quinta-feira, 2 de maio de 2019

"Síndrome do Impostor" atinge 80% dos bem-sucedidos

Redação 

Duas cientistas e pesquisadoras da Universidade do Estado da Geórgia, Pauline Rose Clance e Suzanne Imes, em 1978, divulgaram em um artigo científico a Síndrome do Impostor, o transtorno sofrido por quem se boicota e possui pensamentos e sentimentos de se considerarem como “não merecedoras” do sucesso acadêmico, profissional e econômico que possuem. Após 40 anos, outras pesquisas endossam o transtorno, como a da psicóloga Gail Mattews, que descobriu que 80% das pessoas bem-sucedidas profissionalmente já haviam tido alguma experiência com os sintomas de Síndrome do Impostor.

"Confie no seu potencial, pois uma dose pequena deste sentimento poderá ser muito útil para estimular e impulsionar na busca de novos desafios”, orienta o psicólogo Fernando Elias José | Foto: divulgação 

O psicólogo Fernando Elias José, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental que há 20 anos pesquisa o tema e trabalha com estudantes que se preparam para exames e concursos, observa que é possível identificar o transtorno em pessoas que atingiram o sucesso, mas não se consideram habilitadas para tal. Ele acaba de lançar o livro “Concursos: faça sem medo” e o “Planner do Estudante”, pela Sinopsys Editora, por meio dos quais aborda essa e outras questões sobre os obstáculos e estratégias para estudantes e concurseiros alcançarem a aprovação, a partir de conceitos da Terapia Cognitivo-Comportamental.

Entre os sinais que a pessoa pode transparecer, o maior, sem dúvida, é a própria fala onde se diz ser uma fraude, que não “trabalhou tanto” para estar onde está. Trabalho com estudantes que se preparam para concursos públicos e vários, depois de passarem nos concursos desejados, relatam serem uma fraude, de que não sabem como conseguiram enganar as pessoas, comenta o especialista.

Justamente por se mostrar de forma sutil e por não ficar muito clara para as pessoas que convivem com o portador do transtorno, a Síndrome do Impostor pode ser prejudicial para o caminho ao sucesso em qualquer área. Há, porém, uma diferença gritante da síndrome para a baixa autoestima, pois pessoas com este sentimento geralmente não possuem históricos de conquistas, diferentemente dos portadores da Síndrome do Impostor. Mas por quê? O ponto principal é que pessoas que sofrem com a Síndrome do Impostor simplesmente não valorizam as próprias conquistas, dando a causa delas simplesmente para o acaso, ou então que elas mesmas não merecem este sucesso.

Além deste ponto, outra característica marcante dos portadores da Síndrome do Impostor é que eles batalharam muito para atingirem seus objetivos profissionais e financeiros, e, por isso, o transtorno não é ocasionado geralmente em pessoas que herdaram grande fortuna e sucesso profissional e financeiro. E outro traço notável que exemplifica o sofrimento de pessoas diagnosticadas com a síndrome é que, ao conseguirem alcançar seus objetivos, elas não ficam felizes, mas sim apenas aliviadas.

Porém, ao mesmo tempo que o excesso é prejudicial, é possível conviver com doses moderadas dos sintomas de Síndrome do Impostor. “Confie no seu potencial, pois uma dose pequena deste sentimento poderá ser muito útil para estimular e impulsionar na busca de novos desafios”, afirma o psicólogo. Mas caso o transtorno esteja incontrolável, é importante que a pessoa “bem-sucedida” aprenda a anular o sentimento e perceba o mérito em cada ação que a levou até o ponto onde se encontra. O especialista dá cinco dicas para cumprir esta missão:

1 - Observe os dados de realidade da sua história;
2 - Converse com pessoas que você confie e ouça sobre o seu potencial;
3 - Aceite seus erros, pois todos erramos;
4 - Assuma somente riscos possíveis;
5 - Trabalhe em algo que goste.

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