segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Especialista fala sobre mitos e verdades da fertilidade

Da Redação

As dúvidas são muito frequentes quando o assunto é fertilidade feminina ou masculina. O universo de informações disponíveis hoje na internet, seja em sites, grupos em redes sociais e até mesmo Whatsapp, podem gerar ainda mais questionamentos. O médico especialista em reprodução humana da Huntington Medicina Reprodutiva, Mauricio Chehin, orienta que a melhor opção é sempre conversar com o médico. Também vale conferir esclarecimentos do especialista para alguns dos principais mitos e verdades sobre o tema:

Na mulher, após os 35 anos, a chance de gravidez diminui gradativamente | Foto: Freepik 
A culpa da infertilidade é sempre da mulher?
Não. Isso é um mito muito comum na sociedade, mas 35% das causas de infertilidade são relacionados a fatores femininos, outros 35% são relacionados à causa masculina. Outros 20% são relacionados à infertilidade combinada do casal. Ainda, em 10% dos casais não conseguimos identificar o fator causal.

O relógio biológico é o maior inimigo da fertilidade?
Sim, é verdade. Após os 35 anos, a chance de gravidez diminui gradativamente. Isto porque também se reduz a quantidade e a qualidade de óvulos das mulheres.

O uso de anabolizantes reduz a fertilidade?
Sim. Os anabolizantes são compostos de testosterona, o hormônio masculino. E a dose dele muito acima dos níveis normais no corpo pode reduzir a fertilidade tanto de homens como de mulheres. A testosterona bloqueia a produção de FSH, hormônio produzido pelo cérebro responsável pela maturação das células germinativas, e isso inibe a produção de espermatozoides e o ciclo menstrual.

O uso da pílula anticoncepcional reduz a fertilidade das mulheres?
Essa é uma dúvida bastante comum, mas não é verdade. A maioria das mulheres, após interromper o uso da pílula, retoma sua fertilidade em poucos meses. Além disso, a pílula pode até ajudar a proteger a fertilidade, diminuindo a evolução da endometriose, por exemplo.

Congelar óvulos é uma boa alternativa para quem decide postergar a gravidez?
Sim, isso é verdade, já que a chance de gestação está relacionada à idade da mulher. Por exemplo, se ela resolve congelar os óvulos aos 30 anos e depois decide engravidar aos 38, e não tem sucesso, essa mulher pode usar os óvulos congelados com maior chance de gravidez, já que essa probabilidade está relacionada à idade em que foram congelados. Essa também é uma alternativa bastante interessante para pacientes que precisam postergar a gestação em função de alguma doença a ser tratada, como pacientes com câncer, por exemplo. Assim, pode ser feita a preservação da fertilidade, ou seja, congelar óvulos ou espermatozoides, para serem utilizados numa gravidez, após o tratamento dessa doença.

O tabaco prejudica a fertilidade?
Sim, tanto o fumo quanto o álcool e outras drogas prejudicam a fertilidade de homens e mulheres. Nos homens, pode comprometer a locomoção dos espermatozoides e alterar sua morfologia. Nas mulheres, diminui a qualidade dos óvulos.

É possível fazer fertilização in vitro depois de ter feito laqueadura?
Sim. Aliás, esta é praticamente a única forma de uma mulher que fez laqueadura engravidar, a menos que ela faça uma cirurgia de reversão da laqueadura. No entanto, as chances de restabelecimento total da fertilidade são menores do que nos casos de reversão da vasectomia, que é feita no homem. Na fertilização in vitro o óvulo é fecundado pelo espermatozoide fora do corpo da mulher, ao contrário do que acontece na inseminação artificial, em que a fecundação ocorre diretamente na tuba. Dessa maneira, o sucesso da fertilização vai depender apenas de fatores externos, ligados à idade da mulher, à qualidade dos óvulos e dos espermatozoides coletados, bem como do endométrio da paciente.



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