segunda-feira, 11 de março de 2019

Especialista lista dez fatos sobre o bruxismo de vigília

Da Redação

Muitos brasileiros sofrem com o bruxismo, que é o ato inconsciente de apertar ou ranger os dentes. O cirurgião dentista e diretor clínico da LIVA, Alain Haggiag, listou  dez fatos sobre o bruxismo de vigília.

Ao forçar o movimento de apertar e encostar os dentes, a articulação recebe uma carga maior do que pode suportar, com isso, pode haver dores orofaciais | Foto: reprodução
1. Uma das características mais importantes do bruxismo de vigília é que este comportamento é quase sempre inconsciente; o paciente não percebe que está apertando os dentes ou contraindo a musculatura da face e da cabeça.

2. Normalmente a pessoa permanece por períodos longos apertando ou encostando os dentes, principalmente em momentos de tensão, estresse ou até mesmo quando está concentrada lendo um livro, estudando, usando o computador ou assistindo TV.

3. O bruxismo em vigília pode aparecer como efeito colateral de algumas medicações, sobretudo medicações utilizadas no tratamento da ansiedade; ou em usuário de drogas como a cocaína, por exemplo. Pacientes que sofrem de alterações neurológicas (paralisia cerebral, Parkinson) podem apresentar também um bruxismo secundário.

4. Ao forçar o movimento de apertar e encostar os dentes, a articulação recebe uma carga maior do que pode suportar. Daí podem surgir dores na articulação temporomandibular (ATM), estalos ao abrir a boca e dificuldade em mastigar.

5. O bruxismo do sono está cada vez mais "em baixa" e perdendo o seu posto de "grande vilão" para o bruxismo de vigília, porém pela sua característica de rangimento de alta intensidade e baixa frequência, pode levar a desgaste e até fraturas das estruturas dentárias, mas dificilmente provocará, sozinho, dores na cabeça e na face. As pesquisas mais recentes mostram que o bruxismo de vigília, sendo de baixa intensidade e de alta frequência está se tornando num dos grandes fatores de risco para os distúrbios orofaciais, além de causar sérias complicações.

6. Muitas pessoas podem demorar anos para ter um diagnóstico preciso de bruxismo de vigília. Por isso é muito importante relatar ao seu dentista se sofre de dor na região das têmporas, face e também sobre hábitos que parecem não ter relação, como roer unhas, mascar chicletes, morder canetas e se mantém os dentes encostados durante o dia.

7. Observações clínicas sugerem que, no mesmo indivíduo, o tempo "encostando" os dentes durante o dia é consideravelmente maior que o tempo rangendo os dentes durante o sono.

8. A distância ideal entre os incisivos maxilares e mandibulares, na posição vertical varia normalmente de 1 a 4 milímetros. É uma posição em que os músculos elevadores e depressores da mandíbula estão em repouso. Nesta posição as dores musculares, cefaleia e tensão tendem a diminuir.

9. Este contato dos dentes de forma não funcional leva a um aumento da atividade muscular, provocando hipertonia e consequente mialgia, um dos principais fatores de dor orofacial.

10. Em relação ao controle do bruxismo de vigília, a técnica LIVA, utilizando a placa DIVA é o novo conceito de biofeedback, e mostra a grande eficácia na reversão destes hábitos parafuncionais apontados cada vez mais como grande fator de risco na gênese e manutenção das dores crônicas orofaciais.

"Após longos e frutíferos anos de pesquisas, iniciadas na Universidade de Paris em 2004 e complementadas na Faculdade de Odontologia da USP e no Hospital das Clinicas da Faculdade de medicina da USP, desenvolvi um tratamento absolutamente inovador para o controle destes distúrbios. É um tratamento reversível, não invasivo, que não requer o uso de nenhuma substância química e que, por consequência, não apresenta praticamente nenhuma contraindicação", finaliza  Haggiag.

Em casos de bruxismo noturno, o dentista geralmente indica uma placa de relaxamento muscular e de proteção dental. Em relação ao bruxismo de vigília, se estiver associado a cefaleias tensionas, distúrbios da ATM e zumbidos, a intervenção clínica é de extrema importância.

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