria, na verdade, estar desligado de todas redes sociais. O momento em que nos permitimos uma interação silenciosa com nosso interior e a natureza. Assim estaríamos desconectados quando mergulhamos nas redes sociais, onde o pano de fundo é, ao meu ver, a solidão”, reflete o psicólogo.

Ele apela para o que todo ser humano tem dentro de si, que é a voz interior do bom senso, como meio de se chegar a um equilíbrio: "É preciso chamar o senso crítico interno e repensar a relação com as mídias sociais, com essa conexão que mais nos desconecta. Não vou me estender nas possíveis implicações advindas do excesso, do mau uso das redes sociais. Que fique como uma provocação a reflexão, dilatar um pouco mais esse incômodo que paira sobre essa questão", finaliza.

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